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Em destaque: Desaparecimento de ferida não significa cura da sífilis; entenda riscos

Alfredo Salim Helito explica por que reconhecer a primeira lesão, testar e tratar precocemente são fundamentais

Por CNN Brasil 17 de outubro de 2026 às 07:00
Via CNN Brasil
Em destaque: Desaparecimento de ferida não significa cura da sífilis; entenda riscos
Foto: Foto: CNN Brasil
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Existe uma característica da sífilis que ajuda a explicar por que essa infecção continua sendo um problema de saúde pública: um de seus primeiros sinais pode desaparecer espontaneamente . A pessoa percebe uma ferida, ela cicatriza sem tratamento e fica com a impressão de que o problema acabou. Mas a bactéria pode continuar no organismo.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Apesar de ser uma doença conhecida há séculos, ter diagnóstico disponível e tratamento eficaz, permanece bastante comum. Em 2024, o Brasil registrou mais de 256 mil casos de sífilis adquirida.

A transmissão ocorre principalmente durante relações sexuais sem preservativo, pelo contato com lesões infectadas, e também pode acontecer da gestante para o bebê. Por isso, prevenção, diagnóstico precoce, tratamento das pessoas infectadas e avaliação de suas parcerias sexuais são essenciais para interromper a cadeia de transmissão.

Epidemias: ainda somos vulneráveis Governo prepara classificação de defensivos agrícolas de alto perigo Por que a Febre do Nilo Ocidental tem esse nome? Entenda A primeira ferida pode enganar Na sífilis primária, geralmente aparece uma ferida única no local por onde a bactéria entrou no organismo, chamada de cancro duro. Ela pode surgir no pênis, mas não é uma lesão exclusivamente masculina: também pode aparecer na vulva, vagina, colo do útero, ânus, boca ou outras regiões.

Essa ferida costuma ter uma característica traiçoeira: normalmente não dói, não coça, não arde e não apresenta pus. Dependendo de onde esteja localizada, pode inclusive passar despercebida .

Depois de algum tempo, o cancro duro desaparece espontaneamente, mesmo que a pessoa não tenha recebido nenhum tratamento. É justamente aí que está um dos maiores problemas. A cicatrização da ferida não significa que a sífilis foi curada.

Sem tratamento, a infecção pode continuar evoluindo. Na fase secundária podem aparecer manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de febre, mal-estar, dor de cabeça e aumento dos gânglios. Esses sintomas também podem desaparecer espontaneamente, criando novamente uma falsa sensação de cura.

Depois, a doença pode entrar em uma fase latente, na qual não existem sinais ou sintomas aparentes. A pessoa pode se sentir perfeitamente saudável e ainda assim permanecer infectada.

Quando não é diagnosticada e tratada, uma parcela das pessoas pode evoluir para sífilis terciária, que pode surgir muitos anos após a infecção inicial.

Nessa fase, a doença pode provocar comprometimentos graves, atingindo pele, ossos, sistema cardiovascular e sistema nervoso. Existem também manifestações neurológicas e oculares que podem ocorrer em diferentes fases da infecção e exigem investigação e tratamento específicos.

Esse comportamento mostra por que não devemos esperar necessariamente por sintomas para procurar o diagnóstico.

Quem teve relação sexual sem preservativo, recebeu a informação de que uma parceria sexual foi diagnosticada com uma IST ou acredita ter vivido uma situação de exposição deve procurar um serviço de saúde para avaliação.

O SUS oferece teste rápido para sífilis, com resultado em até 30 minutos. Dependendo do resultado e da situação clínica, são utilizados outros exames para complementar o diagnóstico e, posteriormente, acompanhar a resposta ao tratamento.

A boa notícia é que a sífilis tem tratamento e cura. A penicilina benzatina continua sendo o medicamento de escolha, e o número de aplicações depende da fase da doença. Depois do tratamento, o acompanhamento com exames também é importante para verificar a resposta adequada.

As parcerias sexuais precisam ser avaliadas e, quando indicado, tratadas. Caso contrário, existe o risco de reinfecção. Ter tido sífilis uma vez não produz uma proteção capaz de impedir uma nova infecção.

O preservativo continua sendo uma das principais formas de reduzir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção absoluta quando existem lesões em áreas que não ficam cobertas.

Há ainda uma razão para levar o diagnóstico especialmente a sério durante a gestação. A bactéria pode ser transmitida para o bebê e provocar aborto, prematuridade, natimortalidade, sífilis congênita e outras consequências graves. Por isso, a testagem durante o pré-natal e o tratamento adequado são fundamentais.

No Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, talvez a mensagem mais importante seja também uma das mais simples: não espere uma ferida permanecer para procurar ajuda . Na sífilis, o sinal pode desaparecer enquanto a infecção continua presente.

Reconhecer essa característica, fazer o teste diante de uma exposição de risco e tratar corretamente são medidas capazes não apenas de curar uma pessoa, mas também de impedir que a bactéria continue circulando.

*Artigo escrito por Dr. Alfredo Salim Helito, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e head nacional de Clínica Médica da Brazil Health - CRM/SP 43163 | RQE 132808

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