Atualização: Para o Citi, Mercado Livre ficou barato demais na bolsa — e agora é hora de comprar
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Consulte formatos e valores disponíveisPara o Citi, Mercado Livre ficou barato demais na bolsa — e agora é hora de comprar Mesmo com preço-alvo menor, Citi vê oportunidade nas ações e aposta na expansão do e-commerce Mercado Livre: Citi eleva recomendação das ações após queda recente dos papéis. (Sarah Pabst/ Bloomberg via/Getty Images)
Priorizar nos meus resultados Google O Citi elevou a recomendação das ações do Mercado Livre (MELI) de "neutra" para "compra" nesta terça-feira, 27, ao avaliar que a recente desvalorização dos papéis tornou a companhia mais atraente. O banco estabeleceu um preço-alvo de US$ 2.050, com valorização de 22,8% sobre os US$ 1.668,72 de segunda-feira, 26.
A decisão veio mesmo com uma redução do preço-alvo anterior, de US$ 2.100. Para os analistas, as preocupações com a concorrência e os investimentos necessários para ampliar as operações já estão refletidas no valor das ações, enquanto a capacidade de crescimento da empresa continua sendo subestimada.
Embora suas estimativas para 2027 e 2028 permaneçam abaixo das projeções médias do mercado, o banco acredita que o Mercado Livre continuará crescendo mais rapidamente do que o consumo nos países onde atu a. Essa diferença sustenta a expectativa de novos ganhos de participação no comércio eletrônico.
O Brasil ocupa uma posição importante nas projeções do Citi. O banco estima que o valor bruto de mercadorias comercializadas pela plataforma, conhecido como GMV, avance cerca de 30% em 2027, mesmo em um ambiente de juros elevados e disputa intensa entre as empresas do setor.
Para o terceiro trimestre, os analistas reduziram, no entanto, a previsão de crescimento desse indicador de 37,5% para 36%, após dados de usuários ativos diários ficarem abaixo do esperado. A revisão não foi interpretada como uma mudança duradoura na trajetória da companhia.
"Não vemos isso como uma mudança nas perspectivas de crescimento estrutural", afirma o banco.
Na avaliação do Citi, o ritmo de expansão do Mercado Livre continuará sendo sustentado por sua capacidade de conquistar espaço em um mercado competitivo, sem depender apenas do aumento do consumo.
A concorrência é uma das principais questões acompanhadas pelo mercado, mas o Citi identifica um fator que pode limitar a expansão das plataformas rivais no Brasil. Com os juros elevados, empresas que precisam ampliar investimentos enfrentam custos maiores para financiar suas operações.
O relatório destaca a situação da Shopee, controlada pelo grupo Sea. Além do comércio eletrônico, sua controladora direciona recursos para outros negócios, incluindo infraestrutura de computação em nuvem. Essa divisão pode reduzir a capacidade da Shopee de acelerar seus gastos no mercado brasileiro.
O Citi considera que a continuidade dos ganhos de participação do Mercado Livre, acompanhada de uma redução das preocupações com a concorrência, pode contribuir para uma recuperação da avaliação das ações.
Apesar da perspectiva favorável para o comércio eletrônico, o negócio financeiro merece atenção. O Mercado Livre expandiu rapidamente sua carteira de crédito, aumentando a exposição a possíveis dificuldades de pagamento dos clientes.
A administração passou recentemente a adotar uma postura mais cautelosa na concessão de empréstimos pessoais com prazos mais longos. O banco considera que essa disciplina será importante para preservar a qualidade da carteira caso as condições econômicas piorem.
Uma deterioração do ciclo de crédito, especialmente diante de mudanças no ambiente econômico e político, poderia pressionar os resultados e o câmbio também entra nessa conta. Nas simulações do Citi, uma desvalorização de 10% do real frente ao dólar reduziria em 15% o lucro líquido estimado para 2027.
Há ainda o risco de que o Mercado Livre precise gastar mais do que o esperado para defender sua participação no comércio eletrônico. Nesse cenário, a margem operacional poderia ficar abaixo dos, aproximadamente, 7% projetados pelo banco para 2027.
A redução do preço-alvo de US$ 2.100 para US$ 2.050 reflete ajustes nas premissas financeiras utilizadas pelo Citi, e não uma mudança na avaliação sobre o potencial de crescimento de longo prazo da companhia.
O banco utiliza duas metodologias para estimar o valor das ações. Na primeira, que considera separadamente os negócios do grupo, a avaliação permaneceu em US$ 2.100 por papel.
Já no modelo de fluxo de caixa descontado, que calcula o valor presente dos recursos que a empresa poderá gerar nos próximos anos, a estimativa caiu de US$ 2.100 para US$ 2.000. A revisão incorpora um aumento de 0,3 ponto percentual no custo de capital próprio e projeções de lucro ligeiramente menores.
Como os dois métodos recebem pesos iguais, o resultado é o novo preço-alvo de US$ 2.050. O Citi também não espera uma melhora imediata das margens de lucro, já que a administração deve continuar priorizando investimentos e ganhos de participação de mercado.
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