Em destaque: Planalto orienta ministros a tratar fuga de Flávio como caso de Justiça
A gestão busca conter desgastes e trata o episódio como um assunto a ser resolvido pela Justiça.

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Consulte formatos e valores disponíveisO governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou ministros e demais auxiliares a evitar elevar o tom sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos (EUA) após a derrota nas eleições. A gestão busca conter desgastes e trata o episódio como um assunto a ser resolvido pela Justiça.
A intenção do governo petista é se afastar ao máximo do caso para evitar alimentar o discurso de que a família Bolsonaro é alvo de perseguição por parte do governo brasileiro.
A estratégia consiste em reforçar que a situação de Flávio é de responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal (PF).
A orientação teria sido dada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira.
A instrução foi informada depois de Lula criticar publicamente a decisão de Flávio de deixar o país após a derrota nas urnas. Na terça-feira (27/10), durante a comemoração de seus 81 anos, no Palácio da Alvorada, o petista classificou a atitude do adversário como “vergonhosa” e declarou que a família Bolsonaro “lambe botas” dos Estados Unidos.
“Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso, é lamber botas dos EUA”, declarou. Lula afirmou ainda que, se um cidadão “sai escondido do país, é porque deve alguma coisa”. “Quem não deve não teme”, disse o presidente.
O petista também voltou a chamar Flávio de “miliciano” e declarou que o senador do PL não pode afirmar que não há democracia no Brasil. “Não vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse, um miliciano não seria candidato a presidente”, afirmou.
Naquele momento, embora parte da imprensa já tivesse noticiado ouvido de aliados que Flávio havia chegado aos Estados Unidos, o senador ainda não havia atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarcou com a mulher e as duas filhas em Miami, na Flórida, na manhã desta quarta-feira (28/10).
O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas, pela fronteira com a Argentina, por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu (PR). Do país vizinho, embarcou em um jato particular com destino ao Equador. Após uma breve parada, Flávio seguiu para Miami, nos Estados Unidos.
Ao deixar o país, o bolsonarista descumpriu uma ordem judicial expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que determinou que ele entregasse os passaportes em um prazo de 24h.
Flávio é investigado por lavagem de dinheiro em um suposto esquema que envolveria empresas do advogado Willer Tomaz e um negócio de apostas on-line.
Nesta quarta-feira, já em solo norte-americano, o senador publicou uma carta na qual se declarava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, recuou e divulgou uma nova versão do texto, sem o trecho, na qual se apresentava apenas como “líder do Brasil”.
O documento reúne diversas acusações, sem provas, sobre supostas fraudes no processo eleitoral brasileiro. Flávio também acusa integrantes do Judiciário de promover perseguição política contra ele e a família Bolsonaro. Na carta, afirma que a suposta atuação judicial teria como objetivo silenciá-lo e impedir sua participação política. As acusações são apresentadas pelo senador, mas não vêm acompanhadas de provas no documento.
Flávio também nega ter fugido e afirma que pretende liderar a oposição à distância, dos Estados Unidos. O senador diz que pretende se dirigir regularmente aos brasileiros e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar a oposição. Ele também pede que parlamentares e governadores aliados mantenham a atuação política no país.
O senador foi derrotado no segundo turno das eleições, com 48,21% dos votos. Lula obteve 51,79%. O resultado foi reconhecido pela oposição, inclusive pelo Partido Liberal (PL) e pelo candidato a vice na chapa de Flávio, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).
O resultado também foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional, incluindo representantes da direita sul-americana.
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