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Região: Cresce a dependência da indústria com bancos tradicionais para contratar crédito

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por InfoMoney 16 de outubro de 2026 às 17:00
Via InfoMoney
Região: Cresce a dependência da indústria com bancos tradicionais para contratar crédito
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A indústria brasileira aumentou sua dependência de bancos comerciais tradicionais na hora de contratar ou renovar créditos de curto e médio prazo este ano. Segundo dados de uma sondagem especial de acesso ao crédito feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), praticamente dois terços (65,3%) das empresas do setor que buscaram entre fevereiro e julho recorreram aos “bancões” – no ano passado, esse percentual foi de 61%.

No caso do crédito de longo prazo (acima de cinco anos), os bancos comerciais tradicionais também seguiram como a principal fonte de recursos, apontada na sondagem por 49,5% das empresas do setor que buscaram crédito nessa modalidade. Em 2025, a participação dos bancos comerciais nesse tipo de operação chegou a 51%.

Leia mais: Busca de empresas por crédito cresce 9,2% em 12 meses até junho, diz Serasa Experian

Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, comentou em nota que recorrer mais aos bancos comerciais tradicionais do que a outras fontes de financiamento não é, por si só, um problema. A dificuldade, segundo ela, é encontrar crédito com custo, volume e prazo adequados para as necessidades das empresas.

Ela sugere que é preciso haver diversificação das fontes de financiamento. “O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de crédito para financiar suas atividades. Isso permitiria a elas encontrarem, com maior facilidade, fontes de financiamento que atendam às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante, permitindo não só o pagamento de despesas correntes, mas a expansão de capacidade produtiva”, disse.

Segundo a pesquisa, o capital próprio foi a segunda fonte de financiamento de curto/médio prazo mais citada pelas empresas industriais (23,6%) que buscaram crédito no período, enquanto os bancos de desenvolvimento foram a terceira (18,5%).

No financiamento de longo prazo, essa ordem se inverte. Enquanto os bancos de desenvolvimento foram citados por 29,5% dos empresários que buscaram crédito nessa modalidade, o capital próprio foi mencionado por 23,1%.

Por outro lado, aproximadamente uma em cada quatro empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito de curto/médio prazo (24,9%) relatou que o volume aprovado foi menor ou muito menor do que necessitava.

No crédito de longo prazo, esse percentual foi de 26,4%. Já os valores superiores às necessidades das empresas foram menos frequentes, registrados por 11,1% das que obtiveram crédito de curto/médio prazo e 10,8% das que obtiveram financiamento de longo prazo.

Na análise por porte, as pequenas empresas apresentaram os maiores percentuais de insuficiência dos valores aprovados. No crédito de curto/médio prazo, 33,3% delas receberam recursos inferiores às suas necessidades, percentual que chegou a 34,4% no crédito de longo prazo. Entre as médias e grandes empresas, os percentuais variaram de 21% a 27,7%.

Os empresários também foram questionados sobre as condições de acesso ao crédito. Entre as empresas industriais que renovaram suas linhas de curto/médio prazo no período, 53,9% apontaram que as condições gerais da operação permaneceram semelhantes.

No entanto, 24,8% apontaram que as condições de renovação foram piores ou muito piores, ao passo que 19,7% relataram condições melhores ou muito melhores.

Sobre as condições de renovação do crédito de longo prazo, 53,2% dos entrevistados afirmaram que elas continuaram parecidas; 17,8% classificaram-nas como piores ou muito piores; 26,9% relataram condições melhores ou muito melhores.

De acordo com a pesquisa, metade das empresas industriais (49,9%) não buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo no período. Somente 22,9% contrataram ou renovaram financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não conseguiram obter os recursos.

Em relação ao crédito de longo prazo, a proporção de empresas que não tentaram contratar ou renovar foi ainda maior: 54%. Outros 15,5% conseguiram um novo financiamento ou a extensão do anterior. Além disso, 9,2% tentaram, mas não conseguiram acessar o crédito.

Levando-se em conta apenas as empresas que buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo nos seis meses anteriores à pesquisa, quase uma em cada quatro (24,7%) não tiveram sucesso, percentual que sobe para 37,2% nas operações de longo prazo. Os percentuais de frustração são superiores aos registrados na edição anterior da pesquisa.

A CNI consultou 1.701 empresas — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre 3 e 12 de agosto.

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