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Região: Farelo de soja dispara 44% e milho ganha força nos portos brasileiros

A movimentação dos dois produtos deve alcançar 8,59 milhões de toneladas no mês, segundo projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 12:30
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Região: Farelo de soja dispara 44% e milho ganha força nos portos brasileiros
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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As exportações brasileiras de farelo de soja devem crescer 44,2% em outubro, enquanto os embarques de milho avançam 7,1%, reforçando a demanda internacional por produtos do agronegócio brasileiro. A movimentação dos dois produtos deve alcançar 8,59 milhões de toneladas no mês, segundo projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O desempenho contrasta com a soja em grão, cujas vendas externas apresentam redução de 3,8% em relação a outubro do ano passado.

O farelo de soja lidera o crescimento. A previsão é de 2,49 milhões de toneladas exportadas, ante 1,73 milhão em outubro de 2025. O aumento de aproximadamente 763 mil toneladas ocorre em um momento de valorização do produto no mercado internacional, ampliando a receita das indústrias brasileiras de processamento de soja.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 16 dias úteis de outubro, o volume médio diário de farelo embarcado superou em 5,5% o registrado no mesmo mês do ano passado. O preço médio apresentou valorização de 24,8%, enquanto a receita diária cresceu 31,7%.

A diferença entre o crescimento dos embarques e o avanço do faturamento indica que os preços internacionais estão contribuindo de maneira importante para o resultado. Para as indústrias de esmagamento, a valorização do farelo favorece a comercialização de um dos principais produtos obtidos no processamento da soja, ao lado do óleo vegetal.

O desempenho também tem reflexos sobre o mercado interno. O farelo é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de rações para aves, suínos e outros animais. Uma demanda externa mais aquecida pode aumentar a disputa pelo produto, influenciando os custos da alimentação animal, embora os preços domésticos também dependam da oferta nacional e das condições de comercialização.

O crescimento das exportações de farelo não significa, necessariamente, aumento proporcional da demanda por soja em grão. Parte da produção brasileira é processada no próprio País, agregando valor antes da exportação. Esse movimento amplia a participação da indústria nacional no comércio internacional, mas também exige capacidade de esmagamento, logística e competitividade para atender aos compradores.

A programação da Anec aponta que o Brasil poderá acumular 21,80 milhões de toneladas de farelo exportadas entre janeiro e outubro. Somente na última semana do mês, de 25 a 31, estão previstos embarques de 621,1 mil toneladas. Santos concentra a maior movimentação, com 341,1 mil toneladas, seguido por Rio Grande, com 126,7 mil, e Paranaguá, com 124,9 mil.

No milho, a previsão é de 6,10 milhões de toneladas exportadas em outubro, crescimento de aproximadamente 406 mil toneladas sobre o mesmo período de 2025. O volume também supera as 5,31 milhões de toneladas registradas em setembro, indicando aceleração dos embarques brasileiros.

A recuperação das vendas externas ocorre em um período de maior disponibilidade do cereal após a colheita da segunda safra. Para o produtor, o avanço das exportações representa um importante canal de escoamento da produção, especialmente em regiões onde a oferta supera a capacidade de consumo local.

A demanda internacional também ajuda a equilibrar o mercado diante do crescimento do consumo doméstico de milho pela produção de rações e pela indústria de etanol. A competição entre exportação e processamento interno influencia os preços recebidos pelos agricultores e as decisões de comercialização ao longo do ano.

Entre janeiro e outubro, os embarques de milho poderão alcançar 25,56 milhões de toneladas. Na última semana do mês, a programação prevê 1,79 milhão de toneladas, com destaque para Santos, responsável por 637,3 mil toneladas, Barcarena, com 246,6 mil, e São Luís/Itaqui, com 211,9 mil.

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Além dos três principais produtos, o sorgo ganha espaço na movimentação portuária, com previsão de 1,24 milhão de toneladas exportadas em outubro. O crescimento desse mercado representa uma alternativa de comercialização para produtores que buscam diversificar culturas, especialmente nas regiões produtoras de grãos do Centro-Oeste.

