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27.out.2026 às 23h50 Atualizado: 27.out.2026 às 23h50 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Walter Porto Isadora Laviola São Paulo Pelo segundo ano consecutivo, o biógrafo e escritor Ruy Castro foi sagrado o autor do melhor livro do ano pelo prêmio Jabuti, agora pelo livro-reportagem "Trincheira Tropical". É a primeira vez que uma dobradinha assim acontece na história do prêmio.
Já "Meridiana", da carioca Eliana Alves Cruz, foi eleito o melhor romance literário do ano. Os dois livros saíram pela Companhia das Letras. A versão francesa do romance "Os Substitutos", de Bernardo Carvalho, e um livro de a engenheira Martha Gabriel —ambos autores colunistas da Folha — também foram premiados, respectivamente, como o melhor livro brasileiro publicado no exterior e com o troféu de economia criativa.
A obra de Ruy Castro investiga os efeitos da Segunda Guerra Mundial na vida dos cariocas e a participação deles no conflito europeu e ganhou na categoria de biografia e reportagem. No ano passado, Castro foi eleito por sua coletânea de crônicas sobre Tom Jobim.
O imortal da Academia Brasileira de Letras já venceu há 30 anos por sua biografia seminal de Mané Garrincha, "Estrela Solitária", e foi escolhido melhor romancista literário em 2023 por "Os Perigos do Imperador", de tintas mais ficcionais.
Dessa vez, o autor não esteve na cerimônia —esta foi em São Paulo, enquanto no ano passado aconteceu no Rio de Janeiro, onde ele mora. Foi representado por sua editora na Companhia das Letras, Camila Berto.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Ela apontou a coincidência de o escritor ser premiado no exato dia em que sua editora completa 40 anos —Castro é o autor mais publicado pela Companhia, desde seu clássico "Chega de Saudade", de 1990.
Alves Cruz também já foi reconhecida há quatro anos pelo livro de contos "A Vestida", da Malê. Agora ela prevaleceu em uma categoria de romance com nomes fortes, já premiados, como Milton Hatoum e Itamar Vieira Junior.
O romance acompanha a história de uma família negra que ascende de classe social e se muda da periferia para um condomínio, observando sua relação com o racismo e seu horizonte de possibilidades mudar aos poucos. A obra centra seu olhar na caçula dos três filhos, a menina Meridiana, que tem o olhar mais ácido entre os personagens.
O escritor baiano Ian Fraser foi coroado como autor do melhor romance de entretenimento por "Cartografia para Caminhos Incertos", da editora Intrínseca. Era um dos poucos livros lançados por uma grande editora na categoria. O autor subiu ao palco aos gritos de "viva a democracia", com uma camisa vermelha estampada com o presidente Lula (PT).
O melhor livro de poesia do ano foi "Boris e Marina", que Alberto Martins publicou pela Companhia das Letras —o autor veterano também atua como editor na 34. A obra usa cartas reais trocadas há cem anos pelos poetas Boris Pasternak, Marina Tsvetáieva e Rainer Maria Rilke, entre a Rússia, a França e a Suíça, como ponto de partida para a elaboração de sua voz poética.
Já a melhor poeta estreante foi Juliana Cajives, multiartista goiana radicada em Salvador, que teve seu livro "História a que Ninguém Deu Nome" publicado na editora baiana Mormaço Editorial. Em romance de estreia, venceu "Pitangas Verdes", de Mariana Lobato Botter, que também é diplomata e mantém a página Livro Diverso para divulgação de literatura. O livro foi lançado pela independente Labrador.
O potiguar Luckas Iohanathan se tornou bicampeão no Jabuti de histórias em quadrinhos por "Ouroboros", publicado pela Comix Zone, assim como seu livro premiado dois anos atrás, "Como Pedra".
