Voltar para a página inicial

uma resposta para a semana mais incerta do ano — Como doar quando ninguém sabe o que vem

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 00:45
0 visualizações
uma resposta para a semana mais incerta do ano — Como doar quando ninguém sabe o que vem
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Como doar quando ninguém sabe o que vem: uma resposta para a semana mais incerta do ano Especialista americana Anna Muoio, criadora de novo modelo de financiamento filantrópico, defende não adiar decisões e apostar no longo prazo Anna Muoio, professora visitante em Harvard e Yale: medo do imprevisível trava recursos.

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 21h22 .

Última atualização em 22 de outubro de 2026 às 21h37 .

Priorizar nos meus resultados Google "Precisamos falar de incerteza, sobretudo em salas como esta, porque acreditamos que somos capazes de eliminá-la."

Foi com essa afirmação que a estrategista americana Anna Muoio abriu sua palestra no Filantropando , encontro anual promovido em São Paulo pelo Instituto Beja com curadoria do Instituto Toriba, que aconteceu nesta quarta-feira, 21.

A frase foi pensada para a filantropia dos Estados Unidos, mas descreve também o Brasil desta semana, uma das mais incertas da história recente do país.

No domingo, 25, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o segundo turno da eleição presidencial.

No primeiro turno, ficaram separados por menos de dois pontos percentuais, com 47,03% e 45,16% dos votos válidos, respectivamente.

Desde então, as pesquisas mostram os dois candidatos empatados dentro da margem de erro, sem favorito claro.

Para quem decide onde aplicar recursos sociais , a reação mais comum diante de um cenário assim é esperar.

É justamente essa postura que Muoio pede para rever. Para a criadora do Pando funding, o desafio menos visível da filantropia, e não só dela, está na "nossa incapacidade, como seres humanos, de sustentar a incerteza".

Anna esteve no Brasil a convite da filantropa Cristiane Sultani, fundadora do Instituto Beja.

Desde 2020, a americana, que já foi professora convidada na Yale SOM, na Harvard Kennedy School e na Harvard Graduate School of Education, conduz o New Capitalism Project , rede de líderes, organizações e financiadores dedicada a repensar o capitalismo.

Para explicar por que a filantropia trava diante do imprevisível, a estrategista recorre ao filósofo austríaco Karl Popper , que separava os problemas em dois tipos.

Primeiro, os de relógio, que são ordenados, podem ser desmontados em partes e têm solução, como um braço quebrado que se resolve com gesso. Depois, os de nuvem, irregulares, que mudam o tempo todo e envolvem muitos atores.

É nesse segundo grupo que estão as causas que mais mobilizam a filantropia, como desigualdade , clima e democracia. E é aí que, segundo ela, o setor insiste em aplicar a lógica do relógio.

"O desastre silencioso do nosso momento é que continuamos tentando transformar nuvens em relógios", afirmou.

Em sua leitura, teorias de mudança, modelos lógicos, painéis de indicadores e planos de cinco anos servem menos para organizar o trabalho e mais para aliviar a ansiedade de quem decide - um ritual que ela chama de "dança kabuki da certeza" , em referência ao teatro tradicional japonês de gestos estilizados e coreografados.

Nos Estados Unidos, a expressão descreve encenações que seguem um roteiro conhecido por todos. No caso da filantropia, a plateia são conselhos, financiadores e equipes, diante dos quais se encena um controle que ninguém de fato tem.

Quando a incerteza aumenta, diz a americana, quem tem recursos tende a se retrair, segura o que já tem, pede mais clareza e adia decisões.

É o que indicam dados da consultoria Bridgespan , que assessora grandes doadores: em 2017, famílias americanas com patrimônio acima de US$ 500 milhões doaram cerca de 1,2% desses ativos. Seis anos depois, a proporção era praticamente a mesma.

Essa distância entre o que os muito ricos prometem doar e o que de fato doam ganhou até nome por lá, slow philanthropy . Ou, em livre tradução, filantropia lenta.

Lenta não quer dizer parada. Em 2025, as doações deixadas em testamento nos Estados Unidos bateram recorde, com US$ 62 bilhões, o que mostra que boa parte desse dinheiro acaba chegando, porém tarde e por herança.

“O principal mecanismo pelo qual o grande capital filantrópico se move é a morte”, resumiu Muoio.

Como alternativa a essa espera, Anna propõe o Pando funding , modelo de financiamento que desenvolveu no New Capitalism Project.

