URGENTE
Voltar para a página inicial

Atualização: Como os Fundadores de Startups Temem e Dependem da Anthropic

Empresas frequentemente andam na corda bamba, temendo que a gigante do setor dite os termos de contratos na casa dos milhões de dólares e possa invadir seus mer

Por Redatores da Empire Cidades 2 de novembro de 2026 às 16:48
90.712 visualizações
Atualização: Como os Fundadores de Startups Temem e Dependem da Anthropic
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Em 2025, quando a startup de IA Spellbook assinou um acordo de longo prazo com a Anthropic para usar seus modelos na revisão de contratos jurídicos, o CEO Scott Stevenson não estava preocupado com a possibilidade de a parceira de tecnologia “roubar sua fatia de mercado”. Ele lembra que os funcionários da Anthropic lhe disseram explicitamente que não viam a corporação competindo diretamente com a Spellbook na área jurídica.

Um ano depois, o executivo foi pego de surpresa quando a companhia o informou sobre o lançamento do Claude for Legal. A ferramenta, voltada para escritórios de advocacia, possui dezenas de funcionalidades que vão desde a revisão de documentos e checagem de citações até o monitoramento de mudanças regulatórias — muitas das quais se sobrepõem aos serviços da própria Spellbook.

Isso tornou a situação “um pouco constrangedora”, afirma Stevenson. A partir daí, ele decidiu ser mais cauteloso ao compartilhar dados e roteiros de desenvolvimento de produtos ( roadmaps ) com a gigante de IA.

“A Anthropic tem sido uma excelente parceira, mas o episódio nos fez perceber que eles são uma organização gigantesca e que duas áreas da empresa podem ter diretrizes conflitantes”, diz ele. “No fim das contas, isso é inevitável.” Até recentemente, a Spellbook utilizava o Claude para realizar mais de 500 mil revisões mensais de contratos, mas agora transferiu grande parte de seus investimentos para a OpenAI.

A Spellbook está longe de ser a única companhia lidando com uma relação delicada com a Anthropic. Uma vasta parcela de startups depende da corporação para acessar modelos de ponta, amplamente considerados entre os melhores da indústria.

Contudo, o domínio e a expansão agressiva da Anthropic fizeram com que alguns de seus clientes sentissem que estão pisando em ovos. A qualquer momento, a desenvolvedora de IA poderia treinar seus sistemas para competir diretamente com os produtos dessas startups.

O fundador de uma empresa iniciante comparou a dinâmica à forma como a Amazon começou a prejudicar seus fornecedores e a fabricar seus próprios produtos concorrentes por meio da linha Amazon Basics. “É como se, sim, por um tempo você pudesse vender na Amazon, mas depois a própria plataforma também começasse a comercializar uma versão do seu produto”, exemplifica. A Anthropic não quis comentar.

Essa dinâmica ocorreu de forma bastante pública com a gigante de design Figma, que depende dos modelos da Anthropic, entre outros, para alimentar seus recursos de inteligência artificial.

Em abril, dias após o diretor de produtos da Anthropic, Mike Krieger, renunciar abruptamente ao conselho da Figma, a desenvolvedora de IA lançou o Claude Design, um rival direto do software de design capaz de gerar e editar layouts.

Em um evento para usuários poucos dias após o lançamento, o CEO da Figma, Dylan Field, disse aos participantes que a Anthropic não foi “consistentemente franca em suas comunicações”, conforme relatou a Upstarts Media — ecoando a frase usada durante a breve e notória destituição do CEO da OpenAI, Sam Altman. Ao ser questionado sobre o Claude Design em um podcast, Field afirmou que “é fácil confundir o avanço dos modelos com o avanço do design”. (A Figma se recusou a comentar).

Essas tensões apenas aumentaram à medida que a posição de mercado da Anthropic se tornou mais dominante. Seus sistemas têm superado regularmente os da OpenAI na vanguarda tecnológica, e os números de crescimento da companhia comprovam isso.

A empresa agora ostenta 300 mil clientes corporativos e uma taxa de retenção de receita líquida de 900%, segundo revelado em seu recente formulário S-1 (documento pré-IPO). Mais de 11.900 compradores gastam anualmente acima de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 510 mil).

