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Panorama: Sem título

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Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 18:55
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Panorama: Sem título
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Vini Jr, do Real Madrid, se lamenta durante partida contra o Elche, pelo Campeonato Espanhol Imagem: REUTERS/Pablo Morano Quando a bola rolar no Camp Nou para o duelo entre Barcelona e Real Madrid, às 17h de domingo (25), um dos maiores protagonistas recentes do duelo estará longe do gramado. Suspenso por quatro partidas por puxar os cabelos de um adversário há duas semanas, Vini Jr. cumprirá o segundo jogo da pena.

Mesmo fora de campo, ele será um dos assuntos do dia. Até porque, nos últimos 7 anos, é impossível contar a história do confronto entre os gigantes sem citar o brasileiro.

Desde que disputou o Clássico espanhol pela primeira vez, em 6 de fevereiro de 2019, numa semifinal da Copa do Rei, Vini marcou 8 gols diante do arquirrival. Além disso, ele deu 7 assistências — um total de 15 participações diretas em gols, espalhadas por 24 jogos.

Há momentos emblemáticos, como os três gols na vitória por 4 a 1, pela Supercopa da Espanha, em janeiro de 2024. Ou o golaço do início deste ano, no mesmo torneio, quando Vini abriu a defesa catalã à base de dribles; o Real perdeu por 3 a 2, mas o lance entrou para a história.

Vini conseguiu, também, um feito com poucos precedentes na história do duelo: mais de uma vez, ele fez o Barcelona mudar de plano tático, apenas para tentar pará-lo. Nos jogos contra o Real Madrid, o zagueiro Ronaldo Araújo, hoje no Liverpool, era improvisado na lateral direita. A ideia era ter o setor reforçado para lidar com o brasileiro nas situações de 1 contra 1.

Só que, para esta edição do El Clásico , o cenário é bem diferente: a ausência de Vini Jr. não tem sido apontada como uma desvantagem para o Real Madrid — em muitos casos, o efeito é exatamente o contrário.

O camisa 7 faz o seu pior início de temporada desde que passou a ser titular, há seis anos. Até agora, foram 11 partidas, com um gol e três assistências. A última vez que Vini balançou as redes com a camisa do clube foi em 26 de agosto, na vitória por 4 a 1 contra a Real Sociedad.

Desde então, o brasileiro teve uma sequência de partidas abaixo da média, recebendo vaias de parte da torcida no Santiago Bernabéu. A situação se complica ainda mais porque seu substituto natural, o marfinense Yan Diomandé, tem feito boas partidas, incluindo um golaço de voleio contra o RB Leipzig, na quarta-feira, quando substituiu Vini no segundo tempo.

Há, nos bastidores do clube, um entendimento que o jovem de 19 anos, comprado por 140 milhões de euros — cerca de R$ 800 milhões, maior valor da história do clube — mereça ficar no time titular, mesmo quando a suspensão do brasileiro chegue ao fim. Uma boa atuação no clássico daria ainda mais força a essa corrente. "Neste clube, só o escudo é intocável", disse o técnico José Mourinho, ao ser perguntado sobre o assunto.

Vinicius Junior cumprimenta Xabi Alonso após sair da partida entre Real Madrid e Valencia pelo Campeonato Espanhol 2025 Imagem: Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images Onde a má fase começou? A fase atual é a pior desde que Vini Jr. ganhou status de titular no Real Madrid, mas a relação com setores da torcida e da imprensa e do próprio clube estão estremecidas desde a temporada passada.

Na linha do tempo, há pontos que podem ser vistos como fundamentais. Um deles aconteceu há um ano, em 26 de outubro de 2025, justamente em um clássico contra o Barcelona.

O Real Madrid vencia o duelo por 2 a 1 no Santiago Bernabéu, quando o então treinador Xabi Alonso substituiu Vini Jr, aos 27 minutos da etapa final. A troca provocou a ira do jogador que, na saída de campo, disse frases como "Sempre eu! Vou embora do time, é melhor eu ir embora!".

Aquela polêmica é apontada nos bastidores do clube como um divisor de águas na passagem de Xabi Alonso pelo clube. O técnico foi demitido em 12 de janeiro deste ano, dois meses e meio depois das queixas públicas de Vini. Grupos de torcedores atribuem a saída à relação ruim com o brasileiro, e entendem que o treinador espanhol merecia mais tempo; por isso, há uma tendência a serem mais duros com o ponta-esquerda.

A Copa do Mundo mostrou um Vini Jr. bem diferente, com os gols, dribles e a ousadia de seus melhores momentos no clube. Mas, uma vez encerrado o torneio, a novela sobre a renovação de contrato também se transformou em polêmica.

O Real Madrid passou meses sem dar respostas à proposta enviada pelos empresários do jogador, que incluía um aumento salarial e vínculo com o clube até 2032. Em meio ao silêncio dos dirigentes, surgiram rumores sobre um possível interesse do Arsenal. Ao UOL , pessoas ligadas ao jogador afirmaram que nunca houve proposta dos ingleses.

Mesmo sem uma conversa com o Arsenal, os ruídos na imprensa inglesa pegaram mal no entorno madridista. Pela primeira vez desde que Vini tornou-se um líder técnico do grupo, havia algo no ar sobre uma possível saída do clube da capital espanhola.

Nesse contexto, as imagens da casa do camisa 7 abarrotada de visitas, durante o relacionamento com a influenciadora Virgínia Fonseca, também não ajudaram. Embora o estafe do jogador negue, criou-se uma narrativa de que o jogador vinha tendo sua preparação física prejudicada por fatores extracampo; a percepção chegou à comissão técnica de José Mourinho.

Vini Jr, do Real Madrid, se lamenta durante partida contra o Elche, pelo Campeonato Espanhol Imagem: REUTERS/Pablo Morano E agora? Com a posição de titular sob risco e sendo criticado por quem já o aplaudiu como jogador decisivo em duas finais de Champions League, Vini Jr. enfrenta agora um desafio novo na carreira: reconquistar seu espaço no time e, também, a confiança da torcida.

Não há, segundo o próprio Real Madrid, qualquer chance de saída em um horizonte próximo. Vini terá de ficar e lutar.

O cenário atual requer paciência: suspenso dos duelos contra Racing e Valencia, no Campeonato Espanhol, Vini terá apenas uma partida pelo clube antes da Data Fifa de novembro. O Real Madrid enfrenta o AEK, da Grécia, no dia 4 do próximo mês, pela Champions League, onde a suspensão do brasileiro não se aplica.

Depois, Vini terá a oportunidade de disputar os amistosos da seleção brasileira contra Japão e Singapura. Sob o comando de Carlo Ancelotti, em outro ambiente e com a posição de protagonista assegurada, ele teria a chance de se preparar para o retorno às atividades no clube espanhol.

Até lá, a situação é bem diferente: no domingo, suspenso, Vini assistirá de longe a um dos jogos mais importantes da temporada. Um duelo que ele já decidiu quase sozinho, em que já marcou um dos gols mais bonitos da carreira, e que, durante anos, girava em torno dele.

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