Quando o voto se transforma em motivo de perseguição, a democracia está sob ameaça — Editorial
Preparei este editorial contundente, destacando que as eleições terminaram, mas o respeito à democracia precisa continuar.....

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisO encerramento de uma campanha eleitoral deveria representar o início de uma nova etapa de convivência democrática, na qual as diferenças fossem respeitadas e os interesses coletivos voltassem a ocupar o centro das atenções. Infelizmente, nem sempre é isso que acontece. Em vez de diminuir as tensões, determinados comportamentos demonstram que o ressentimento político continua presente, alimentado por atitudes que colocam em risco valores fundamentais da sociedade brasileira.
É particularmente preocupante a denúncia de que pessoas estariam incentivando empresas a demitir trabalhadores em razão de suas preferências eleitorais. Se confirmadas, essas práticas representam uma grave distorção do espírito democrático e uma tentativa inaceitável de transformar o emprego em instrumento de vingança política.
Desde quando o direito de votar livremente passou a ser motivo para perder o sustento da própria família? O voto é um direito individual, livre e secreto. Cada cidadão tem o direito de escolher seus representantes de acordo com suas convicções, suas expectativas e sua avaliação sobre os rumos do país. Ninguém precisa pedir autorização ao patrão, ao vizinho, ao dirigente partidário ou a qualquer autoridade para exercer esse direito.
A democracia não concede a ninguém o poder de exigir fidelidade política dos outros. Muito menos autoriza que diferenças de opinião sejam utilizadas para ameaçar o ganha-pão de quem depende do trabalho para sobreviver.
O trabalhador brasileiro já enfrenta desafios suficientes: o custo de vida, as despesas familiares, a preocupação com o futuro dos filhos e a necessidade permanente de manter sua fonte de renda. Submeter esse cidadão à possibilidade de perder o emprego porque votou em determinado candidato é acrescentar uma injustiça à realidade de quem precisa trabalhar para viver.
E há algo ainda mais preocupante quando esse tipo de comportamento parte de pessoas que receberam votos e conquistaram mandatos públicos. Quem assume uma função eletiva passa a ter responsabilidades que ultrapassam suas preferências pessoais e partidárias. O mandato não é propriedade particular, nem autorização para constranger quem pensa de maneira diferente.
Ser eleito significa representar os cidadãos, e não dividir o país entre aliados e inimigos. Um parlamentar, prefeito, vereador ou qualquer outra liderança pública deveria compreender que a pluralidade é parte essencial da democracia. O eleitor que não votou em determinado candidato continua sendo cidadão, contribuinte e integrante da comunidade. Seus direitos não diminuem porque fez uma escolha diferente daquela defendida por quem venceu.
É justamente nesse momento que se revela a maturidade democrática de uma sociedade: quando os vencedores reconhecem os direitos dos que perderam, e os derrotados respeitam o resultado das urnas. Democracia não é apenas aceitar a contagem dos votos. É também conviver com as diferenças sem recorrer à intimidação, à humilhação ou à retaliação.
Também é preciso lembrar que empresas não devem se transformar em extensões de disputas partidárias. O ambiente de trabalho precisa ser orientado por critérios profissionais, responsabilidades, desempenho e respeito à legislação. A pressão para que empregadores dispensem funcionários por suas escolhas eleitorais ameaça a liberdade individual e pode produzir consequências sociais graves.
A legislação brasileira protege a liberdade de consciência, a igualdade e os direitos dos trabalhadores. Dependendo das circunstâncias e das provas, práticas de perseguição política no emprego podem suscitar consequências trabalhistas e outras responsabilidades legais. Por isso, denúncias dessa natureza devem ser apuradas com seriedade, sem condenações precipitadas, mas também sem omissão diante de possíveis abusos.
Não se trata de defender este ou aquele partido. Trata-se de defender um princípio que deve estar acima de todos eles: ninguém deve ser perseguido por exercer pacificamente um direito democrático.
E onde fica o patriotismo nessa história? Amar o Brasil não significa exigir que todos pensem da mesma maneira. Patriotismo não é vestir uma camisa, levantar uma bandeira ou pronunciar discursos inflamados enquanto se desrespeitam os direitos dos próprios compatriotas. Patriotismo também significa reconhecer que o país pertence a todos, inclusive àqueles cujas opiniões nos contrariam.
O verdadeiro compromisso com a pátria começa no respeito ao próximo, na defesa das instituições, na preservação das liberdades e na disposição de construir uma sociedade em que ninguém precise esconder suas convicções por medo de represálias.
O Brasil não pode se tornar um território de perseguições motivadas por disputas eleitorais. Não podemos permitir que a intolerância ocupe o lugar do diálogo, que a vingança substitua a justiça ou que o medo passe a determinar o comportamento dos cidadãos.
As urnas encerram uma disputa, mas não encerram a cidadania. Os mandatos têm prazo, os governos mudam e os partidos alternam posições de poder. O que precisa permanecer é o respeito às regras democráticas e à dignidade de cada brasileiro.
Quem tenta punir um trabalhador por seu voto não está defendendo a democracia: está colocando em risco uma das liberdades que dão sentido a ela.
Que as autoridades competentes apurem as denúncias, que as empresas resistam a pressões indevidas e que os cidadãos não se calem diante de possíveis injustiças. A liberdade de votar não pode existir apenas dentro da cabine eleitoral. Ela precisa ser respeitada também nas ruas, nas empresas, nas repartições públicas e em todos os espaços da vida nacional.
Afinal, o Brasil não precisa de cidadãos com pensamentos idênticos. Precisa de cidadãos livres, conscientes e capazes de respeitar suas diferenças. Porque a pátria não pertence a um partido, a um governante ou a um grupo político. A pátria pertence a todos nós. E nenhum brasileiro deveria pagar com o próprio emprego pelo exercício de sua liberdade de escolha.
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Panorama: Ver um artigo aleatório
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Panorama: Ver um artigo aleatório
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
horário do sorteio e como apostar no prêmio acumulado de R$ 12,6 milhões — Resultado da Super Sete 916 de hoje, quarta-feira (28/10)
1 Prêmio estimado: R$ 12,6 milhões em disputa no concurso 916.