A organização relatou US$ 16,3 bilhões (cerca de R$ 83,13 bilhões) em receita no primeiro semestre de 2026, com US$ 693 milhões (aproximadamente R$ 3,53 bilhões) em perdas operacionais. Relatórios apontam que a companhia busca um valor de mercado ( valuation ) entre US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,65 trilhões) e US$ 2 trilhões (aproximadamente R$ 10,2 trilhões) em sua oferta pública inicial (IPO) no final deste mês.

Devido ao seu poderio, a Anthropic frequentemente dita as regras nas negociações com negócios menores. Embora a desenvolvedora tenha reduzido os preços recentemente, seus modelos continuam extremamente caros.

“Se construirmos nossa operação focados apenas nos modelos da Anthropic, nunca conseguiremos gerar lucro”, declara o CEO de uma startup de segurança focada em IA.

Alguns fundadores relataram à Forbes que a gigante não é flexível em relação a precificação e descontos por volume, o que dificulta o relacionamento comercial. Uma startup que gastava milhões nos produtos da empresa cancelou totalmente seus contratos ( churn ) porque o custo do Claude era inviável. Atualmente, a companhia migrou para os sistemas da chinesa DeepSeek.

Em outubro, a Anthropic expandiu seu programa Claude Startups, adicionando benefícios como um ano gratuito do plano corporativo e até US$ 45 mil (cerca de R$ 229,5 mil) em descontos oferecidos para desenvolvedores que utilizam sua tecnologia.

Muitas organizações estão começando a reduzir seus gastos com modelos de ponta em favor de opções open-weight (de pesos abertos) mais baratas, que podem ser baixadas gratuitamente e ajustadas de forma livre. “O pêndulo balançou… E agora existe um sentimento anti-Anthropic muito profundo no mercado”, disse George Hu, presidente da Fireworks, que permite às startups criarem seus próprios softwares utilizando essa abordagem de código aberto, em entrevista em agosto.

“Um dos CIOs de uma grande corporação [me disse]: ‘Não estamos muito animados com a ideia de basicamente financiar mansões para todos os executivos da Anthropic em Atherton’.”

A relutância da desenvolvedora em negociar é compreensível. À medida que avança a passos largos para o que pode ser o maior IPO da história do mercado de ações, a companhia vem sofrendo intensa pressão para provar que pode gerar faturamento suficiente para justificar a montanha de dinheiro arrecadada até o momento — US$ 130 bilhões (cerca de R$ 663 bilhões) — e os valores exorbitantes que consome com processamento computacional.

Nem mesmo a abertura de capital e a receita em rápido crescimento podem ser suficientes para honrar essas obrigações: a Anthropic tem o compromisso de investir US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,1 trilhões) em infraestrutura tecnológica nos próximos 20 anos.

“Eles realmente não têm se mostrado dispostos a ceder muito nos preços”, aponta um executivo do setor. “Eu também não estaria se estivesse no lugar deles, porque a oferta está limitada no momento… Então, por que fariam um esforço descomunal para baratear serviços e corroer suas margens, especialmente às vésperas de abrir o capital?” A Anthropic também não hesitou em causar atritos em sua jornada até o IPO. Em fevereiro, a companhia se recusou a remover travas de segurança em seu contrato com o Departamento de Defesa, que proibiam os militares de usarem o Claude para armas letais autônomas e vigilância doméstica em massa. Como retaliação, o Pentágono colocou a empresa em uma lista restrita, classificando-a como um “risco para a cadeia de suprimentos”.

Após a desenvolvedora processar o governo, um juiz decidiu em grande parte a seu favor, chamando a punição do Pentágono de “ilegal e infundada”. No entanto, um tribunal de apelações manteve a classificação oficial. Hoje, contratos governamentais representam apenas 1% do faturamento da Anthropic.

A comunidade de tecnologia em geral aplaudiu a desenvolvedora por enfrentar o governo, mas a empresa foi duramente criticada por sua postura contrária à IA de pesos abertos.

Quando as autoridades americanas cogitaram banir os sistemas chineses open-weight nos EUA, em julho, a Anthropic foi a única grande empresa do segmento que não assinou uma carta conjunta do setor defendendo esse tipo de arquitetura.

