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o relato de uma empresária que já aplica jornadas de 4 ou 5 dias — Menos cansaço, mais lucro

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por CartaCapital 18 de outubro de 2026 às 11:00
Via CartaCapital
o relato de uma empresária que já aplica jornadas de 4 ou 5 dias — Menos cansaço, mais lucro
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Menos cansaço, mais lucro: o relato de uma empresária que já aplica jornadas de 4 ou 5 dias Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, rechaça alegações de prejuízo à economia e afirma que escala 6×1 ‘é análoga à escravidão’

Desde que o Congresso Nacional aprovou o fim da escala 6×1, a empresária Isabela Raposeiras tem usado sua influência nas redes sociais para rebater argumentos contrários à mudança. Críticos da alteração na jornada de trabalho associam a medida a prejuízos para diversos setores do País, como varejo, comércio, bares e restaurantes.

Promulgada na última sexta-feira 16, a emenda prevê reduzir o limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas, assegurando dois dias de descanso remunerado por semana, sem corte salarial. A execução será gradual: o teto cai para 42 horas após 60 dias da publicação e chega a 40 horas depois de um ano.

Dona do Coffee Lab — espaço em São Paulo que conta com cafeteria, escola de baristas, laboratório de torra e degustação de cafés especiais —, Raposeiras nunca adotou o modelo de seis dias de trabalho para um de folga. “Nunca me permiti isso. A escala 6×1 é análoga à escravidão. Não existe abusar do trabalhador para ganhar dinheiro”, afirmou em entrevista a CartaCapital.

Dos 30 funcionários que sustentam a operação de seu negócio, fundado em 2004, dez operam sob a escala 5×2, com folgas aos fins de semana. Nas cafeterias e na escola, que abrem todos os dias, 20 trabalhadores estão no modelo 4×3 (quatro dias trabalhados e três folgas rotativas).

O Coffe Lab tem uma unidade na Vila Madalena e outra em Pinheiros, na zona oeste da capital. Créditos: Divulgação

Raposeiras, que também presta consultoria a empresas interessadas em modificar suas jornadas, destaca os resultados práticos dessa mudança: uma padaria de São Paulo que adotou o modelo 4×3 sob sua orientação estima um aumento mínimo de 30% no faturamento e de 15% na lucratividade, reflexo direto do maior tempo de descanso da equipe, segundo ela.

“A partir do momento em que os trabalhadores têm mais tempo para viver fora do trabalho e conviver com familiares e amigos, eles ficam mais produtivos, justamente por não ficarem sobrecarregados com um acúmulo de dias trabalhados” , afirma. “Isso enriquece as relações no próprio trabalho. O funcionário passa a atender melhor, principalmente em setores que lidam diretamente com o público final, como comércios e restaurantes.”

Para a consultora, a mudança na jornada é viável independentemente do tamanho do negócio e pode otimizar operações frequentemente marcadas por ineficiência, além de reduzir custos. “Às vezes o empresário tem até excesso de funcionários para manter a escala 6×1 e, mesmo assim, não consegue conter faltas, rotatividade e processos rescisórios, porque as pessoas estão cansadas. E isso quebra uma empresa, porque o custo é muito alto”, atesta. “Posso colocar a mão no fogo que a empresa está ineficiente. Pouquíssimas não estão.”

Como orientação, a empresária sugere que a mudança comece por uma imersão direta dos gestores ou donos na operação. “Primeira coisa: vá para o chão de fábrica, entre na sua operação. Será necessário rever processos, fazer checklist . Colocar uniforme, mesmo, montar parafuso, atender ao cliente no balcão. Só assim o proprietário será capaz de entender os gargalos operacionais do negócio.”

Raposeiras também critica o discurso de que o Brasil corre o risco de “quebrar” com a nova jornada. “A minoria da população está sob escala 6×1 hoje. E é uma minoria mais vulnerável. Então, esse discurso vem de setores acostumados a escravizar pessoas.”

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, cerca de 14,8 milhões de brasileiros operam na escala 6×1, o que representa aproximadamente 33,2% dos trabalhadores ocupados no País com contratos em regime de 44 horas semanais.

“No fim é um papo de cuidar do capital humano que mantém as empresas operando”, resume. “Acho engraçado que as pessoas colocam na lista de ativos das empresas os maquinários, mas não as pessoas. A própria economia considera a mão de obra como despesa, em uma total inversão. Nós, empresários, precisamos nutrir melhores relações com os trabalhadores.”

Ana Luiza Basilio Repórter do site de CartaCapital

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