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Panorama: Sem ajuste fiscal no Lula 4, Selic deve ficar alta por mais tempo, diz relatório

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 11:45
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Panorama: Sem ajuste fiscal no Lula 4, Selic deve ficar alta por mais tempo, diz relatório
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Sem ajuste fiscal no Lula 4, Selic deve ficar alta por mais tempo, diz relatório Agência de classificação de risco avalia que a continuidade da atual política fiscal pode manter os juros elevados, pressionar os investimentos e dificultar a estabilização da dívida pública Lula 4: decisões do governo podem impactar a taxa de juros (Ricardo Stuckert/Flickr)

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A Moody's avalia que a Selic deve permanecer elevada por mais tempo caso o governo Lula não avance com medidas de ajuste fiscal. A agência prevê a continuidade da atual política econômica no quarto mandato do presidente, com mudanças graduais nas contas públicas. Segundo o relatório, a ausência de reformas pode elevar a dívida pública, pressionar os investimentos e dificultar o crescimento econômico.

A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, deve permanecer elevada por mais tempo caso o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não avance com medidas de ajuste fiscal.

A avaliação consta de um relatório da Moody's Ratings, agência de classificação de risco, divulgado nesta semana, após a reeleição do petista. Segundo a agência, a manutenção da atual trajetória das contas públicas pode prolongar os juros altos, elevar o custo da dívida e prejudicar o crescimento econômico e os investimentos.

A Moody's espera que Lula mantenha, em seu quarto mandato, o atual arcabouço fiscal, com foco no resultado primário e ajustes pequenos e graduais. A agência avalia que o governo deve continuar buscando a melhora das contas públicas por meio do crescimento econômico, do aumento da arrecadação e de medidas para ampliar a eficiência dos gastos.

No entanto, a agência considera que essa estratégia está em desacordo com a política monetária do Banco Central. Na avaliação da Moody's, a atual política fiscal brasileira é excessivamente expansionista, o que contribui para manter a inflação pressionada e dificulta a redução dos juros.

"Como resultado, esperamos que a taxa básica de juros Selic, atualmente em 13,75%, permaneça elevada por mais tempo, até que sejam adotadas medidas claras em direção à consolidação fiscal", afirma a agência, em tradução de trecho do relatório.

Apesar dos riscos, a agência afirma que a reeleição de Lula não altera, neste momento, sua avaliação sobre o perfil de crédito soberano do Brasil, que permanece com nota Ba1 e perspectiva estável.

A agência avalia que o principal desafio econômico do novo mandato de Lula será estabilizar a trajetória da dívida pública e recuperar a credibilidade da política fiscal brasileira, que, segundo o relatório, sofreu uma deterioração significativa nos últimos anos.

A dívida bruta do governo geral passou de aproximadamente 72% do Produto Interno Bruto (PIB), na época das eleições presidenciais de 2022, para cerca de 83% atualmente, segundo a Moody's.

O relatório destaca que os elevados custos de financiamento contribuem para déficits fiscais nominais equivalentes a 8% a 9% do PIB, apesar de o país registrar déficits primários próximos de 0,5% do PIB.

A diferença está no pagamento dos juros da dívida. Enquanto o resultado primário considera receitas e despesas sem incluir os juros, o resultado nominal incorpora esses encargos.

Segundo a Moody's, as despesas anuais com juros representam aproximadamente 20% das receitas do governo geral.

O Tesouro Nacional projetou, em abril de 2026, que a dívida bruta do governo geral alcançaria aproximadamente 86% do PIB em 2027 e atingiria um pico próximo de 88% em 2029, antes de iniciar uma trajetória gradual de queda.

A Moody's alerta, porém, que a relação entre dívida e PIB pode aumentar ainda mais caso ajustes fiscais significativos não sejam implementados.

Além dos desafios econômicos, a Moody's aponta obstáculos políticos para a aprovação de medidas de contenção de despesas durante o novo mandato de Lula.

A agência avalia que a relação entre o Executivo e o Congresso deve se tornar ainda mais desafiadora após as eleições de 2026, diante do aumento da representação dos partidos de oposição.