“Toda a indústria (com exceção da Anthropic) se manifestou a favor da IA de código aberto”, escreveu David Sacks, investidor de risco e conselheiro da Casa Branca, no X (antigo Twitter). “Eles não vão descansar até paralisarem o movimento de open source.”

A Anthropic declarou que nunca defendeu uma proibição generalizada das tecnologias de pesos abertos, argumentando apenas que elas carecem de controles de segurança adequados e podem ser mal utilizadas em ataques cibernéticos ou biológicos.

O investidor Bill Gurley rebateu afirmando que o foco da companhia em excesso de regulamentação é uma forma de “captura regulatória”, estratégia que tornaria mais difícil para o modelo de código aberto competir no mercado.

Líderes do setor, como o ex-diretor de tecnologia da Meta, Mike Schroepfer, também criticaram os alertas existenciais do CEO da Anthropic, Dario Amodei. Para Schroepfer, essas declarações são alarmistas, alimentando pânicos que desviam a atenção do público de danos concretos, ao mesmo tempo que favorecem os próprios interesses comerciais de Amodei.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, rejeitou categoricamente as previsões dos pesquisadores da Anthropic de que haveria mais de 10% de chance de as máquinas causarem a extinção humana na próxima década, rotulando isso como uma “narrativa do fim do mundo”.

No dia a dia operacional, os fundadores têm queixas mais práticas. Existem opções muito limitadas para as empresas incorporarem seus próprios aplicativos dentro do ecossistema do Claude, observa outro empresário do setor. Por exemplo, os usuários não conseguem gerar imagens e vídeos utilizando o software de terceiros diretamente na interface da plataforma — algo perfeitamente viável no ChatGPT.

A Anthropic permite a conexão de sistemas por meio de um protocolo próprio chamado MCP, que viabiliza a integração de assistentes virtuais com ferramentas externas. Contudo, críticos afirmam que essa tecnologia “beneficia desproporcionalmente os grandes laboratórios”, pois incentiva as startups a entregarem seus dados sem exigir o compartilhamento de informações em troca.

“No momento, a Anthropic tem a reputação de ser excelente no treinamento para as tarefas complexas que valorizamos”, relata o fundador. “Apesar disso, eles têm sido consideravelmente restritivos sobre o que se pode ou não fazer com a sua infraestrutura.”

As startups podem obter melhores condições caso se comprometam financeiramente com contratos de seis a doze meses. Esses acordos incluem acesso privilegiado às equipes de pós-treinamento da companhia, fundamentais para solucionar gargalos técnicos de implementação.

“A impressão é que eles queriam que usássemos exclusivamente as soluções da Anthropic em nossas operações”, ressalta um executivo da área de IA jurídica.

Diante desse cenário, o mercado está percebendo os graves riscos da dependência tecnológica. A Anthropic ficou conhecida por bloquear o acesso aos seus serviços de forma abrupta. Em junho de 2025, a empresa cortou o acesso da Windsurf, uma startup de codificação, com menos de cinco dias de aviso prévio após surgirem rumores de que a OpenAI estava em negociações para comprá-la por US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,3 bilhões).

Na época, o cofundador da Anthropic justificou que seria “no mínimo estranho fornecer o Claude para a OpenAI”. (O Google acabou contratando os fundadores da Windsurf, enquanto a Cognition comprou o restante dos ativos).

Outros participantes do mercado adotaram medidas ainda mais radicais. A Cursor, uma das maiores clientes da Anthropic no segmento de codificação automatizada, treinou seu próprio modelo de inteligência artificial para reduzir a dependência de fornecedores externos. A decisão ocorreu após clientes começarem a cancelar suas assinaturas da Cursor em favor do imensamente popular Claude Code, de acordo com levantamentos da Forbes.

“Hoje, todos estão se certificando de construir operações que não sejam facilmente engolidas pela Anthropic ou pela OpenAI”, conclui Stevenson.

Adicione a Forbes como fonte preferida no Google e encontre nossas notícias com mais facilidade.

#Brasil#Internacional#Economia#Negócios
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas