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Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 26 de outubro de 2026 às 18:05
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× "Cara-de-Barro", nova adição ao Universo DC no cinema, é uma anomalia. O filme de James Watkins se apresenta como história de terror, mas hesita em abraçar a intensidade do gênero. Precisa honrar suas origens dos gibis mas o faz de forma tímida para não espantar os não iniciados. Encontra seu Norte como thriller de vingança, mas não vai além da aventura genérica. Nunca empolga, mas ao menos não ofende.

Seu grande mérito, portanto, é abrir uma janela dentro do nicho das adaptações de HQs de super-heróis para outros gêneros. Após ter seu rosto retalhado por um chefão do crime, o ator Matt Hagen recupera seus traços ao se submeter a um tratamento genético experimental. A alegria de curar suas cicatrizes logo dá espaço ao terror profundo quando sua carne começa a derreter, moldando-se da forma que Hagen escolher.

A deformidade física, contudo, é reflexo de uma mudança ainda mais profunda e aterrorizante, uma fissura que corrói sua mente, seus limites morais e a linha que divide o certo e o errado. Essa dicotomia, observada desde clássicos como "Frankenstein" e "O Médico e o Monstro", guia a trama de "Cara-de Barro" e, ao menos em seus primeiros 40 minutos, funciona.

É neste primeiro trecho que se estabelece a tragédia de Matt Hagen. Sua perda da humanidade é inicialmente física, mas o ator britânico Tom Rhys Harries expande a dor do personagem quando ele se torna incapaz de ver a si próprio ao encarar sua imagem no espelho. Seu desespero sublinha as entrelinhas psicológicas e torna Hagen o arquétipo do monstro clássico.

Tom Rhys Harries em 'Cara-de-Barro' Imagem: Warner É compreensível que James Gunn, chefão da DC, tenha colocado "Cara-de-Barro" na frente da fila em seu universo de "deuses e monstros". O texto assinado por Mike Flanagan ("A Maldição da Residência Hill") é, ou ao menos aspira ser, legitimo exemplar do body horror, com rostos desfigurados e carne derretendo, alinhado ao estilo "filme B" que empolga Gunn.

A ambição que permeia a trama, contudo, jamais é executada a contento. Fosse Flanagam o diretor, alguém que combina talento narrativo com apuro visual, "Cara-de-Barro" teria elementos para florear este thriller de vingança tradicional. É um esqueleto dramático semelhante ao de "Darkman" de Sam Raimi, e até mesmo de "Mulher-Gato" - sim, aquela beleza de filme com Halle Berry.

Falta, contudo, personalidade à direção de James Watkins, que fez o remake ianque de "Não Fale o Mal". Ele flerta com o body horror, tão bem defendido no recente "A Substância", mas se resguarda a uma versão adolescente, inofensiva. As relações entre personagens são rasas, o visual é desinteressante, de cores mornas, e falta um clímax melhor acentuado.

Ainda existe, claro, o problema em fazer parte de um universo cinematográfico. Por mais que "Cara-de-Barro" busque se desassociar de seus colegas mais coloridos, o filme ainda é uma coleção de referências que mais atrapalham do que ajudam - é impossível uma história ser ambientada em Gotham City sem que a plateia espere ver o Batman correndo pelos telhados (spoiler: não é desta vez).

Essa corda bamba impede que "Cara-de-Barro" assuma sua vocação como filme de terror casca-grossa - até porque a versão mais grotesca do personagem já apareceu na série animada "Comando das Criaturas", solapando parte da surpresa. Vale lembrar que o vilão aparece nos gibis em diversas formas desde 1940, sendo sua versão mais popular - e principal inspiração do filme - a do desenho animado do Batman dos anos 1990.

"Cara-de-Barro" não arrisca mais do que o necessário e não foge das convenções do cinemão. É um investimento seguro, já que o orçamento pálido de US$ 30 milhões absorve um resultado financeiro desabonador - um problema de quem assina os cheques. Tem o mérito de ir além da fantasia e ficção científica tradicionais ao nicho, é empolgante na largada e insípido na chegada. "Cara-de-Barro" é a tradução cinematográfica de um picolé de chuchu.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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