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como o Grupo Potencial quer chegar a R$ 20 bilhões — Tanque cheio de ambições

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 09:20
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como o Grupo Potencial quer chegar a R$ 20 bilhões — Tanque cheio de ambições
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Tanque cheio de ambições: como o Grupo Potencial quer chegar a R$ 20 bilhões Com expansão no Paraná, o Grupo Potencial quer quase dobrar a produção de biodiesel e avançar no agro, apesar da volatilidade dos preços e da dependência de decisões do governo Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente de novos negócios, relações institucionais e comercial do grupo Potencial (Leandro Fonseca/Exame)

Priorizar nos meus resultados Google Quem chega à sede do Grupo Potencial, na Lapa (PR), a 80 quilômetros de Curitiba, encontra um cenário pouco habitual para uma indústria que opera a pleno vapor há mais de 30 anos. Máquinas escavam o terreno, caminhões de soja descarregam o grão e trabalhadores circulam entre veículos e equipamentos, em um dos maiores complexos de biocombustíveis do Brasil, com capacidade para produzir 900 milhões de litros de biodiesel por ano.

A movimentação tem uma explicação bilionária. Até 2032, a Potencial vai investir 6,2 bilhões de reais para ampliar a produção de biocombustíveis e avançar sobre atividades que, até pouco tempo atrás, estavam do outro lado da mesa de negociação: processamento de soja, etanol de milho e crédito agrícola.

Concluída a expansão, a capacidade anual de biodiesel deverá saltar para 1,7 bilhão de litros, alta de 89%, o suficiente para encher mais de 90.000 tanques de 50 litros por dia.

Mas o plano vai além de fabricar combustível: a Potencial quer controlar uma parcela maior do caminho da matéria-prima, da compra dos grãos à venda nos postos, num país que é o maior produtor global de soja, com 180 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Com as iniciativas, que incluem um banco para financiar agricultores, a expectativa é alcançar 20 bilhões de reais de faturamento até 2032, ante os 13 bilhões estimados para este ano. Para bancar a expansão, pretende usar recursos próprios em até 60% dos investimentos e buscar crédito mais barato para o restante.

A dívida atual é de cerca de 200 milhões de reais, segundo Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente de novos negócios, relações institucionais e comercial da empresa. “O biocombustível não existe mais sem o agronegócio”, diz o executivo. “Por isso a gente já usa o termo ‘agroenergia’, porque as duas coisas não andam mais separadas.”

O movimento inverte a trajetória tradicional de parte das grandes companhias do setor. Enquanto grupos que nasceram na comercialização e no processamento de grãos avançaram para os combustíveis, a Potencial faz o percurso contrário. “Fizemos o caminho inverso. Entramos no mercado de biocombustível não nos originando do agronegócio”, diz Hammerschmidt.

A história da família com os postos começou em 1954, quando Eduardo Pedro Hammerschmidt, avô do vice-presidente, inaugurou um posto de gasolina em Mariental, distrito da Lapa, no Paraná. Quatro décadas depois, o filho Arnoldo criou a Potencial Combustíveis. Hoje, Arnoldo preside o conselho, e Eduardo conduz os novos negócios. A companhia vende cerca de 100 milhões de litros de combustíveis por mês e atende cerca de 2.000 postos, 150 deles com sua bandeira.

A entrada da Potencial no biodiesel acompanhou o nascimento de uma indústria estimulada pelo governo federal. O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) foi lançado em dezembro de 2004 e, em 2008, tornou-se obrigatória a mistura de 2% ao diesel.

O percentual subiu aos poucos e criou um mercado que deve produzir 9,8 bilhões de litros em 2026, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa o setor.

A StoneX, consultoria de dados, projeta 10,4 bilhões de litros neste ano, um recorde para o país. O grupo aproveitou a expansão, mas esbarrou num problema: produzir biodiesel em escala exige óleo de soja contínuo, cujo preço e disponibilidade dependem do mercado internacional.

O insumo responde por cerca de 74% da matéria-prima do biodiesel brasileiro e cerca de 80% do custo de produção, segundo relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME). “Há momentos em que existe oferta no mercado e há momentos em que não existe oferta de óleo vegetal. Depende muito do mercado internacional”, diz Hammerschmidt. O Brasil tem 127 unidades ativas de processamento de oleaginosas, segundo o BTG.

Descarregamento de soja na sede do Grupo Potencial: nova expansão vai totalizar 7.200 toneladas de esmagamento por dia (Leandro Fonseca/Exame)

Para reduzir essa dependência, apostou na verticalização, que integra etapas da cadeia produtiva no mesmo negócio. Na prática, avança sobre uma atividade antes terceirizada: o processamento da soja para obter o óleo do biodiesel. O principal investimento é uma esmagadora de soja, que separa o grão em óleo e farelo.

N a primeira fase, prevista para 2027, deve produzir entre 24.000 e 25.000 toneladas de óleo por mês, cerca de 30% da demanda por matéria-prima da Potencial. O projeto prevê três etapas, que somarão 7.200 toneladas de soja processadas por dia.

