quanto a taxa de carbono da Europa custa ao aço brasileiro — O imposto invisível da exportação
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Consulte formatos e valores disponíveisO imposto invisível da exportação: quanto a taxa de carbono da Europa custa ao aço brasileiro Com a primeira fatura do CBAM em 2027, dado de emissão vira argumento de preço na negociação com europeus Expectativas
Priorizar nos meus resultados Google Desde janeiro, toda tonelada de aço, alumínio, cimento ou fertilizante que entra na União Europeia carrega um custo de carbono. O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) saiu da fase de testes e entrou em vigor definitivo em 2026.
Em 2025, os europeus importaram cerca de € 1,66 bilhão em produtos brasileiros cobertos pelo mecanismo, dos quais € 1,18 bilhão em aço, segundo levantamento do portal especializado CBAM Guide.
A primeira conta chega em 2027, mas a decisão que define o tamanho dela está sendo tomada agora. Quem consegue medir e comprovar as próprias emissões paga menos. Quem não consegue paga pelo pior cenário que Bruxelas consegue estimar.
O CBAM foi criado para equiparar o custo do carbono entre a indústria europeia, que já paga por suas emissões no mercado regulado do bloco (o EU ETS), e os concorrentes de fora. A lógica é simples: quem vende para a Europa paga pelo carbono embutido no produto como se tivesse produzido lá.
Quem paga, formalmente, é o importador europeu. Ele precisa comprar certificados equivalentes às emissões dos produtos que trouxe. A venda desses certificados começa em 1º de fevereiro de 2027, e a primeira declaração anual, referente às importações de 2026, vence em 30 de setembro de 2027, segundo o cronograma da Comissão Europeia.
O preço acompanha o mercado de carbono europeu. No terceiro trimestre de 2026, o certificado ficou em € 82,32 por tonelada de CO₂. No primeiro semestre, havia ficado em torno de € 75.
O exportador não recolhe a taxa, mas sente o efeito no preço. O importador europeu passa a comparar fornecedores pelo preço do produto somado ao custo de carbono. Na prática, a emissão vira um item da negociação comercial.
O impacto cresce com o tempo. A União Europeia está retirando aos poucos as licenças gratuitas que ainda concede à própria indústria, e o CBAM sobe na mesma proporção até ser aplicado integralmente em 2034.
O CBAM Guide estima o efeito sobre um produto típico da pauta brasileira, o aço semiacabado não ligado. Usando os valores-padrão da Comissão e mantendo o preço do carbono constante, o custo passaria de € 36,31 por tonelada em 2026 para € 114,47 em 2030.
O ponto mais sensível para os conselhos está nos dados. Quando a empresa não apresenta emissões verificadas, o importador usa os valores-padrão definidos pela Comissão Europeia, que já incluem uma penalidade.
Pelo Regulamento de Execução (UE) 2026/1740, publicado em julho, essa margem extra é de 10% em 2026, 20% em 2027 e 30% a partir de 2028.
Isso muda a natureza do investimento em medição e verificação de emissões. O que parecia uma despesa de compliance passa a funcionar como ferramenta comercial: o dado auditado reduz o custo do cliente e fortalece a posição do fornecedor na negociação.
O Brasil costuma ser apontado como vencedor natural na transição de baixo carbono, pela matriz elétrica majoritariamente renovável. No caso do aço e do alumínio, porém, a vantagem é menor do que parece. Para esses produtos, o CBAM considera apenas as emissões diretas da produção, e não as da energia comprada.
Há também um desconto previsto no mecanismo que, por enquanto, não beneficia o Brasil. O CBAM permite abater o preço de carbono já pago no país de origem, mas o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado pela Lei 15.042 em dezembro de 2024, ainda está em regulamentação. Sem cobrança efetiva aqui, não há o que abater lá.
A lista de produtos tende a crescer. Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia propôs estender o mecanismo, a partir de 2028, para cerca de 180 produtos intermediários com alto teor de aço ou alumínio. A proposta ainda depende de aprovação no Parlamento Europeu e no Conselho da UE.
Para empresas que vendem componentes, máquinas ou peças para a Europa, o tema tende a sair da siderurgia e alcançar outras cadeias industriais.
O CBAM transforma uma métrica ambiental em uma variável de preço, margem e competitividade. Para o exportador brasileiro, a vantagem deixa de vir só do produto e passa a vir também da capacidade de provar quanto ele emite.
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