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a tragédia anunciada do Flamengo na Libertadores — Análise tática do Guffo

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 12:50
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a tragédia anunciada do Flamengo na Libertadores — Análise tática do Guffo
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Favorite o Lance! no Google Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance! Estudiantes' Uruguayan goalkeeper #16 Fernando Muslera (R) celebrates after stopping the penalty kick by Flamengo's midfielder #11 Lucas Paqueta during the Copa Libertadores semifinal second leg football match between Brazil's Flamengo and Argentina's Estudiantes de La Plata at the Maracana stadium in Rio de Janeiro, Brazil, on October 22, 2026. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP) O Flamengo foi eliminado da Libertadores do jeito que a semifinal inteira anunciou: sem gols, sem ousadia e sem repertório. O 0 a 0 no Maracanã, diante de 72.492 torcedores (aliás, belíssima festa da torcida rubro-negra), repetiu o placar de La Plata e levou a decisão para os pênaltis, onde o veterano Muslera virou o homem da noite ao defender as cobranças de Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique. O 3 a 2 nas penalidades conta a história do desfecho, mas a tragédia começou muito antes da marca da cal.

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O primeiro sinal veio na Argentina, onde o Flamengo passou os 90 minutos da ida sem acertar uma finalização sequer na direção do gol. Repare no mecanismo, porque ele se repetiu no Rio. O time de Leonardo Jardim circulava a bola no campo de ataque, mas sempre pelo entorno da área, sempre em cruzamentos contra a linha de cinco armada por Alexander Medina. O corredor interno, aquele espaço entre lateral e zagueiro que separa times grandes de times medianos, ficou intocado.

No Maracanã, o cenário ficou ainda mais constrangedor. O Estudiantes tomou a iniciativa nos primeiros minutos, venceu as segundas bolas e quase abriu o placar com Rojo, enquanto o Flamengo errava passes em sequência e ia para o intervalo, mais uma vez, sem chutar na direção do gol. Com um jogador a mais durante todo o segundo tempo, depois da expulsão de Baltasar Rodríguez, o time teve 45 minutos para resolver sua vida. Produziu uma finalização de Paquetá na trave e uma cabeçada de Plata em cima de Muslera.

A escassez de finalizações funciona como sintoma de um mal coletivo. Quando a bola chegava na área, não havia ocupação correta para aproveitar os cruzamentos. Quando o jogo pedia profundidade, não havia combinação para entrar por baixo. Arrascaeta entrou, Bruno Henrique entrou, Ayrton Lucas entrou, e a estrutura permaneceu a mesma: bola na faixa, bloqueio argentino na meia-lua, nada de infiltração. O Estudiantes, com menos talento individual, fez o simples com precisão e protegeu a área, bloqueou os chutes e esperou o erro rubro-negro.

Eis o contraste que dói no torcedor, pois um time com Pedro, Carrascal, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta não construiu, em 180 minutos, uma chance limpa de gol contra um adversário que se fechou. A preguiça tática, essa falta de ousadia para atacar o espaço, virou o retrato de uma semifinal tratada como formalidade. Parecia que os jogadores acreditavam que em qualquer momento a providência divina iria resolver por eles. A tragédia anunciada do Flamengo esteve nos 180 minutos em que o time se recusou a arriscar, muito mais do que nas cobranças desperdiçadas.

O Flamengo segue vivo na ponta da tabela, mas a pergunta que fica é se esse time sustenta a busca pelo título com o mesmo padrão. A resposta passa por uma mudança de chave, já que Leonardo Jardim precisa devolver ao time o jogo pelo corredor interno, a infiltração de quem não teme o erro e a finalização tratada como prioridade, e não como consequência. O elenco é o mais caro do país, a torcida lota o Maracanã e a pressão por resposta cresce a cada rodada. Sem essa virada, o mesmo mecanismo que eliminou o Flamengo na Libertadores vai cobrar caro nas rodadas decisivas do campeonato nacional.

E o risco é claro: não dá pro Flamengo repetir contra adversários fechados no Brasileirão o que fez contra o Estudiantes, e ver o título escapar por falta de ousadia, com um elenco que tem qualidade de sobra pra isso. A expectativa é de reação, porque o calendário ainda oferece a chance de salvar a temporada. Mas o torcedor rubro-negro já aprendeu a desconfiar e sabe que uma tragédia anunciada só se evita com atitude, e atitude, nessa semifinal, foi exatamente o que faltou. Se o time voltar a se esconder e jogar com preguiça, a temporada virará um ano perdido.

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