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... A categoria de melhor livro de contos surpreendeu ao premiar o também estreante Abáz, escritor e professor baiano responsável pelos contos de "Massaranduba", que tematiza a periferia de Salvador. O livro lançado pela editora Senac do Rio de Janeiro, já reconhecido com o prêmio Sesc, superou autores veteranos como Andréa Del Fuego e João Anzanello Carrascoza.
Já o prêmio de melhor cronista foi para um autor já muito experimentado no ramo, Humberto Werneck, reconhecido por seu "Viagem no País da Crônica", coletânea publicada pela editora Tinta-da-China Brasil.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do time do Atlético Mineiro, subiu ao palco para apresentar o prêmio de incentivo à leitura voltado à cultura digital —o futebolista viralizou recentemente ao recomendar leituras em vídeos nas redes sociais, fazendo dispararem as vendas de clássicos como "A Morte de Ivan Ilitch", de Liev Tolstói.
O prêmio foi para Pedro Pacífico, conhecido como Bookster, que tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram.
A engenheira especializada em tecnologia Martha Gabriel venceu o prêmio de economia criativa por "A (R)Evolução das Habilidades para o Futuro do Trabalho na Era da Inteligência Artificial", publicada pelo Senac. A autora se tornou colunista da Folha no último mês, no C-Level, novo site de negócios e finanças do jornal.
O compêndio do escritor Tulio Custodio sobre Abdias do Nascimento publicado pela editora Todavia foi sagrado como melhor livro de artes. Da mesma editora, o psicanalista e tradutor Paulo Schiller ganhou em saúde e bem-estar pelo livro "A Paixão pela Mentira", longo ensaio sobre a relação entre política e laços familiares, perpassando temas como masculinidade e autoritarismo.
O prolífico educador Mario Sergio Cortella, figura pop do setor, ganhou na categoria de negócios por um livro sobre gestão e liderança lançado pela Record. O vencedor em educação foi "Como Conversar com Crianças sobre Racismo e Diversidade", de Manuel Alves de Sousa Junior para a Schreiben, editora de Santa Catarina.
O melhor projeto gráfico foi para o designer Raul Loureiro, da Cosac, pela obra de arte visual "Dobra", de Carlos Fajardo, um dos trabalhos que relançaram a editora de Charles Cosac —que foi receber o prêmio em pessoa, vestindo um chapéu peludo preto e um longo robe estampado.
O melhor tradutor foi o veterano Rubens Figueiredo por sua versão de "O Cavaleiro de Bronze e Outros Contos e Versos", antologia de um clássico russo de Aleksandr Púchkin para a Penguin-Companhia das Letras. E a melhor capa foi a feita pelo estúdio Alles Blau para "Frans Krajcberg", obra sobre o artista plástico lançada pela editora do Masp.
Para arrematar as categorias de produção editorial, o melhor ilustrador foi Vinicius Sabbato pelo trabalho em "Guernica: A Arte em Busca da Paz", de pequena editora Via Lúdica.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... O Jabuti começou após quase uma hora de discursos de autoridades envolvidas de alguma forma no prêmio. Na primeira menção na cerimônia ao presidente reeleito Lula, feita por Fernanda Pacobahyba, que preside do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, houve uma saraivada de aplausos e gritos na plateia, incluindo coros esparsos de "olê, olê, olá, Lula, Lula".
O primeiro prêmio da noite foi de projeto de incentivo à leitura Cartovivências nas Periferias da Cidade, tocado por Ricardo Barbosa da Silva a partir da zona leste de São Paulo, ligando conceitos de cartografias dos lugares sociais e escrevivência, termo popularizado por Conceição Evaristo.
Em seguida, a versão francesa do romance "Os Substitutos", que o colunista da Folha e escritor Bernardo Carvalho publicou originalmente na Companhia das Letras, foi sagrada como o melhor livro brasileiro publicado no exterior.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Os premiados são eleitos por um júri de 78 pessoas, três votantes para cada uma das categorias, com exceção da estreante de incentivo à leitura em cultura digital, cujo vencedor foi eleito por 12 jurados e votação popular. A nova categoria é dedicada a influenciadores que promovem a literatura e a leitura pelas redes sociais.
