Atualização: Derretimento de geleira do 'juízo final' pode elevar nível do mar em até 3 centímetros
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisDerretimento de geleira do 'juízo final' pode elevar nível do mar em até 3 centímetros Pesquisa publicada na Nature Communications mostra que a infiltração de água do oceano sob o gelo pode acelerar o recuo da Thwaites, mesmo sem aquecimento climático adicional Cientistas identificaram que a entrada de água relativamente quente sob a camada de gelo aumenta o risco de desprendimento de uma elevação submarina que ajuda a estabilizar a região (NASA / OIB / Jeremy Harbeck/Divulgação)
Publicado em 18 de outubro de 2026 às 07h53 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Um estudo publicado na revista científica Nature Communications aponta que o derretimento da geleira Thwaites, na Antártida Ocidental, pode elevar o nível médio global do mar em até 3 centímetros até 2100. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Irvine, atribuíram a projeção à entrada de água oceânica quente sob o gelo. O cálculo não inclui aquecimento futuro.
O derretimento da geleira Thwaites , conhecida como "Geleira do Juízo Final", na Antártida Ocidental, pode provocar uma elevação do nível médio global do mar maior do que a estimada anteriormente. Um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications aponta que a perda de gelo na região pode contribuir com até 3 centímetros para a elevação dos oceanos até 2100, aproximadamente o dobro da média das projeções internacionais usadas como referência pelos pesquisadores.
A diferença está em um processo que ainda é pouco representado nos modelos científicos: a entrada de água relativamente quente do oceano sob a geleira, que intensifica o derretimento do gelo em contato com o fundo marinho e acelera seu recuo.
Para investigar esse fenômeno, pesquisadores da Universidade da Califórnia , em Irvine, desenvolveram um modelo computacional capaz de representar a infiltração da água por vários quilômetros sob o gelo. Ao comparar os resultados com observações realizadas entre 1996 e 2023, a equipe conseguiu reproduzir com maior precisão as mudanças registradas na espessura, na velocidade e na posição da geleira.
O resultado chama atenção porque as simulações consideraram a manutenção das condições climáticas médias observadas nas últimas três décadas, sem incorporar um aquecimento adicional do planeta até o fim do século.
Isso significa que os valores apresentados não representam necessariamente o impacto total que a geleira poderá ter sobre o nível do mar, mas uma estimativa de limite inferior sob as condições analisadas.
"Há décadas documentamos e quantificamos os impactos das mudanças climáticas sobre os mantos de gelo sensíveis do nosso planeta, mas a percepção crescente, nos últimos anos, do que está acontecendo na parte inferior de geleiras como a Thwaites está provocando uma sensação ainda maior de preocupação", afirmou Eric Rignot, coautor do estudo e professor de Ciências do Sistema Terrestre na Universidade da Califórnia, em Irvine.
A geleira Thwaites é uma das regiões monitoradas pelos cientistas devido ao potencial de sua perda de gelo contribuir para a elevação do nível dos oceanos . Apesar disso, ainda existem incertezas sobre a velocidade do seu recuo e a quantidade de gelo que poderá perder nas próximas décadas.
Desde meados da década de 1990, sua porção ocidental, onde o gelo se desloca mais rapidamente, recuou aproximadamente 25 quilômetros. Parte desse movimento é explicada pelo contato com a água do oceano, que provoca o derretimento da base da geleira.
O processo ocorre especialmente na chamada zona de aterramento, região de transição onde o gelo deixa de estar apoiado no fundo do mar e começa a flutuar. Nos modelos computacionais tradicionais, essa área costuma ser representada como uma fronteira estreita entre o gelo apoiado no leito marinho e a parte flutuante da geleira.
O problema é que observações por satélite indicam que essa transição pode se estender por vários quilômetros, permitindo que a água do mar avance sob o gelo e provoque derretimento em uma área maior do que a considerada em parte das simulações anteriores.
"Observações por satélite demonstram a existência de uma 'zona de aterramento', que às vezes tem vários quilômetros de largura, onde a água quente do oceano alcança regiões profundas sob os mantos de gelo e provoca um derretimento intenso", explicou Mattia Poinelli, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia, em comunicado.
Para corrigir essa limitação, os cientistas incorporaram ao modelo zonas de aterramento com diferentes extensões, permitindo simular como a infiltração da água influencia o comportamento da geleira.
Os resultados mostraram que representar essa dinâmica foi fundamental para reproduzir as alterações observadas na Thwaites ao longo de quase três décadas.
Além de acelerar o derretimento, a entrada de água do oceano pode influenciar a estabilidade de uma região da geleira que permanece parcialmente apoiada em uma elevação submarina.
Trata-se da Crista Mouginot, uma formação do fundo do mar que funciona como um ponto de sustentação para o gelo e contribui para limitar seu deslocamento.
Com o avanço do derretimento, a Thwaites pode perder contato com essa estrutura e recuar em direção a outra elevação submarina, conhecida como Crista Sul .
Nas simulações que consideraram zonas de aterramento entre quatro e seis quilômetros de largura, dimensão compatível com observações recentes por satélite, a probabilidade de desprendimento da Crista Mouginot chegou a aproximadamente 60% até 2100.
Nesse conjunto de cenários, a perda do ponto de apoio poderia ocorrer já em 2038.
