Panorama: Ressaca fiscal deve cortar margens e exigir seleção criteriosa de ações, diz HIX
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Consulte formatos e valores disponíveisA possível desaceleração econômica decorrente do encerramento dos estímulos fiscais deve pressionar os balanços das companhias abertas no próximo ano, segundo o fundador da HIX Capital, Rodrigo Heilberg. Ao apontar um cenário de queda nas margens de lucro e resultados operacionais mais fracos, o investidor precisa escolher empresas que não dependam do consumo interno e que tenham receitas previsíveis e garantidas.
A análise do mercado e das estratégias de investimentos foi apresentada no programa Stock Pickers , conduzido por Lucas Collazo. Durante a conversa, Heilberg afirmou que a busca por expansão de lucros se tornou complexa na bolsa de valores brasileira, com exceção de nomes do mercado de capitais como B3 (B3SA3), XP e BTG Pactual (BPAC11).
Atravessar esse momento sem depender de incentivos governamentais ou ciclos eleitorais pode ser desafiador, mas não impossível: a gestora optou por concentrar recursos em empresas com fluxo de caixa previsível e demanda resiliente, como Eneva (ENEV3), OceanPact (OPCT3), GPS (GGPS3) e Cury (CURY3).
Leia mais: Queda dos juros no Brasil pode destravar ganho de até 80% na Eneva (ENEV3)
“O portfólio como um todo assim, ele está bem posicionado em histórias defensivas com um viés de companhias que eu estou buscando crescimento”, afirmou Heilberg.
Heilberg pontua que no setor elétrico, a ocorrência do fenômeno de sobreoferta pontual renovável, conhecido como curtailment, eleva pontualmente os preços do Megawatt-hora (MWh) nos horários de pico e amplia as margens de usinas térmicas que operam com gás natural próprio.
O gestor explica que o desempenho da Eneva foi impulsionado pelo leilão de reserva de capacidade realizado em março deste ano, que assegura a expansão do resultado sem exigir o consumo acelerado das reservas de combustível.
“Ela [Eneva] vai ter muito mais resultado gastando muito menos molécula, e o duration do fluxo vai voltar um pouco para aquele ponto: talvez ela tinha 10 anos de gás, talvez ela tem 20 anos de gás. Então, tem mais lucro e mais prazo para monetizar aquele gás”, afirmou Heilberg.
Além da tese energética, o fundador da HIX Capital destaca que movimentos de consolidação no setor de navegação e apoio marítimo geram ganhos de escala para fornecedores da Petrobras (PETR4). Segundo Heilberg, a fusão das frotas da OceanPact (OPCT3) e da CBO criou uma operação de quase 70 embarcações, que se beneficia da escassez mundial de barcos e da falta de espaço em estaleiros globais.
A diversificação defensiva do portfólio inclui ainda prestadoras de serviços essenciais de limpeza e segurança, como a GPS, que combina crescimento orgânico e aquisições, e incorporadoras voltadas ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, a exemplo da Cury.
Para Heilberg, a prioridade continua sendo a preservação de capital em ativos de alta qualidade corporativa. “Eu acho que a gente ainda tem um viés muito grande de tentar ficar em companhias muito sólidas, mesmo entendendo que elas não vão ser as companhias que vão subir mais”, disse.
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