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Região: Sem título

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 19:55
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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24.out.2026 às 6h00 Atualizado: 24.out.2026 às 10h16 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Taylor Mitchell Brown The New York Times Em meio à serra do Mar, ouve-se um som praticamente ensurdecedor. A araponga ( Procnias nudicollis ), que emite chamados para atrair as fêmeas, não é maior que um pombo. Ainda assim, seu canto pode ser tão alto quanto o barulho de uma britadeira ou de uma motosserra.

Esse é um dos cantos de ave mais altos já registrados, segundo um artigo publicado no fim de setembro na revista científica Evolution. Seu som vai a 122,4 decibéis.

"Elas podem até superar elefantes, leões, lobos e bisões", afirmou o biólogo João Menezes, Universidade de Massachusetts Amherst (EUA), principal autor do estudo.

Ao lado dela no topo do ranking de volume sonoro, segundo os pesquisadores, está outra espécie brasileira: a seriema-de-perna-vermelha ( Cariama cristata ), capaz de atingir 121,2 dB.

A dupla se juntou à araponga-da-amazônia ( Procnias albus ), identificada anteriormente como uma das aves mais barulhentas conhecidas pela ciência, atingindo até 121,2 dB. Esta espécie habita regiões específicas da amazônia, e os sons usados no estudo foram captados na serra do Apiaú, em Roraima, em 2018 e 2019.

Todos os valores, segundo Menezes, foram padronizados para uma distância de um metro da ave, permitindo a comparação entre as espécies.

"Considerarmos as três espécies essencialmente empatadas, mesmo que a araponga tenha atingido o maior valor", explicou o pesquisador. "Se considerarmos o canto mais alto registrado por qualquer indivíduo, a araponga de fato fica em primeiro lugar. Mas, se considerarmos a média dos valores máximos registrados para cada indivíduo, a seriema ou a araponga-da-amazônia se sobressaem, dependendo da medida utilizada."

O estudo também revelou algumas das características anatômicas que permitem cantos tão potentes.

"Esse estudo é, de longe, a maior comparação da amplitude sonora entre diferentes espécies de aves", afirmou o ornitólogo Gonçalo Cardoso, da Universidade do Porto (Portugal), que não participou da pesquisa.

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"Até recentemente, era pouco prático ir a campo e medir a amplitude", disse Menezes.

Para cumprir essa tarefa, os pesquisadores precisam ser capazes de distinguir uma ave em meio a várias e determinar a distância exata dela em relação ao local de onde estão gravando.

Segundo Menezes, nem mesmo o ganso-do-canadá, uma das espécies de aves mais conhecidas e facilmente identificáveis da atualidade, teve sua amplitude medida. "É como entrar em um mundo completamente novo."

No estudo, Menezes e seus colegas adotaram dois instrumentos para medir o canto das aves na natureza. Um deles, um telêmetro, é o mesmo dispositivo a laser que golfistas utilizam em campo para medir a distância até os buracos. O outro, um medidor de nível sonoro, permite identificar qual ave está emitindo o chamado, isolando-o do ruído de fundo e dos sons de outras aves.

As arapongas são realmente fascinantes, porque, além de produzirem sons tão altos, elas fazem isso mesmo tendo um corpo tão pequeno

Os pesquisadores começaram o trabalho no início da pandemia de Covid-19, quando as medidas de confinamento mantinham silenciosas as ruas de Amherst, no estado americano de Massachusetts.

Em seguida, a equipe veio ao Brasil, onde há uma diversidade muito maior de espécies de aves.

Ao todo, os pesquisadores registraram a amplitude do canto de 123 aves. Com as informações reunidas em um banco de dados, eles puderam investigar o que permite que elas tenham cantos tão diferentes.

Eles constataram que a amplitude variava bastante entre as espécies. Os cantos mais suaves eram os dos beija-flores, cujas melodias atingiam cerca de 50 decibéis —um nível semelhante ao som de uma chuva moderada.

A araponga e a seriema-de-perna-vermelha se destacaram entre as demais.

A araponga vive na mata atlântica, sobretudo em áreas bem preservadas. Para o estudo, os pesquisadores fizeram gravações da espécie no Vale do Ribeira e na região metropolitana de São Paulo e na serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Todas em 2023 e 2024.

A seriema habita o cerrado, porém também pode ser encontrada em áreas fora do bioma modificadas por humanos, a exemplo de plantações e pastagens. Para a pesquisa, houve registro de cantos na cidade de Ibiúna, a 69 quilômetros da capital paulista, em 2024.

"As arapongas são realmente fascinantes, porque, além de produzirem sons tão altos, elas fazem isso mesmo tendo um corpo tão pequeno", afirmou o ecólogo Jeff Podos, especialista em aves da Universidade de Massachusetts Amherst e coautor do estudo.

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As aves são capazes de cantar em um volume tão alto, em parte, porque possuem um órgão que evoluiu de forma singular, chamado siringe, que recebe o ar dos pulmões e o projeta pelo longo tubo da traqueia.

"É como um tubo que desempenha a mesma função do tubo de um instrumento musical, como um trombone ou um trompete", comparou Podos. "Ele ajuda a concentrar a energia em uma faixa estreita de frequências, facilitando atingir picos de volume mais altos."

Ao comparar a anatomia das aves com suas vocalizações, os pesquisadores identificaram duas características adicionais que contribuem para a intensidade sonora: a largura do bico e o tamanho geral da ave. Bicos largos funcionam como as campanas nas extremidades dos instrumentos de metal, permitindo que as aves projetem um som mais amplo. Segundo Menezes, aves maiores também são favorecidas por terem gargantas mais robustas e fortes.

"Aves maiores tendem a ter músculos maiores e mais volumosos, capazes de gerar mais pressão interna do ar", afirmou. "E a pressão do ar é exatamente o que produz sons altos."

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