Voltar para a página inicial

Região: Você deve se preocupar com a inflação nos EUA?

Ao contrário de Powell, que se esforçava para sinalizar ao mercado o que o banco central poderia fazer, Warsh não fornece nenhuma sinalização […]

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 14:01
0 visualizações
Região: Você deve se preocupar com a inflação nos EUA?
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Desde junho, quando assumiu o comando do Federal Reserve (Fed) , o banco central dos Estados Unidos , o economista americano Kevin Warsh estabeleceu um estilo de comunicação diferente de Jerome Powell , seu antecessor.

Ao contrário de Powell, que se esforçava para sinalizar ao mercado o que o banco central poderia fazer, Warsh não fornece nenhuma sinalização aos investidores. Para ele, se o banco central indicar muito claramente o que vai fazer, a política monetária, que é a calibragem do nível de atividade econômica por meio da alteração na taxa de juros, perde eficácia.

Sua recomendação para os investidores é olhar os números da economia americana, especialmente os da inflação e os do mercado de trabalho, e a partir daí concluir o que pode ocorrer com os juros. Vamos seguir essa recomendação.

Na semana passada foram divulgados os dados da inflação americana de setembro tanto no varejo, medida pelo Consumer Price Index (CPI) quanto pelo Producer Price Index (PPI). Ambos os resultados vieram acima do esperado.

No caso do CPI, a inflação acumulada em 12 meses ficou acima do esperado, tanto no índice geral quanto no núcleo da inflação, que não considera os preços de alimentos e de energia. O índice geral mostrou uma variação de 3,7% nos 12 meses até setembro, acima dos 3,4% acumulados nos 12 meses até agosto. Os investidores já previam uma aceleração para 3,6%, principalmente pela alta nos preços do petróleo e da energia. Porém, a projeção era de 3,6% e o resultado ficou acima do esperado.

Isso também ocorreu com o núcleo da inflação. Em 12 meses, a variação dos preços foi de 2,6%, ante 2,5% na leitura anterior, mostrando uma leve aceleração.

Os combustíveis, que não influenciam o núcleo, continuam pressionando a inflação para cima. O índice de energia subiu 5,2% e os preços da gasolina avançaram 9%. No entanto, outros componentes também merecem atenção. Os custos de moradia, que representam uma parcela importante do índice de inflação, avançaram 0,4% no mês, uma alta relevante. Já os preços de carros e caminhões subiram 0,7%.

A inflação no atacado também ficou acima do esperado. O PPI subiu 1,3% em setembro, maior alta mensal desde março de 2022. O resultado foi mais que o dobro da expectativa de mercado, que era de 0,6%.

A variação em agosto havia sido de 0,5%. Em 12 meses, o índice acelerou para 6,3%, acima da projeção de 5,3% e dos 5,6% de agosto, a maior leitura desde dezembro de 2022. Uma análise do comportamento da inflação nos últimos meses mostra a aceleração dos preços na economia americana, tanto no atacado quanto no varejo (observe o gráfico 1).

O gráfico comparar três índices. A inflação no atacado, medida pelo PPI, e a inflação no varejo, medida por dois índices, o CPI e o Personal Consumption Expenditure ( PCE ), que tem uma base diferente e é considerado o índice “oficial”, por meio do qual o Fed mede a inflação. Como o PCE tem uma cesta de produtos e serviços e uma periodicidade diferente do CPI, o número de setembro só será conhecido no fim de outubro.

É possível notar que a inflação no atacado está rodando muito mais depressa do que a do varejo. E também é possível observar que isso se tornou mais visível a partir de março.

Não coincidentemente, depois que os preços do petróleo começaram a subir aceleradamente devido aos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. Boa parte dessa alta da inflação deve-se ao aumento dos preços dos combustíveis. Daí a diferença entre os índices de varejo gerais e os núcleos, algo que pode ser observado comparando-se as variações tanto do CPI quanto do PCE (observe os gráficos 2 e 3).

Quais as consequências disso? Um dos pontos centrais para o Federal Reserve continua sendo avaliar se a política monetária precisa continuar restritiva para garantir a convergência da inflação para a meta de 2%. E aqui vale fazer uma distinção importante. O índice cheio de 3,7% é uma péssima notícia, mas os 2.6% do núcleo são um fato um pouco menos grave.

Warsh tem destacado sua preocupação pela inflação estar permanecendo acima da meta por um período prolongado. Na sexta-feira (15) em uma conferência do Fundo Monetário Internacional ( FMI ) em Bangkok, na Tailândia, ele disse que o Fed retirou “uma camada de acomodação” em setembro, ao elevar os juros em 0,25 ponto percentual para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano.

Há uma boa certeza no mercado de que não haverá uma nova alta de juros na próxima reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), versão americana do Copom , agendada para os dias 27 e 28 de outubro. Na sexta-feira (15), a probabilidade de manutenção das taxas era de 82%, segundo a ferramenta FedWatch, da CME.

Já para dezembro, a certeza é de que, sim, haverá uma alta das taxas. Na sexta-feira, a probabilidade era de 71,4%.

No entanto, há um risco implícito aqui. A inflação no atacado pode (atenção ao verbo) se um bom indicador antecedente da inflação no varejo. Por que “pode”? A sequência lógica dos fatos é: os comerciantes (que compram no atacado) pagam mais caro pelos produtos e repassam esse aumento para os consumidores (que compram no varejo).

Assim, uma alta no PPI pode ser um sinal de que CPI e PCE vão subir. No entanto, esse “pode” deve-se à capacidade de os consumidores oferecerem resistência aos aumentos de preço. Como? Não comprando, se não houver renda disponível.

Em momentos de retração da economia e de achatamento da renda e dos salários, os consumidores compram menos. E para não perder vendas, o comércio pode optar por sacrificar parcialmente as margens de lucro.

Por isso, o repasse da inflação do atacado para os índices de varejo não é automático. Quanto da alta do PPI irá para os índices de varejo é a pergunta de vários trilhões de dólares, ela definirá a trajetória dos juros americanos no que resta de 2026 e pelo menos no primeiro semestre de 2027.

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

Small caps: As ações esquecidas que podem disparar em 2027

#Internacional#Economia
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas