Santander (SANB11) diminui mais de 4% após balanço fraco; veja o que dizem Itaú BBA, BTG e Safra
Por volta das 10h45, as units SANB11 recuavam 4,87%, a R$ 24,61.

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Consulte formatos e valores disponíveisO Santander Brasil (SANB11) iniciou o dia no vermelho nesta quarta-feira (28), após o banco divulgar um balanço abaixo das expectativas do mercado no terceiro trimestre de 2026 (3T26).
Por volta das 10h45, as units SANB11 recuavam 4,87%, a R$ 24,61. Desde o início do ano, a desvalorização acumulada dos papéis supera os 28% na bolsa.
No terceiro trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente do Santander caiu 28% em 12 meses, para R$ 2,9 bilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 11,9%, abaixo dos 12,7% esperados pelos analistas.
Mas a reação negativa neste pregão reflete uma preocupação que vai além da queda do lucro. O Santander ainda não conseguiu recuperar a força das receitas, mesmo com os esforços para reduzir custos e ajustar o perfil de sua carteira de crédito.
Itaú BBA, BTG Pactual e Safra avaliam que a rentabilidade segue pressionada e que os sinais de melhora na qualidade dos ativos são insuficientes para indicar uma recuperação consistente.
Para os analistas, o principal ponto de pressão do trimestre foi a margem financeira, que reúne os ganhos com operações de crédito e de mercado. O indicador recuou 2,5% na comparação trimestral, para cerca de R$ 15 bilhões.
A pressão sobre os spreads está relacionada, em parte, à estratégia do Santander de reduzir a exposição a clientes de menor renda e migrar para linhas de crédito de menor risco, mas também de retorno mais baixo. A mudança de composição da carteira ainda não se traduziu em uma recuperação suficiente das margens.
Para o BTG, o cenário combina crescimento abaixo do sistema bancário, receitas pressionadas e piora de alguns indicadores de crédito.
“O retrato atual já é fraco, e o filme não está se tornando mais favorável”, afirmam os analistas, que veem riscos para as estimativas de lucro fixadas para o Santander.
A qualidade do crédito também preocupa. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para aproximadamente 3,4%, com deterioração concentrada na carteira de pessoas físicas.
Nesse segmento, o indicador avançou 0,4 ponto percentual (p.p) no trimestre, para 5,5%, pressionado principalmente por clientes de menor renda e pelo agronegócio.
Embora os atrasos de curto prazo, entre 15 e 90 dias, tenham recuado para cerca de 3,2%, os analistas avaliam que a melhora ainda não é suficiente para indicar uma virada. A formação de novos créditos problemáticos aumentou 2,6% no trimestre, para R$ 7,2 bilhões.
As provisões para perdas de crédito (PDD) caíram 2,5% na comparação trimestral, para cerca de R$ 7,5 bilhões. Parte do alívio, porém, veio de vendas de carteiras e recuperações de créditos anteriormente baixados para prejuízo. Segundo o Itaú BBA, sem os efeitos das vendas de ativos, as provisões teriam permanecido próximas de R$ 7,7 bilhões.
O Safra também recomenda cautela na leitura do indicador. Para a casa, a melhora marginal da inadimplência inicial oferece “conforto limitado”, diante da deterioração dos atrasos acima de 90 dias e da continuidade da formação de créditos problemáticos.
O principal ponto positivo do balanço foi o controle das despesas. Os gastos operacionais recuaram 3% no trimestre, para R$ 6,4 bilhões, enquanto o Santander continuou reduzindo o quadro de funcionários e a rede física de atendimento.
A redução dos gastos ajudou a compensar parte da fraqueza operacional, assim como a queda das provisões e efeitos tributários favoráveis.
Ainda assim, o lucro antes dos impostos ficou 30% abaixo da estimativa do BTG Pactual, evidenciando a distância entre a geração operacional de resultados e o lucro final.
Para o Itaú BBA, o trimestre ilustra um ambiente macroeconômico mais difícil para o crédito. Juros elevados por mais tempo e uma possível desaceleração da economia podem dificultar a recuperação das margens e manter a inadimplência sob pressão.
Apesar da leitura negativa do balanço, a dinâmica das ações também é influenciada pela oferta pública voluntária de ações (OPA) lançada pelo Santander Espanha para os acionistas minoritários da operação brasileira.
O BTG Pactual avalia que a recente reprecificação do mercado alterou a atratividade relativa da oferta. Na semana encerrada em 27 de outubro, as units SANB11 recuaram cerca de 7%, enquanto as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) caíram aproximadamente 24%.
Com isso, o Santander Brasil passou a ser negociado a cerca de 1 vez seu valor patrimonial, ante aproximadamente 0,9 vez no Bradesco, segundo o BTG. Na avaliação dos analistas, essa diferença aumenta a probabilidade de adesão dos acionistas à oferta de troca.
O Safra também considera que a OPA pode limitar o potencial de queda das ações no curto prazo. Ainda assim, o banco mantém recomendação market perform, equivalente a neutra, para os papéis.
Itaú BBA e Safra também mantêm uma postura cautelosa, sem identificar sinais claros de recuperação operacional mais ampla.
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