A Anec também prevê embarques de 48,4 mil toneladas de grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS), coproduto da fabricação de etanol de cereais utilizado na alimentação animal. A presença desse produto na pauta exportadora acompanha a expansão das usinas de etanol de milho no Brasil.

No conjunto, soja, farelo, milho, sorgo, trigo e DDGS deverão somar 16,03 milhões de toneladas exportadas em outubro, crescimento de 15,8% sobre o mesmo mês de 2025. Entre janeiro e outubro, a movimentação poderá alcançar 159,02 milhões de toneladas.

Os números ainda são estimativas, elaboradas a partir da programação dos navios nos portos brasileiros, e poderão sofrer alterações até o fechamento do mês. A confirmação dos volumes dependerá do ritmo efetivo dos embarques.

Para o agronegócio, os resultados mostram uma mudança importante na composição das exportações. Enquanto a soja em grão perde ritmo na comparação mensal, o farelo ganha participação e o milho amplia sua presença no mercado externo. O desafio será transformar essa demanda em melhores condições de comercialização para o produtor, sem comprometer o abastecimento da indústria nacional e a competitividade das cadeias de proteína animal.

Uma ferida aparentemente pequena no umbigo de um bezerro recém-nascido pode se transformar em uma perda irreversível para o pecuarista. A mosca-da-bicheira, responsável por infestações que destroem tecidos vivos, está associada a prejuízos potenciais estimados em aproximadamente R$ 1,8 bilhão na bovinocultura brasileira.

O problema, frequentemente tratado como uma ocorrência rotineira nas fazendas, ganhou atenção em uma revisão científica publicada em 2026, que reúne pesquisas sobre o controle de parasitas na América Latina e destaca a mortalidade de bezerros entre os principais impactos econômicos.

O trabalho, publicado na revista científica Pathogens, produzido por um grupo internacional de pesquisadores, com participação da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), recupera uma estimativa de US$ 340 milhões em perdas atribuídas à Cochliomyia hominivorax, nome científico da mosca-da-bicheira.

O valor corresponde a R$ 1,7 bilhão. A estimativa original, entretanto, foi produzida a partir de dados anteriores e não representa um levantamento das perdas efetivamente registradas em 2026. Também não inclui integralmente despesas com mão de obra, medicamentos e tratamento dos animais.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estuda o problema há décadas. Uma das contribuições mais diretamente relacionadas à realidade do produtor está na Embrapa Pantanal, que publicou orientações específicas para a prevenção e o tratamento das bicheiras em bezerros. O material chama atenção para um ponto decisivo: a proteção dos animais começa nos primeiros dias de vida, quando o umbigo ainda representa uma porta de entrada para a infestação.

A doença, conhecida tecnicamente como miíase, ocorre quando a fêmea deposita ovos nas bordas de ferimentos. Após a eclosão, as larvas passam a consumir tecidos vivos, aprofundando as lesões. Diferentemente de parasitas que se alimentam apenas de matéria orgânica em decomposição, a mosca-da-bicheira ataca o animal vivo e pode provocar infecções graves, sofrimento intenso e morte quando não há tratamento.

O risco é particularmente elevado nos recém-nascidos porque a região umbilical exige cicatrização e cuidados sanitários. Ferimentos provocados por castração, descorna, acidentes e outras práticas de manejo também favorecem a infestação. Em sistemas extensivos, nos quais os animais permanecem distribuídos por grandes áreas, a demora para identificar uma lesão pode agravar o problema.

O diferencial da pesquisa da Embrapa está em demonstrar que o controle não depende apenas de aplicar medicamentos depois que a bicheira aparece. Em estudos realizados com bezerros no Pantanal, pesquisadores avaliaram a eficácia de endectocidas utilizados na prevenção de miíases umbilicais. Os resultados, posteriormente incorporados à análise econômica nacional, registraram falhas de controle mesmo entre animais tratados, reforçando a necessidade de acompanhar a cicatrização do umbigo e verificar a resposta aos produtos empregados.

