Entenda: Com Flávio Bolsonaro nos EUA, PL terá desafio para manter oposição unida, diz analista
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Consulte formatos e valores disponíveisCom Flávio Bolsonaro nos EUA, PL terá desafio para manter oposição unida, diz analista Em entrevista à EXAME, Fabio Zambeli avalia que a ausência do senador pode dificultar a articulação do PL no Congresso e ampliar as divergências entre as alas da oposição Flávio Bolsonaro: senador deixou o país (Renato Pizzutto/Band)
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial pode dificultar a articulação da oposição a Lula. Em entrevista à EXAME, o analista político Fabio Zambeli avalia que o PL continuará forte no Congresso, mas enfrentará dificuldades para coordenar uma bancada com diferentes interesses. O especialista também analisa os impactos da decisão de Alexandre de Moraes sobre os passaportes do senador e os desafios de governabilidade do próximo mandato de Lula.
A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota na eleição presidencial pode dificultar a articulação da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo com uma bancada expressiva do PL no Congresso Nacional. A avaliação é de Fabio Zambeli, jornalista, analista político e diretor de Public Affairs do grupo In Press.
O analista diz que a estrutura partidária do PL, sob influência de Valdemar Costa Neto, deve limitar os efeitos imediatos da saída de Flávio para os Estados Unidos. O problema, segundo ele, está na condução política da bancada, dividida entre parlamentares mais ligados ao bolsonarismo e integrantes de perfil pragmático, que tendem a priorizar as negociações no Congresso.
"O PL continuará forte no Parlamento. A questão é saber se conseguirá transformar essa força numa atuação coordenada ou se terá uma bancada dividida entre a lealdade ao bolsonarismo e a negociação com o governo", diz em entrevista à EXAME.
Em entrevista na tarde desta terça-feira, 27, Rogério Marinho, coordenador de campanha do senador, afirmou que não sabia que Flávio deixaria o país e disse esperar que ele liderasse a oposição.
A ausência de Flávio ocorre em meio à repercussão da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seus passaportes e proibiu a saída dele após a eleição. Para Zambeli, o episódio pode ampliar a tensão entre a militância bolsonarista e o Judiciário, mas também representa um desafio para a reorganização da oposição.
"A pressão por pedidos de impeachment de ministros tende a crescer com a chegada dos novos parlamentares, embora sua tramitação dependa da presidência da Casa e de uma maioria política que ainda precisará ser construída", afirma.
Ao mesmo tempo, o analista avalia que o desgaste do adversário beneficia Lula no curto prazo, embora o presidente ainda precise negociar com um Congresso fortalecido para garantir a governabilidade no próximo mandato.
Flávio disse que lideraria a oposição, mas deixou o país por medo da prisão. Como isso pode afetar a organização do PL, mesmo com uma bancada forte?
O impacto imediato sobre a organização do PL tende a ser limitado. O partido tem uma estrutura própria de comando, sob a influência de Valdemar Costa Neto, e uma bancada que reúne parlamentares com motivações distintas. O desafio maior está na liderança política da oposição. Flávio sai da eleição com uma votação expressiva e capital para reivindicar esse papel, mas a ausência do país dificulta a condução cotidiana de uma bancada numerosa. Os parlamentares mais ideológicos tendem a preservar a fidelidade à família Bolsonaro; os de perfil mais pragmático devem responder às lideranças do Congresso e aos interesses de suas bases. O PL continuará forte no Parlamento. A questão é saber se conseguirá transformar essa força numa atuação coordenada ou se terá uma bancada dividida entre a lealdade ao bolsonarismo e a negociação com o governo.
A decisão de Moraes sobre os passaportes, logo após o resultado de domingo, pode inflamar a militância bolsonarista e colocar o STF novamente no centro do debate político?
A decisão recoloca o STF no centro dos questionamentos da direita e oferece à militância um argumento para contestar a atuação do Judiciário no processo eleitoral. O momento em que foi anunciada, logo depois da votação, também amplia a repercussão política. A capacidade de transformar essa insatisfação em mobilização, porém, ainda precisa ser medida. A militância sai de uma campanha intensa e de uma derrota apertada, enquanto as lideranças que permanecem no país parecem pouco dispostas a estimular um enfrentamento imediato. O foco de tensão mais duradouro pode estar no Senado a partir de 2027. A pressão por pedidos de impeachment de ministros tende a crescer com a chegada dos novos parlamentares, embora sua tramitação dependa da presidência da Casa e de uma maioria política que ainda precisará ser construída.
A saída de Flávio favorece ou prejudica o presidente reeleito Lula, que precisa organizar o próximo governo?
No curto prazo, Lula se beneficia do desgaste do principal adversário e da dificuldade da oposição para se reorganizar. A saída de Flávio pode enfraquecer sua autoridade política, inclusive entre eleitores que criticam decisões do STF e esperavam dele uma liderança mais presente depois da derrota. Esse alívio, contudo, não resolve o problema central do presidente: governar um país dividido, diante de um Congresso fortalecido e de uma situação fiscal delicada. A eleição terminou, e Lula terá de construir as condições políticas para o próximo mandato. Aliados do Planalto relatam que a campanha absorveu as energias do governo e que ainda não havia um plano estruturado para essa etapa. Os nomes e as agendas em circulação devem ser tratados com cautela. O movimento mais relevante será a negociação com as lideranças do Congresso, especialmente Davi Alcolumbre e Hugo Motta, para construir uma base de governabilidade e enfrentar as escolhas difíceis do Orçamento.
Segundo Fabio Zambeli, o impacto imediato sobre a estrutura partidária deve ser limitado. O principal desafio será coordenar a atuação da bancada no Congresso diante da ausência de Flávio Bolsonaro, que havia manifestado a intenção de liderar a oposição.
Zambeli não aponta um substituto direto para Flávio Bolsonaro. Segundo ele, os parlamentares mais ideológicos tendem a manter a fidelidade à família Bolsonaro, enquanto os de perfil pragmático devem responder às lideranças do Congresso e aos interesses de suas bases eleitorais.
Na avaliação de Zambeli, o PL continuará forte no Parlamento. A principal dúvida é se o partido conseguirá transformar sua bancada numerosa em uma atuação coordenada ou se haverá divisões entre a fidelidade ao bolsonarismo e as negociações com o governo.
Segundo o analista, a decisão sobre os passaportes de Flávio Bolsonaro recoloca o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro dos questionamentos da direita. Zambeli avalia que a pressão por pedidos de impeachment de ministros pode aumentar no Senado a partir de 2027, embora dependa de condições políticas para avançar.
Na avaliação de Fabio Zambeli, Lula se beneficia no curto prazo do desgaste de seu principal adversário e das dificuldades de reorganização da oposição. O analista ressalta, porém, que o presidente ainda terá de negociar com um Congresso fortalecido e enfrentar os desafios fiscais do próximo mandato.
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