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por onde começo? — Quero investir em causas sociais

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 20 de outubro de 2026 às 10:11
Via Exame
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Quero investir em causas sociais: por onde começo? No Dia da Filantropia, um convite para transformar riqueza em melhoria de vida para crianças e adolescentes No UNICEF, construímos ao longo de décadas uma experiência que ajuda indivíduos, famílias e fundações a transformar sua intenção de contribuir em impacto concreto (petra012015/iStockphoto)

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 07h00 .

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Impacto social Saiba mais O Brasil vive um momento curioso. De um lado, o país ganhou 9.215 novos milionários em 2025 e encerrou o ano com cerca de 386 mil pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão, mantendo a maior concentração de milionários da América Latina, segundo o Global Wealth Report 2026, do UBS.

Ao mesmo tempo, seguimos convivendo com uma realidade que desafia nossa consciência coletiva: Segundo estudo Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil – 2017 a 2023, lançado pelo UNICEF, 28,8 milhões de crianças e adolescentes brasileiros ainda vivem em situação de pobreza multidimensional , privados de um ou mais direitos fundamentais, como renda, educação, informação, água, saneamento, moradia ou proteção contra o trabalho infantil.

Esses dois retratos do Brasil não precisam existir em universos paralelos. Pelo contrário. A crescente capacidade de investimento de indivíduos e famílias de alta renda representa uma oportunidade histórica para acelerar soluções duradouras para alguns dos principais desafios sociais do país.

No Dia da Filantropia , celebrado em 20 de outubro, vale fazer uma reflexão simples: quando pensamos em impacto social , o que realmente queremos deixar para as próximas gerações?

Durante muito tempo, a filantropia esteve associada apenas ao ato de doar recursos. Hoje, felizmente, essa visão evoluiu. Filantropia estratégica significa investir em mudanças estruturais, apoiar soluções baseadas em evidências e fortalecer organizações capazes de gerar impacto em escala. Também pode significar mobilizar recursos para testar soluções na prática, aprender com a implementação e gerar evidências que possam depois informar e fortalecer políticas públicas. Trata-se de mobilizar recursos a serviço de transformações que continuem produzindo resultados muito depois de uma contribuição financeira ter sido realizada.

Quando falamos da infância, essa lógica se torna ainda mais poderosa. Investir em crianças é uma das decisões de maior retorno social que uma sociedade pode fazer e o capital humano mais valioso. Crianças que têm acesso à saúde, educação de qualidade, proteção e oportunidades tendem a desenvolver todo o seu potencial, contribuindo para comunidades mais prósperas, economias mais fortes e sociedades mais justas.

A pergunta que muitos potenciais filantropos fazem é legítima: “quero apoiar causas sociais. Por onde começo?”

Minha resposta é que ninguém precisa fazer essa jornada sozinho.

No UNICEF, construímos ao longo de décadas uma experiência que ajuda indivíduos, famílias e fundações a transformar sua intenção de contribuir em impacto concreto . Atuamos há mais de 75 anos no Brasil e em mais de 190 países e territórios, acompanhando os desafios das crianças e adolescentes em diferentes contextos e desenvolvendo soluções capazes de produzir mudanças duradouras. Chamamos esse processo de jornada filantrópica .

Ela começa pela escuta. Cada filantropo tem motivações, causas e objetivos próprios. Alguns desejam apoiar uma iniciativa específica. Outros preferem contribuir para uma área programática mais ampla, como educação, primeira infância, saúde, proteção contra violências ou ação climática. Há quem queira acompanhar de perto os resultados e quem prefira atuar de forma mais discreta. Existem famílias interessadas em fazer do investimento social uma prática geracional e indivíduos que desejam iniciar sua trajetória na filantropia.

Nosso papel é ajudar a transformar essas aspirações em estratégias de impacto.

Isso significa oferecer flexibilidade na destinação dos recursos , construir formas personalizadas de reconhecimento e engajamento, criar oportunidades de conexão com outros filantropos, aproximar doadores das comunidades apoiadas e compartilhar conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas de atuação. Significa também potencializar cada contribuição por meio da expertise do UNICEF e da nossa capacidade de trabalhar lado a lado com governos, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias, e claro, com as crianças e adolescentes, que formam parte da abordagem aos desafios que eles enfrentam.

Em outras palavras, não se trata apenas de financiar projetos. Trata-se de ampliar resultados e fazer parte da solução, assegurando que ela seja sustentável, duradoura e que seja capaz de fortalecer capacidades dos diferentes atores envolvidos.

Ao redor do mundo, famílias como Ryan, Slim, Gates e Mittal apoiam o UNICEF há anos, contribuindo para avanços que impactam milhões de crianças. No Brasil, também temos exemplos inspiradores de famílias, fundações e indivíduos que escolheram investir no futuro da infância, seja de forma pública ou privada. Parceiros como Infinis, Fundação Bradesco e Fundação Arymax demonstram que a filantropia pode ser uma força poderosa para impulsionar mudanças sociais de longo prazo.

O crescimento da riqueza privada no Brasil abre espaço para uma nova geração de filantropos. Pessoas que entendem que sucesso e responsabilidade caminham juntos. Que reconhecem que prosperidade genuína não se mede apenas pelo patrimônio acumulado, mas também pelo impacto que conseguimos gerar na vida de outras pessoas.

Nenhum país alcança seu pleno potencial quando mais da metade de suas crianças e adolescentes enfrenta algum tipo de privação. Nenhuma sociedade consegue construir um futuro sustentável deixando milhões de meninas e meninos para trás. E nenhuma transformação relevante acontece sem a participação daqueles que têm capacidade de mobilizar recursos , conhecimento e influência.

A boa notícia é que existe um caminho possível. E ele começa com uma decisão.

Neste Dia da Filantropia , meu convite é simples: se você já pensou em apoiar uma causa social, dê o primeiro passo. Procure organizações sérias, busque evidências de impacto, conheça os desafios que ainda persistem e descubra onde sua contribuição pode fazer mais diferença.

Porque toda grande transformação começa com uma escolha. E poucas escolhas têm o poder de gerar uma mudança tão duradoura quanto investir na infância.

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