Atualização: Irã ameaça atacar instalações de petróleo e de IA no Golfo se guerra for retomada
O alerta foi feito por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, em meio ao aumento das tensões na região e à possibilidade
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Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisDe acordo com informações da imprensa iraniana citadas pelo jornal britânico, Rezaei afirmou que Teerã prepara uma resposta mais ampla para o caso de novos ataques ordenados pelos governos de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu. "Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderão ser alvos. Se o conflito voltar a eclodir, teremos um plano mais amplo", declarou.
Ele acrescentou que a República Islâmica não aceitará um arranjo em que sua infraestrutura econômica seja atacada enquanto as estruturas que sustentam as operações de seus adversários permaneçam “intocáveis e imunes”.
A ameaça foi reforçada por Mehdi Mohammadi, assessor de Mohammad Ghalibaf, que liderou as negociações iranianas com Washington para encerrar o conflito anterior. Segundo Mohammadi, Trump e Netanyahu já concordaram, em princípio, com uma nova ofensiva, embora não possam garantir seu resultado.
"Vemos o próximo conflito como uma ameaça existencial. Uma terceira guerra em dois anos significa uma ameaça à nossa existência. Nossa estratégia é 'nenhuma linha vermelha'”, afirmou.
Mohammadi advertiu ainda que, em caso de uma nova guerra, o Irã pretende ampliar a duração e o alcance geográfico do conflito para além do previsto por seus adversários. Nesse caso, diz, a estratégia de Teerã será não estabelecer "nenhuma linha vermelha" para sua resposta.
As declarações das autoridades iranianas ocorrem em meio a relatos da imprensa americana de que assessores militares dos EUA elaboraram uma lista de alvos para uma possível ofensiva conjunta com Israel após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Entre os potenciais alvos estariam instalações de mísseis, estruturas petrolíferas e unidades nucleares iranianas.
Nos últimos quatro meses, entretanto, Trump recuou da decisão de voltar a atacar o Irã ao menos sete vezes, o que gera incerteza sobre a possibilidade de novas ofensivas.
A troca de ameaças, além disso, coincidiu com a realização de exercícios militares conjuntos prolongados pelos EUA e de Israel, incluindo simulações de operações sobre o Iraque. O site Axios informou que dezenas de aviões israelenses também voaram perto da fronteira iraniana no início desta semana.
Soma-se a isso o fato de Netanyahu ter se reunido na segunda-feira com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, em Israel para discutir o momento e os objetivos de uma possível ofensiva. Segundo relatos obtidos pelo Guardian, o premiê israelense teria manifestado preferência por uma situação em que o Irã atacasse primeiro.
Ainda conforme o Guardian, é esperado que um reforço da presença militar americana no Oriente Médio seja concluído até o início de novembro. De acordo com o jornal, Trump pretende posicionar três porta-aviões, milhares de fuzileiros navais, caças e forças de operações especiais na região.
A possibilidade de uma retomada das hostilidades também coincide com uma nova escalada de tensões no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte mundial de petróleo. Na quarta-feira (21), a Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter atingido quatro navios comerciais que tentavam atravessar a região, além de outras três embarcações que teriam colidido com minas.
O episódio contribuiu para elevar os preços do petróleo. O barril do Brent, referência global da commodity, era negociado acima de US$ 114 por barril por volta das 8h30 desta sexta-feira, próximo de máximas recentes.
Apesar da escalada das ameaças, os esforços diplomáticos continuam. Mediadores do Irã e do Paquistão voltaram a discutir nesta semana propostas para um cessar-fogo, incluindo a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados em troca do fim do bloqueio de Ormuz.
A permissão para que inspetores da ONU examinem instalações nucleares iranianas bombardeadas e a transferência do estoque de urânio altamente enriquecido do país para uma terceira nação também estão entre os pontos em discussão.
Teerã ofereceu encerrar o bloqueio do estreito em até sete dias e iniciar negociações sobre seu programa nuclear, mas condicionou essas medidas ao atendimento prévio de exigências, entre elas a suspensão das sanções americanas.
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