Em destaque: Flávio vai aos EUA em meio a momento eleitoral delicado para Trump
Governo Trump confirmou vistos para a família

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisDivulgação/Flávio Bolsonaro Derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) corre aos braços da administração de Donald Trump nos Estados Unidos em um momento delicado para o republicano.
A dois dias de completar uma semana da derrota eleitoral no Brasil, Flávio fugiu do Brasil com a família após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o impedia de deixar o país. A suspeita é que Flávio tenha ido para os Estados Unidos.
A fuga ocorre a poucos dias das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro, em meio à queda de popularidade de Trump e à disputa pelo controle do Congresso, com risco de os republicanos perderem a maioria na Câmara.
O desembarque do senador à Flórida ainda coincide com o agravamento das tensões entre o governo brasileiro e a administração republicana. Nesta terça, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que emitirá vistos para Flávio e seus familiares, permitindo a entrada deles em território norte-americano.
A manifestação oficial, contudo, não confirma a concessão de asilo político, benefício distinto da autorização de entrada e permanência por meio de visto.
O deslocamento ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar, na segunda-feira (26/10), que o senador entregasse os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal (PF) em até 24 horas.
A decisão também o proibia de deixar o Brasil. Como o prazo terminou sem a apresentação dos documentos, a corporação cancelou os passaportes nesta terça-feira.
Apesar do descumprimento da ordem judicial, Flávio não era considerado foragido naquele momento, uma vez que não havia mandado de prisão expedido contra ele. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz.
A crise política brasileira se sobrepõe a um período decisivo para o governo norte-americano. Os Estados Unidos realizam, em 3 de novembro, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais.
O pleito é considerado um teste para a administração Trump e age como uma “pedra no sapato” do chefe da Casa Branca, que enfrenta desgaste relacionado ao custo de vida, à inflação e à condução da economia. Pesquisas divulgadas em outubro apontam índices elevados de desaprovação ao presidente e indicam que os democratas têm chances de conquistar a maioria na Câmara.
Nesse cenário, a concessão de vistos a um político estrangeiro envolvido em uma disputa com o Judiciário de seu país pode ampliar a pressão sobre o governo republicano.
Eventuais questionamentos sobre o uso da estrutura diplomática norte-americana para beneficiar aliados políticos também podem se tornar tema de cobranças da oposição no Congresso.
Em caso de vitória democrata, a forma como Washington lidaria com a presença não apenas de Flávio, mas também de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, poderia ser diferente, a depender da composição política do Congresso e das prioridades da nova maioria.
A chegada de Flávio aos Estados Unidos ocorreu no mesmo dia em que Trump voltou a fazer comentários negativos sobre as eleições brasileiras. Durante um comício no Texas, nesta terça-feira, o presidente norte-americano mencionou a disputa vencida por Lula e afirmou que o processo eleitoral brasileiro não lhe pareceu positivo.
“Eu não tomei partido, mas não gostei… Não pareceu muito bom”, declarou Trump, ao comentar o pleito brasileiro.
Na segunda-feira (26/10), o republicano já havia afirmado que o resultado da eleição entre Lula e Flávio “pareceu mais uma eleição fraudulenta”. As declarações foram feitas sem a apresentação de provas de fraude.
O presidente norte-americano também questionou a prorrogação do horário de votação determinada pela Justiça brasileira. A medida foi adotada diante de dificuldades relacionadas ao transporte público e às condições climáticas.
As manifestações representam uma fonte adicional de atrito entre Washington e Brasília. Antes do primeiro turno, Trump havia tratado a eleição brasileira como um processo importante e elogiado o país. Após a primeira etapa da disputa, também classificou o desempenho de Flávio como uma “grande vitória”.
Apesar das críticas recentes, Trump afirmou manter uma boa relação com Lula e evitou declarar apoio formal a um dos candidatos.
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