O Partido Liberal (PL), principal legenda de oposição ao governo, ampliará sua bancada de 16 para 28 senadores, de um total de 81 cadeiras. Na Câmara dos Deputados, o partido passará de 98 para 121 representantes, de um total de 513, a partir de 2027.

Segundo a Moody's, um Congresso mais alinhado à direita não significa necessariamente maior facilidade para aprovar reformas fiscais.

A agência argumenta que medidas como cortes em despesas sociais e mudanças em programas previdenciários têm custos políticos elevados e dificilmente seriam propostas pelos próprios parlamentares.

Essas reformas dependeriam, inicialmente, de iniciativas do Executivo e, posteriormente, de aprovação pelo Congresso.

O relatório destaca ainda que mais de 90% das despesas públicas são determinadas por lei, o que limita a capacidade do governo de reduzir gastos sem mudanças legislativas.

Nesse cenário, a Moody's espera que Lula recorra com maior frequência a medidas do Executivo, bancos públicos, fundos especiais, alterações regulatórias e empresas estatais para implementar sua agenda.

Apesar da expectativa de continuidade da atual política fiscal, a Moody's não descarta uma mudança de orientação econômica durante o quarto mandato de Lula.

A agência afirma que um compromisso mais firme com a consolidação fiscal pode surgir durante a formação da nova equipe econômica.

Segundo o relatório, ajustes mais profundos e implementados no início do mandato ajudariam o Brasil a recuperar parte da credibilidade fiscal perdida, reduzir os prêmios de risco e aliviar as pressões inflacionárias.

Essas medidas também poderiam contribuir para a redução dos custos de financiamento da economia.

A Moody's ressalta, contudo, que a aprovação de reformas mais profundas exigirá a construção de consensos no Congresso, com custos políticos potencialmente elevados para o governo.

A agência afirma que acompanhará a formação da nova equipe econômica e a apresentação de uma trajetória considerada crível de consolidação fiscal de médio prazo, começando pelo Orçamento de 2027.

Entre as medidas consideradas positivas para o perfil de crédito do Brasil estão mudanças nas regras de vinculação obrigatória de despesas e a desvinculação de determinados benefícios do salário mínimo.

Por outro lado, a ausência de avanços no ajuste fiscal, a manutenção de custos elevados para o pagamento da dívida e um período prolongado de crescimento econômico fraco seriam fatores negativos para a avaliação de crédito do país.

A agência avalia que a atual política fiscal brasileira é excessivamente expansionista e contribui para manter a inflação pressionada. Sem medidas claras de consolidação fiscal, a Moody's espera que o Banco Central mantenha a Selic elevada por mais tempo.

O relatório considera a Selic em 13,75% ao ano. A Moody's prevê que os juros permaneçam elevados por mais tempo caso não haja avanços significativos no ajuste das contas públicas.

A agência prevê que o governo mantenha o atual arcabouço fiscal, com ajustes pequenos e graduais, priorizando o crescimento econômico, o aumento da arrecadação e a eficiência dos gastos públicos.

Segundo estimativas da Moody's, o Brasil precisaria alcançar um superávit primário equivalente a 2% a 3% do PIB para estabilizar a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia. A agência considera que um ajuste dessa magnitude não seria possível sem reformas.

O relatório cita uma projeção do Tesouro Nacional, feita em abril de 2026, segundo a qual a dívida bruta do governo geral alcançaria aproximadamente 86% do PIB em 2027 e chegaria perto de 88% em 2029, antes de iniciar uma trajetória de queda.

A Moody's avalia que o aumento da representação dos partidos de oposição no Congresso pode dificultar a aprovação de reformas fiscais. Mudanças nas despesas obrigatórias dependem de aprovação legislativa, enquanto alterações constitucionais exigem maioria de três quintos dos parlamentares.

Não. O relatório informa que a reeleição de Lula não altera a avaliação do perfil de crédito soberano do Brasil, classificado em Ba1, com perspectiva estável. A agência alerta, porém, que a ausência de consolidação fiscal e a manutenção de custos elevados da dívida podem pressionar negativamente o perfil de crédito do país ao longo do tempo.

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