O nome vem de Pando, um bosque de álamos em Utah, nos Estados Unidos, formado por cerca de 47 mil árvores ligadas por um único sistema de raízes . Nenhum tronco vive mais de um ou dois séculos, mas o bosque existe há milênios porque as raízes são alimentadas todos os dias.

A filantropia tradicional, compara a americana, faz o oposto. Escolhe as árvores mais altas, investe nelas e espera que, somadas, essas apostas mudem o sistema.

Por isso, o Pando funding parte de outra pergunta, sobre que condições permitem a um grupo trabalhar junto, por muito tempo, num sistema que ninguém controla.

Na prática, isso significa reunir financiadores num fundo comum e entregar a quem está no trabalho o poder de definir a estratégia e distribuir o dinheiro.

"Quando a decisão fica mais perto de onde a informação está viva, tendemos a decidir melhor", disse.

Significa também financiar de forma contínua o que costuma ser tratado como custo administrativo, como facilitação, coordenação e construção de confiança, e assumir compromissos de longo prazo . Um exemplo prático, cita Anna, é o processo de queda do tabagismo nos Estados Unidos.

Nos anos 1960, 42% dos adultos americanos fumavam. Hoje, são cerca de 9%. A queda levou seis décadas e não dependeu de uma única organização ou programa.

A ideia de entregar o poder de decisão a quem está no trabalho foi posta em prática no próprio New Capitalism Project.

Os líderes da rede definiram a estratégia de um laboratório de mudança dos sistemas econômicos, escolheram quem participaria e distribuíram US$ 500 mil entre dez integrantes, US$ 50 mil para cada um, para transformar suas hipóteses em experimentos .

Do grupo saíram iniciativas de vários milhões de dólares e novas instituições , e organizações já existentes reorientaram suas estratégias.

No Brasil, o investimento social privado cresce, mas segue concentrado. Segundo o Censo GIFE 2024-2025 , foram R$ 5,8 bilhões em 2024, o segundo maior volume da série histórica. Neste cenário, organizações que investem mais de R$ 50 milhões por ano respondem por 78% do total.

Entre pessoas físicas, o volume doado subiu e o número de doadores caiu. A Pesquisa Doação Brasil , do IDIS, estimou R$ 24,3 bilhões em doações individuais em 2024, mas a parcela de brasileiros que fez alguma doação recuou de 84% para 78% em relação a 2022 .

Parte das ideias apresentadas no Filantropando já circula entre filantropos brasileiros. Em 2020, ao defender a agenda amazônica, Cândido Bracher, ex-presidente do Itaú Unibanco , afirmou que era preciso "transformar a Amazônia em uma questão de Estado, não de governo".

Neca Setubal, presidente do conselho da Fundação Tide Setubal , defende uma filantropia articulada e colaborativa, apoiada na pressão da sociedade civil. Inês Lafer, do Instituto Betty e Jacob Lafer , já disse em debate público que é preciso "trazer a filantropia para o debate político".

“O capital filantrópico é um capital de risco”, costuma dizer Cristiane Sultani. A anfitriã do evento também já destinou metade da herança deixada pelo marido, o empresário Pedro Alberto Fischer , ao instituto que fundou e dirige.

A proposta de Muoio não depende do resultado que o Brasil aguarda no domingo. Afinal, os problemas que a filantropia se propõe a enfrentar atravessam mandatos .

As perguntas que o modelo deixa em aberto são sobre quem fica fora da rede que decide e como prestar contas sem usar a métrica como prova. Além do desconforto, que a própria criadora do Pando funding admite, de falar em décadas diante de urgências imediatas.

Ainda assim, ela sugere que financiadores levem às reuniões frases como "eu não sei, isto é o que estou vendo, o que vocês estão vendo?".

E lembra que uma árvore não espera estar morrendo para alimentar suas raízes.

Unidade em Pindamonhangaba terá capacidade produtiva dez vezes maior que a atual e integra estratégia para atender à demanda global por infraestrutura de transmissão de energia

Levantamento do Observatório do Clima mostra que o país lançou 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera; redução ficou concentrada no uso da terra, enquanto energia e resíduos registraram alta

Projetos que integram infraestrutura, energia e diferentes modais ganham espaço como alternativa para reduzir emissões e acelerar a transição energética do setor

Braço da Votorantim Cimentos prevê ampliar o coprocessamento para mais de 2 milhões de toneladas e diversificar serviços em meio à pressão por eficiência e custos elevados

#Belém
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas