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Atualização: O que está acontecendo na França? Protestos terminam em saques e 1.800 prisões

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 18 de outubro de 2026 às 14:11
Via Exame
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O que está acontecendo na França? Protestos terminam em saques e 1.800 prisões Manifestações contra o alto custo de vida terminaram em confrontos, incêndios e depredações em várias cidades; Trump associou a violência à imigração e pediu o fechamento das fronteiras. Rua coberta por escombros em Marselha, na França: país enfrenta onda de protestos contra o alto custo de vida, marcada por saques e incêndios (Thibaud MORITZ / AFP)

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 10h37 .

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre França Saiba mais A França amanheceu neste domingo, 18, com ruas destruídas, lojas saqueadas e carros incendiados após uma onda de protestos contra o alto custo de vida. Os distúrbios ocorreram em Paris e em outras cidades do país, como Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo, e resultaram em pelo menos 1.800 detenções , segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.

Os confrontos aumentaram a pressão sobre o presidente francês, Emmanuel Macron, que enfrenta uma série de manifestações sociais e estudantis. O governo prometeu identificar e punir os responsáveis pelos atos de vandalismo.

As manifestações foram convocadas sob o lema "Amarelos e Jovens", em referência ao movimento dos coletes amarelos, que mobilizou o país em 2018 e 2019 contra o aumento previsto de um imposto sobre combustíveis.

O protesto deste sábado, 17, reuniu entre 550 mil e 800 mil pessoas , segundo estimativas das autoridades francesas e da principal central sindical do país, a CGT, respectivamente.

A principal reivindicação é a alta do custo de vida, impulsionada, entre outros fatores, pelo encarecimento dos combustíveis e pela inflação. O movimento reuniu diferentes grupos, incluindo jovens, agricultores, professores, aposentados, ativistas climáticos e integrantes dos coletes amarelos.

Policiais patrulham diante de loja com vitrine quebrada em Lyon, na França: protestos contra o alto custo de vida terminam em saques e confrontos (JEFF PACHOUD / AFP)

Embora parte das manifestações tenha ocorrido pacificamente, grupos de jovens entraram em confronto com a polícia, incendiaram veículos e saquearam estabelecimentos comerciais.

Em Paris, lojas foram invadidas e vitrines destruídas. As autoridades também registraram danos em edifícios públicos e barricadas incendiadas. Na cidade de Limoges, no centro-oeste francês, um incêndio destruiu a prefeitura, um prédio histórico do século XIX.

Segundo a Federação de Comércio e Distribuição, pelo menos 1.500 estabelecimentos comerciais foram danificados em todo o país.

A violência também deixou feridos. De acordo com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, 150 policiais e gendarmes ficaram feridos . Em Saint-Étienne, um jovem de 17 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada lançada pelas forças de segurança.

Destroços de veículo incendiado diante da prefeitura de Limoges, na França: prédio histórico foi atingido por incêndio durante onda de violência após protestos contra o alto custo de vida (PASCAL LACHENAUD / AFP)

Pelo menos 1.800 pessoas foram detidas em todo o país, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Em Paris, a polícia registrou 855 detenções, um número recorde, de acordo com as autoridades.

Na capital, mais de 500 pessoas continuavam detidas neste domingo, incluindo 171 menores de idade, segundo a Promotoria local. Em Lyon, a terceira cidade mais populosa da França, foram registradas 160 detenções.

As autoridades afirmaram que as investigações continuam para identificar os responsáveis pelos atos de violência e levá-los à Justiça.

Prefeito de Nice, Eric Ciotti, passa diante de loja danificada na avenida Jean-Médecin: protestos contra o alto custo de vida provocaram saques e depredações na França (Valery HACHE / AFP)

Macron condenou os ataques e afirmou que os responsáveis pela destruição de edifícios públicos e estabelecimentos comerciais serão identificados e punidos.

O governo e a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, atribuíram a violência a grupos de extrema esquerda. O partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), que apoiou as mobilizações, negou responsabilidade pelos saques e criticou a atuação policial.

A vice-prefeita socialista de Paris, Lamia El Aaraje , por sua vez, acusou o partido de Le Pen de explorar as tensões para fortalecer suas ambições eleitorais.

A crise ocorre a seis meses das eleições presidenciais francesas, em um contexto de pressão sobre o governo e de disputa política em torno das reivindicações sociais.

Vitrine de loja destruída em Lyon, na França: onda de protestos contra o alto custo de vida termina em saques, incêndios e confrontos com a polícia (JEFF PACHOUD / AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, associou os distúrbios à imigração e pediu que o governo francês endureça as regras migratórias.

Em publicação na plataforma Truth Social neste domingo, 18, Trump afirmou que a França estava "em chamas" e atribuiu a violência à chegada de imigrantes. Ele também pediu o fechamento das fronteiras e a retomada do controle migratório pelo país.

As declarações foram feitas enquanto as autoridades francesas avaliavam os danos causados pelos confrontos e os trabalhos de limpeza avançavam nas áreas atingidas.

Inscrição contra a polícia em loja da Dior em Paris: protestos contra o alto custo de vida terminam em confrontos na França (Matthieu RONDEL / AFP)

Além dos danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos, a violência ameaça afetar a imagem do país como destino turístico.

Funcionários municipais limpam ruas de Paris após protestos contra o alto custo de vida: manifestações terminaram em saques, incêndios e confrontos na França (Matthieu RONDEL / AFP)

Em Paris, moradores e comerciantes relataram medo durante os confrontos. Na manhã deste domingo, ruas próximas à praça da République ainda apresentavam vestígios de gás lacrimogêneo, vitrines quebradas, lixo e veículos carbonizados.

O episódio também amplia a pressão política sobre Macron, que precisa lidar com as reivindicações relacionadas ao custo de vida e com os efeitos da violência em meio à preparação do orçamento francês de 2027.

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