Um estudo publicado em 2014 na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, com participação de pesquisadores da Embrapa Gado de Corte e da Embrapa Pantanal, reuniu resultados de diferentes investigações para dimensionar o impacto dos parasitas sobre a bovinocultura. No caso da mosca-da-bicheira, o cálculo considerou principalmente o risco de mortalidade de bezerros por infestações umbilicais.

A pesquisa recuperou um levantamento realizado no Centro-Oeste que identificou ocorrência de miíase umbilical em 40,7% dos bezerros acompanhados. Esse percentual se refere à população estudada e não deve ser interpretado como a incidência atual da doença em todo o rebanho brasileiro. Os pesquisadores também observaram que o uso de medicamentos preventivos não elimina completamente a possibilidade de infestação.

Essa constatação ajuda a explicar por que a bicheira continua representando um problema econômico mesmo em propriedades que mantêm programas sanitários. Além do custo dos tratamentos, a perda de um bezerro compromete o resultado da estação de nascimento, reduz o número de animais disponíveis para recria e representa a perda de um investimento feito ao longo da gestação.

Na pecuária leiteira, os efeitos também podem alcançar a produção. A morte de bezerros interfere no manejo das matrizes e pode gerar consequências adicionais sobre o aproveitamento produtivo das vacas, dependendo do sistema adotado. Em bovinos adultos, lesões graves podem comprometer o ganho de peso, a reprodução e o valor comercial dos animais.

A revisão científica de 2026 chama atenção para outra dificuldade: os custos indiretos da infestação ainda não estão completamente dimensionados. O tempo empregado na inspeção dos animais, a necessidade de separar bovinos para tratamento, as despesas veterinárias e o atraso no desenvolvimento de animais afetados aumentam o impacto econômico sobre as fazendas.

As condições climáticas também influenciam a presença do inseto. Temperaturas elevadas e ambientes favoráveis à reprodução das moscas ampliam a necessidade de vigilância, especialmente durante períodos de maior ocorrência de ferimentos e nascimento de bezerros. O risco, entretanto, varia conforme a região, a época do ano e o sistema de criação.

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O uso de medicamentos deve considerar produtos registrados para a indicação específica, dosagens corretas e períodos de carência para carne e leite. A aplicação indiscriminada de parasiticidas, além de aumentar os custos, pode favorecer problemas de resistência e comprometer a eficiência dos programas sanitários.

O principal alerta das pesquisas é que o prejuízo provocado pela mosca-da-bicheira não começa quando o produtor precisa comprar medicamentos. Ele começa quando uma lesão deixa de ser identificada a tempo e compromete a sobrevivência ou o desempenho de um animal. Na pecuária de cria, em que cada bezerro representa parte importante da receita futura, prevenir essas ocorrências é também uma medida de proteção do patrimônio da fazenda.

A estimativa bilionária recuperada pela literatura científica evidencia a dimensão potencial do problema, mas também revela a necessidade de atualizar os levantamentos econômicos brasileiros. Enquanto isso, a orientação mais consistente para o produtor permanece baseada em medidas conhecidas e comprovadas: vigilância do rebanho, cuidados sanitários nos primeiros dias de vida e tratamento imediato das lesões.

SAIBA MAIS O artigo Management Practices for the Control of Haematobia irritans, Dermatobia hominis, and Cochliomyia hominivorax in Cattle Across Latin America: A Sustainable, Collective Approach, foi publicado em 5 de fevereiro de 2026, na revista científica Pathogens, e tem como primeiro autor Roger Iván Rodríguez-Vivas, da Universidade Autônoma de Yucatán, no México. Entre os coautores estão Antonio Thadeu Medeiros de Barros, da Embrapa Gado de Corte, Marcelo Beltrão Molento, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e André Antonio Cutolo, vinculado à Boehringer Ingelheim Animal Health, nos Estados Unidos. A pesquisa também contou com especialistas da Argentina, Colômbia, Uruguai e Alemanha.

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