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Por Redatores da Empire Cidades 26 de outubro de 2026 às 20:10
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26.out.2026 às 12h34 Diminuir fonte Aumentar fonte Belgrado e Moscou | AFP e Reuters O movimento estudantil que lidera protestos na Sérvia há quase dois anos venceu as eleições legislativas antecipadas deste domingo (25), e o líder nacionalista Aleksandar Vucic reconheceu a derrota do partido governista, que estava no poder havia 14 anos.

Segundo pesquisa da ONG Cesid, baseada em uma amostra que representa 96% dos votos, a Lista dos Estudantes obteve 52,9%, contra 38,8% do governista Partido Progressista Sérvio (SNS). Os resultados preliminares, divulgados nesta segunda-feira (26), indicam que o movimento pode conquistar 140 das 250 cadeiras do Parlamento. A participação foi estimada em 69,3%.

A vitória é resultado de quase dois anos de protestos desencadeados pelo desabamento, em 2024, de uma marquise da estação de Novi Sad, segunda maior cidade do país. Dezesseis pessoas morreram, e os manifestantes atribuíram a tragédia à corrupção. Foram as maiores manifestações desde a queda do então presidente Slobodan Milosevic, em 2000.

"Os estudantes venceram e, com eles, vence também a esperança de que a Sérvia seja um país de justiça, liberdade e dignidade", declarou Radomir Saicic, candidato da Lista dos Estudantes.

Vucic reconheceu a derrota diante de apoiadores, na sede do SNS, em Belgrado. "A julgar por uma amostra estratificada, está claro que perdemos estas eleições", disse.

Após o discurso de Vucic, as comemorações irromperam na capital sérvia, e os carros começaram a circular buzinando, enquanto uma multidão começava a festejar perto da sede da Comissão Eleitoral. Após o discurso, moradores foram às ruas comemorar, enquanto carros buzinavam pela capital. Na sede da Lista dos Estudantes, simpatizantes aplaudiram, choraram e se abraçaram.

Em setembro, Vucic dissolveu o Parlamento e convocou eleições antecipadas, uma das principais reivindicações dos manifestantes. Dias depois, renunciou à Presidência para disputar o cargo de primeiro-ministro.

O movimento estudantil se organizou como força política heterogênea para enfrentar Vucic. Sua lista única não tem figura de destaque e reúne candidatos da sociedade civil, unidos pelo objetivo de derrotar o governo.

"Votei esperando que haja mudanças [...] não podemos continuar como nos últimos 14 anos", disse à AFP Marija Spasenovic, do lado de fora de um local de votação na capital. Ela acrescentou que é necessário combater a corrupção e garantir o Estado de Direito.

Na véspera do pleito, o movimento convocou a população a votar com o lema "a Sérvia desperta". Sua última manifestação reuniu cerca de 150 mil pessoas em Belgrado.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, parabenizaram a Lista dos Estudantes.

Para o Kremlin, a derrota de Vucic é mais uma perda de mais um governos simpático a Moscou na Europa. O líder sérvio equilibrava a aproximação com Bruxelas e a proximidade com Putin, e era um dos poucos interlocutores amistosos da Rússia no continente.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Candidata à União Europeia, a Sérvia não aderiu às sanções do bloco contra a Rússia pela guerra na Ucrânia e manteve laços econômicos, políticos e militares estreitos com Moscou. A saída de cena de Vucic, que ocorre seis meses depois da derrota de Viktor Orbán na Hungria, reduz a influência russa nos Bálcãs.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, elogiou Vucic e afirmou esperar que os novos governantes entendam que a cooperação com a Rússia, tradicional fornecedora de energia à Sérvia, atende aos interesses do próprio país.

"Valorizamos muito a contribuição do Vucic para o desenvolvimento de nossas relações bilaterais. Sabemos que ele continuará ativo na política e esperamos que, mesmo na oposição, continue a contribuir", disse Peskov a jornalistas.

Vucic também era aliado de Donald Trump. O presidente dos EUA não comentou o resultado até a manhã desta segunda.

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