a empresa de R$ 30 bi por mês que ninguém vê, mas quase todo mundo usa — QI Tech
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Consulte formatos e valores disponíveisQuem abre uma conta no aplicativo da Vivo vê a marca da operadora de telefonia e internet. Já uma academia financiada pela Wellhub se relaciona com a plataforma de bem-estar. Por trás desses serviços, a infraestrutura financeira pode ser da mesma empresa: a QI Tech, que fornece tecnologia e operação regulada para outras companhias criarem produtos financeiros.
No caso da Vivo, a QI Tech permite oferecer conta, transferências, pagamentos e cartões com a identidade da operadora. Na Wellhub, processa operações de crédito destinadas às academias. São duas formas de atuar em um mercado no qual o consumidor conhece a marca que o atende, mas nem sempre a instituição que sustenta a transação.
Avaliada em cerca de US$ 2 bilhões, a QI Tech movimenta aproximadamente R$ 30 bilhões por mês em pagamentos e transações. Esse volume, porém, não revela sozinho onde está o maior valor do negócio. Para Pedro Mac Dowell, fundador e CEO, a infraestrutura para empréstimos e financiamentos é a principal frente: representa cerca de 45% da operação.
“PIX é commodity, pagamento é commodity”, diz Mac Dowell, em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do Do Zero ao Topo, do InfoMoney. Na avaliação dele, o crédito exige uma estrutura que entrega mais valor ao cliente do que o processamento de uma transferência.
O financiamento das academias pela Wellhub ajuda a mostrar como funciona o negócio de infraestrutura financeira. A plataforma coloca recursos em um fundo e contrata a QI Tech para processar os empréstimos. A instituição formaliza a operação por meio de uma cédula de crédito bancário, desembolsa o dinheiro e depois cede o crédito ao fundo.
Assim, a empresa que quer financiar seus parceiros usa uma estrutura já montada para executar a operação. A QI Tech cuida da tecnologia, da infraestrutura e da parte regulatória. Ao cliente cabe escolher para quem quer emprestar e definir o risco que pretende assumir.
“Nós pilotamos a parte regulatória, a parte de infraestrutura, a parte de tecnologia e o cliente pilota o risco que vai escolher e para quem quer fazer ou não o empréstimo”, diz Mac Dowell.
Segundo ele, a companhia emite e processa de R$ 9 bilhões a R$ 12 bilhões em crédito por mês, com operações automatizadas. Desde o início de sua existência, acumula mais de R$ 100 bilhões em créditos emitidos. No Pix, o volume acumulado supera R$ 490 bilhões. Já os recursos sob administração chegam a R$ 180 bilhões.
A QI Tech organiza a operação em quatro unidades. A primeira faz identificação de clientes e prevenção a fraudes: verifica documentos, cruza informações e ajuda a confirmar quem está tentando abrir uma conta ou contratar um serviço. Segundo o fundador, essa atividade representa cerca de 10% do negócio.
A segunda é o banking as a service, nome usado pela companhia para a infraestrutura de pagamentos e transações. É a frente que permite a uma marca oferecer contas, transferências e cartões. Ela responde por aproximadamente 20% da operação e movimenta os cerca de R$ 30 bilhões mensais citados pelo executivo.
A terceira é a infraestrutura de crédito, responsável pelos 45%. Por fim, a quarta unidade oferece serviços de administração e custódia de fundos, com foco em crédito, incluindo fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs.
Essa última etapa ganhou escala com a compra de uma empresa de administração e custódia que, segundo Mac Dowell, tinha cerca de R$ 80 bilhões sob seus cuidados na época da aquisição. O negócio exigiu aproximadamente R$ 800 milhões e acrescentou serviços à cadeia que a QI Tech já atendia.
O objetivo é que uma companhia encontre no mesmo fornecedor as etapas necessárias a um produto financeiro: identificar o cliente, processar pagamentos, formalizar a dívida e manter o crédito em um fundo. Dessa maneira, a QI Tech amplia a atuação dentro de cada operação contratada.
Criada no fim de 2018, a QI Tech começou atendendo bancos e gestoras. Os clientes usavam uma plataforma para informar dados do tomador, valor, taxa e prazo. A partir daí, o sistema gerava os documentos, recebia a assinatura, liquidava a operação e fazia a cessão do crédito.
Em 2020, as fintechs ampliaram o mercado. Para atendê-las, a QI Tech usou APIs, conexões que permitem a troca automatizada de informações entre os sistemas das empresas. Com isso, esses clientes puderam integrar suas operações à QI Tech sem preencher manualmente uma plataforma a cada contratação.
Para Mac Dowell, a decisão de construir, desde o início, tecnologia própria para sua infraestrutura financeira foi determinante para essa mudança. A arquitetura precisava atender clientes que movimentavam informações em alta frequência. Depois dos bancos, gestoras e fintechs, vieram as grandes empresas interessadas em incorporar serviços financeiros às suas atividades.
A marca que o consumidor vê continua sendo a do contratante. “Como a Vivo não é uma instituição financeira, não é um banco, ela precisa ter alguém por trás. Então, estamos por trás desses caras”, explica o fundador.
O aumento dos valores em trânsito trouxe outro desafio: proteger o dinheiro e os sistemas. Parte dos recursos captados com o GIC, em 2021, foi usada na aquisição de competências em identificação de clientes e prevenção a fraudes.
“Eu falava: cara, tem R$ 550 milhões aqui, se sumir como é que eu pago isso?”, lembra Mac Dowell. A preocupação apareceu quando a operação ainda era menor e ajudou a orientar os investimentos em segurança.
Em entrevista gravada em 2026, o executivo projeta faturamento de R$ 2 bilhões para o ano. Ele também relata crescimento superior a 50% e margem Ebitda acima de 50%. Ao mesmo tempo, a companhia desenvolve infraestrutura para financiar veículos e avalia entrar em seguros.
A abertura de capital, numa oferta pública inicial de ações (IPO), está no horizonte de 2027 a 2028, mas depende das condições de mercado e da preparação da empresa. Mac Dowell reconhece que uma companhia listada precisa seguir processos mais rígidos, o que exige adaptação da cultura de uma fintech.
Enquanto prepara a possibilidade do IPO, ele mantém a expansão dos produtos como prioridade. “Eu penso muito pouco no final, mas penso muito em como chegar”, afirma.
Para saber mais detalhes sobre a QI Tech, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.
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