A data, porém, não representa uma previsão definitiva. O resultado depende das condições consideradas no modelo e da evolução dos processos que determinam o comportamento da geleira.
Para os pesquisadores, o momento em que ocorre o desprendimento é relevante porque influencia a velocidade do recuo, a quantidade de gelo perdida e, consequentemente, a contribuição da Thwaites para a elevação do nível do mar .
A pesquisa também identificou diferenças nas projeções conforme a extensão da zona de aterramento representada no modelo.
Quanto maior a área considerada para a infiltração de água sob o gelo, maior foi a contribuição estimada da geleira para a elevação média global do nível do mar.
As simulações apresentaram os seguintes resultados:
No cenário com zona de aterramento de aproximadamente cinco quilômetros, os pesquisadores estimaram uma contribuição de 3,01 centímetros, com incerteza de 5,7 milímetros.
O valor é praticamente o dobro da média de 1,52 centímetro obtida pelo conjunto de modelos internacionais utilizados como referência no estudo.
A diferença sugere que a forma como os modelos representam o contato entre o oceano e a base das geleiras pode ter influência significativa nas estimativas de elevação do nível do mar.
Os autores, no entanto, destacam que as simulações não incorporam aumentos futuros de temperatura. Para os cálculos, foram mantidas as condições climáticas médias registradas entre 1996 e 2023.
Dessa forma, os resultados permitem avaliar especificamente os efeitos do derretimento na zona de aterramento, sem adicionar a influência de um aquecimento climático futuro.
Apesar do avanço na representação dos processos de derretimento, os pesquisadores reconhecem que o modelo ainda não contempla todos os fatores capazes de influenciar a evolução da geleira Thwaites.
Uma das limitações é a ausência de mudanças na posição da frente de gelo provocadas pelo desprendimento de grandes blocos, processo que também pode alterar a dinâmica da geleira .
A pesquisa utiliza ainda uma representação simplificada do derretimento causado pelo oceano, sem simular integralmente a circulação da água sob a plataforma de gelo.
Outro ponto de incerteza está na extensão da zona de aterramento. Nas simulações, sua largura foi mantida fixa, embora essa característica possa variar em função da topografia do fundo do mar, da inclinação do gelo, das marés e da pressão da água sob a geleira.
Essas limitações impedem que os resultados sejam interpretados como uma previsão definitiva do comportamento da Thwaites até 2100.
Para reduzir as incertezas, os pesquisadores defendem a realização de novas medições diretas da temperatura, da salinidade e da circulação da água sob o gelo.
Esses dados poderão ajudar a determinar com maior precisão como a água oceânica avança sob a geleira e de que maneira esse processo interfere na perda de gelo e nas projeções de elevação do nível do mar.
A geleira Thwaites pode contribuir com até 3,01 centímetros para a elevação média global do nível do mar até 2100, segundo o estudo publicado na Nature Communications. O valor considera uma zona de aterramento de aproximadamente cinco quilômetros e tem incerteza de 5,7 milímetros.
A água oceânica relativamente quente avança por vários quilômetros sob a geleira Thwaites e derrete o gelo em contato com o fundo marinho. Segundo Mattia Poinelli, principal autor do estudo, esse processo ocorre na zona de aterramento e pode provocar derretimento intenso.
A nova projeção inclui a infiltração de água oceânica em uma zona de aterramento mais extensa, processo ainda pouco representado nos modelos científicos. A estimativa de 3,01 centímetros é quase o dobro da média de 1,52 centímetro dos modelos internacionais usados como referência no estudo.
A geleira Thwaites pode perder contato com a Crista Mouginot já em 2038 nos cenários analisados pelos pesquisadores. A data não é uma previsão definitiva, e as simulações com zonas de aterramento entre quatro e seis quilômetros indicaram probabilidade de desprendimento de aproximadamente 60% até 2100.
Não, o estudo mantém as condições climáticas médias observadas entre 1996 e 2023 e não incorpora aumentos futuros de temperatura. Por isso, os pesquisadores tratam os resultados como uma estimativa de limite inferior sob as condições analisadas.
O modelo não inclui mudanças na frente de gelo causadas pelo desprendimento de grandes blocos e simplifica a circulação da água sob a plataforma. Os pesquisadores também mantiveram fixa a largura da zona de aterramento, embora ela possa variar conforme as marés, a topografia e a pressão da água.
Medidas incluem apoio militar, R$ 14 milhões para ações emergenciais e uma base da Força Nacional do SUS em Manaus
Concentração de partículas chegou a 80,9 vezes a referência anual da OMS; autoridades investigam a origem dos incêndios
Previsão aponta 83% de chance de intensidade histórica entre outubro e dezembro; no Brasil, efeitos esperados variam entre as regiões
Monitoramento por satélite indica diminuição da área desmatada entre agosto de 2025 e julho de 2026, mas crise ambiental de outubro evidencia desafios que vão além da derrubada da floresta
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Atualização: Prêmio de R$ 170 milhões da mega-sena entra no top 10 da história; veja ranking
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Região: Como a venda de ativos estratégicos da Petrobras pesa no bolso dos brasileiros
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
o relato de uma empresária que já aplica jornadas de 4 ou 5 dias — Menos cansaço, mais lucro
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.