Com essa mudança, a antiga categoria de fomento à leitura passa a se chamar "incentivo à leitura – projeto", voltada a iniciativas como A Feira do Livro e o Programa de Rádio Universo Literário, ambos finalistas.
Cada vencedor recebe R$ 5.000. Quem ganhar como livro do ano, a principal categoria da noite, ganha R$ 70 mil e pode optar por viajar a uma das quatro principais feiras literárias do mundo.
A escritora homenageada desta edição foi a veterana Lygia Bojunga, referência em literatura infantojuvenil e vencedora do prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel do gênero.
Veja a seguir a lista completa de finalistas e vencedores.
'Abdias, Intérprete do Brasil: Textos sobre Raça e Cultura Brasileira de 1940 a 1990', organizado por Tulio Custódio | editora: Todavia
'Histórias da Ecologia', organizado por Adriano Pedrosa, André Mesquita, Isabella Rjeille | editora: Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)
'A Audácia dos Invertidos: As Estratégias de Sobrevivência e Visibilidade LGBTI+ no Rio de Janeiro e Sua Importância no Brasil (1950-1990)', de Rodrigo Faour | editora: Record
'A (R)Evolução das Habilidades para o Futuro do Trabalho na Era da Inteligência Artificial', de Martha Gabriel | editora: Senac São Paulo
'Fazer Cinema no Brasil: Mercado, Políticas Públicas e Ecossistema Empreendedor Cultural', de Fernando Antonio Prado Gimenez | editora: Caravana Grupo Editorial
'Inovação com Propósito: Negócios com Impacto Social', organizado por Caio Flavio Stettiner, Clayton Alves Cunha e Clayton Pedro Capellari | editora: Belas Artes
'Renda Básica Viável: Para o Governo e o Congresso Reduzirem a Alta Desigualdade de Renda no Brasil', de Walter Barretto Jr. | editora: obra independente
'Agora o Meu Chão São as Nuvens: As Famílias Contemporâneas e os Desafios na Educação de Crianças e Adolescentes', de Hugo Monteiro Ferreira | editora: Autêntica
'Atlas da Amazônia Brasileira: Um Retrato Abrangente e Atual da Amazônia Brasileira com Mais de 300 Mapas e Ilustrações', de Clovis Luciano Teixeira | editora: obra independente
'Estado, Economia, Desafios Fiscais e Reformas Estruturais no Brasil: Textos em Homenagem a Eduardo Guardia', organizado por Ana Carla Abrão, Ana Paula Vescovi e Pedro S. Malan | editora: História Real
'Governança Regenerativa: Uma Evolução do Sistema de Governança para Enfrentar os Desafios do Mundo em Transição', de Gabriela Blanchet | editora: Bambual
'Não se Esqueça!: 50 Memorandos sobre Gestão e Liderança com Propósito, Comprometimento e Proatividade', de Mario Sergio Cortella | editora: Record
'O Manual da Empresa Antirracista: Como Transformar a Sua Empresa em uma Potência que Luta por Todos', de Adriana Alves | editora: Planeta do Brasil
'A Revolução da Longevidade: Vivemos Mais do que Nunca. Mas Estamos Preparados para Isso?', de Alexandre Kalache | editora: Vestígio
'O Cantar de Roldão: Chanson de Roland', traduzido por Ronald Costa | editora: Ateliê Editorial e Edufu (Editora da Universidade Federal de Uberlândia)
Luciana Coelho, secretária-assistente de Redação da Folha, foi jurada na categoria de romance de entretenimento; a ombudsman Alexandra Moraes integrou o júri na categoria de artes; o repórter especial Igor Gielow avaliou a categoria de livro brasileiro publicado no exterior
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