Ainda comprará óleo de terceiros, e o farelo, vendido sobretudo para ração animal, abrirá outra fonte de receita. Segundo o executivo, a esmagadora deve acrescentar cerca de 2 bilhões de reais ao faturamento a partir do ano que vem, quando operar o ano todo.

A ambição tem respaldo no momento: a produção de soja saltou 217% em 16 anos e deve chegar a 181 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Ainda assim, só um terço do grão é processado no país, porque quem esmaga compete com um canal exportador maior e precificado globalmente: a China compra quase 80% da soja em grão vendida pelo Brasil.

Na prática, diz o BTG, o esmagador paga pelo custo de oportunidade do produtor, e não pelo custo de produção. Nos cálculos do banco, a capacidade de processamento cresceu 17% em três anos, e a utilização das plantas caiu de 87,9% em 2022 para uma estimativa de 80,4% em 2026, o que encarece em cerca de 9% o custo fixo por tonelada processada. O farelo, que responde por 75% a 78% do peso do grão, muitas vezes não paga sozinho a soja. É o óleo, e sua conversão em biodiesel, que costuma fazer a conta fechar.

Para Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro e especialista em biocombustíveis, a demanda por biodiesel é um dos fatores que sustentam a expansão do processamento de soja no Brasil. “É a expansão de demanda por óleo que viabiliza a expansão do esmagamento de soja e que permite agregação”, diz.

Laboratório do Grupo Potencial na Lapa (PR): empresa comercializa 100 milhões de litros de gasolina, etanol e diesel por mês (Leandro Fonseca/Exame)

A expansão depende de uma variável fora do controle da empresa: o ritmo do mercado de biodiesel. A Lei do Combustível do Futuro, de 2024, prevê elevar a mistura obrigatória dos atuais 15% (B15) para 20% (B20) em 2030, condicionada às decisões do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O cronograma já atrasou: o B16, previsto para março de 2026, não foi implementado. Cada ponto percentual representa cerca de 690 milhões de litros a mais por ano, segundo o BTG. O atraso ocorre em um mercado com folga: a capacidade do Brasil é de 15,9 bilhões de litros por ano, e cerca de 5,5 bilhões ficam ociosos.

Na Potencial, a produção deve ficar em 700 milhões de litros neste ano, ante 900 milhões de capacidade. Diante da pressão sobre os preços, diz Hammerschmidt, a empresa preferiu abrir mão de participação para preservar margens. Hoje estima ter 8% das vendas nacionais e mira 12% a 15% com a expansão, se a demanda acompanhar.

A saída tem sido exportar: segundo o executivo, a companhia embarcou cerca de 50.000 toneladas em 2026, sobretudo para a Europa, e virou a maior exportadora do combustível no país.

Por isso 2032 virou o horizonte do plano. Hammerschmidt diz que adequou o ritmo de entrada das fábricas à demanda: com juros altos e matéria-prima pressionada, a prioridade é evitar fábricas paradas.

“A Potencial é uma empresa que faz as coisas com os pés no chão”, diz. O cronograma físico, aponta, está mantido: dutos de gás prontos em fevereiro de 2027 e obras da usina de etanol de milho começando no mesmo ano.

O biocombustível de milho seguirá a lógica da verticalização. A Potencial já compra o combustível de terceiros para sua distribuidora e quer produzir parte do que vende. “A gente já está dentro do mercado de etanol. Verticalizar esse processo dá mais garantia de oferta para o nosso cliente”, afirma Hammerschmidt.

O projeto mais distante das origens da empresa paranaense talvez não esteja nas fábricas: um banco para financiar produtores. Por ora, a companhia atua por meio de um fundo e já concede cerca de 100 milhões de reais em crédito, com expectativa de chegar a 1 bilhão em capital de giro.

Para a Potencial, o desafio dos próximos seis anos será transformar 6,2 bilhões de reais em um negócio integrado e rentável, inclusive nos momentos em que uma das etapas da operação estiver desfavorável.

Se der certo, a empresa terá feito o que poucos no setor conseguiram: atuar em toda a cadeia, do posto ao campo. O resultado depende da mistura obrigatória de biodiesel, de o óleo de soja e o crédito funcionarem ao mesmo tempo, e de o governo cumprir o cronograma de aumento da mistura, que já está atrasado.

2004 ⟶ Criação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) O governo lançou o programa para desenvolver a cadeia produtiva do biodiesel no país.

A Lei n o 11.097 introduziu o biodiesel na matriz energética brasileira.

2008 ⟶ Mistura obrigatória O Brasil passou a exigir 2% de biodiesel no diesel comercializado, percentual conhecido como B2.

Legislação cria incentivos aos biocombustíveis e estabelece metas para ampliar o uso de combustíveis sustentáveis.

A mistura obrigatória atingiu 15% em agosto, ampliando o mercado consumidor de biodiesel.

A Lei do Combustível do Futuro estabeleceu uma trajetória de aumento da mistura até 20%, condicionada às avaliações e decisões regulatórias.

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