Ao menos 167 pessoas foram presas em protestos na Albânia, diz autoridades policiais
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Consulte formatos e valores disponíveisPelo menos 167 pessoas foram presas nos protestos da Albânia neste sábado (17), informou o chefe de polícia do país, Skender Hita.
A polícia disparou o que pareciam ser balas de borracha contra manifestantes, no quinto dia de protestos estudantis em massa que exigem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.
Imagens de vídeo da Reuters mostraram a polícia disparando uma espingarda contra multidões em frente ao Ministério da Educação durante confrontos com manifestantes. Repórteres da Reuters encontraram projéteis de borracha no chão; alguns desses projéteis atingiram dois jornalistas da Reuters e vários manifestantes, deixando marcas circulares.
Premiê da Albânia diz que há "mãos estrangeiras" por trás de protestos Milhares protestam na Albânia e exigem renúncia do primeiro-ministro Manifestantes disparam fogos de artifício contra a polícia na Albânia A ocorrência marca uma escalada no confronto entre a polícia e os manifestantes, que tomou conta do centro de Tirana nos últimos dias. Manifestantes incendiaram prédios governamentais e bancos, além de atirar pedras contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d'água.
Hita, não negou o uso de balas de borracha ao ser questionado sobre o assunto em uma coletiva de imprensa no sábado.
"Todos os meios utilizados foram empregados de forma limitada, incluindo os mais recentes", afirmou.
Hita informou que sete policiais foram suspensos e estão respondendo a investigações disciplinares por "excesso de autoridade" e "falha em respeitar o princípio da proporcionalidade" na condução da situação com os manifestantes. Ele não especificou quais incidentes levaram às suspensões.
As manifestações foram impulsionadas pela indignação com a suposta corrupção no governo, a falta de empregos e a baixa qualidade do ensino. O movimento também recebeu apoio de pessoas que se sentiram ignoradas durante um verão marcado por protestos, em sua maioria pacíficos, contra um empreendimento de luxo no litoral, apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
A agitação representa o maior desafio enfrentado até agora por Rama, que no ano passado conquistou seu quarto mandato.
"São 13 anos de corrupção, 13 anos sem fazer nada e apenas promessas vazias. O copo transbordou, e estamos aqui pelos nossos direitos", disse Juri Taullahu, um estudante de medicina de 22 anos, no sábado.
A polícia e o governo condenaram os distúrbios e pediram calma.
Hita informou que 1.067 pessoas foram detidas e 388 enfrentam processos criminais. Dezenas de policiais e manifestantes ficaram feridos. Empreendimento apoiado por Kushner provocou protestos durante o verão.
A administração de Rama tem sido marcada por escândalos de corrupção; ao mesmo tempo, analistas afirmam que a Albânia se tornou um polo para grupos criminosos que buscam lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas, o que complica os esforços do país para ingressar na União Europeia.
Em julho, moradores locais relataram à Reuters que suas terras foram vendidas indevidamente para um empreendimento — que conta com o apoio de Kushner — situado em um trecho intocado da costa, no sul da Albânia. Posteriormente, a Reuters informou que o indivíduo responsável pela venda das terras era procurado pelo Ministério Público sob suspeita de tráfico de drogas — acusações que seu advogado negou.
A Reuters não encontrou evidências de irregularidades por parte de Kushner, que não está diretamente envolvido na disputa dos moradores.
Rama, que nega qualquer irregularidade e declarou à Reuters, esta semana, que não renunciará ao cargo, afirmou no sábado que seu governo respeita os estudantes e o direito deles de protestar.
"Minha responsabilidade torna-se ainda mais clara nestes tempos difíceis... proteger nossos cidadãos, garantir a justiça e fazer a Albânia avançar — junto a esta maioria governista, que possui um mandato muito claro: ver a Albânia integrada à União Europeia até 2030", escreveu ele no Facebook.
Ao lado de Montenegro, a Albânia lidera o processo de adesão à União Europeia entre os países dos Bálcãs.
A instabilidade na Albânia coincide com o aumento de protestos de rua em outras partes da Europa.
Na França, manifestações estudantis — que exigiam mais professores e melhores instalações — transformaram-se em uma onda mais ampla de agitação social.
Na Espanha, protestos contra o alto valor dos aluguéis e a escassez de moradias levaram o governo a convocar eleições antecipadas.
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