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Panorama: Protestos ameaçam adesão à UE, não o governo, diz premiê da Albânia

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por CNN Brasil 18 de outubro de 2026 às 18:20
Via CNN Brasil
Panorama: Protestos ameaçam adesão à UE, não o governo, diz premiê da Albânia
Foto: Foto: CNN Brasil
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O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou, neste domingo (18), os pedidos para que renunciasse ao cargo. Ele afirmou que os protestos de rua — que entraram em seu sexto dia — não representam uma ameaça ao seu governo, mas sim ao desejo do país de ingressar na União Europeia.

As manifestações, lideradas por estudantes e impulsionadas pela indignação com a suposta corrupção governamental, a escassez de empregos e a precariedade do sistema educacional, tomaram conta do centro de Tirana e se espalharam por outras cidades ao longo da última semana.

Manifestantes que exigem a renúncia de Rama incendiaram prédios públicos e agências bancárias, quebraram vitrines de lojas e arrancaram pedras do calçamento para arremessar contra a polícia.

Ao menos 167 pessoas foram presas em protestos na Albânia, diz polícia Milhares protestam na Albânia e exigem renúncia do primeiro-ministro Manifestantes disparam fogos de artifício contra a polícia na Albânia A violência voltou a eclodir neste domingo, quando milhares de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação e lançaram pedras contra a tropa de choque, que respondeu com gás lacrimogêneo, jatos d'água e balas de borracha.

A onda de agitação — que sucede meses de protestos majoritariamente pacíficos ocorridos durante o verão contra um empreendimento de luxo no litoral, apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump — representa o maior desafio enfrentado até agora por Rama. Ele governa o país desde 2013 e, no ano passado, conquistou seu quarto mandato.

"Não sou eu quem está sendo desafiado, nem o governo, nem a maioria governista ou o partido vencedor das eleições; o que está em xeque é um caminho, uma missão", declarou Rama em uma transmissão ao vivo pelo Facebook.

"Os albaneses precisam refletir com clareza: o que eles querem? Querem isso, querem aquilo, ou querem a União Europeia?"

Rama convidou os estudantes para um diálogo, enquanto, no domingo — antes do início dos protestos —, escavadeiras removiam as pedras do calçamento em frente ao seu gabinete, no centro de Tirana.

"Isso, de forma alguma, vai deter os manifestantes. O objetivo é apenas eliminar qualquer possibilidade de proteção para os manifestantes contra a polícia. É só isso", afirmou Elton Prendi, de 40 anos, morador de Tirana.

A Comissão Europeia condenou o uso de violência em Tirana e em outras cidades, ao mesmo tempo em que saudou o compromisso das autoridades em proteger o direito da população de protestar.

Segundo a chancelaria austríaca, Rama cancelou uma reunião que estava agendada para segunda-feira, em Viena, com o chanceler austríaco Christian Stocker. Escândalos de corrupção mancharam a imagem da Albânia ao longo dos anos, e analistas afirmam que o país é um centro para grupos criminosos que buscam lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas.

No entanto, Rama declarou que seu governo está combatendo a corrupção como nunca antes. Ao lado de Montenegro, a Albânia lidera atualmente o grupo de países dos Bálcãs que buscam ingressar na União Europeia, com a meta de concretizar a adesão até 2030.

Rama atribuiu os protestos — bem como o que ele descreveu como uma tentativa de ataque com drone ao seu gabinete, ocorrida esta semana — a interesses estrangeiros não especificados.

"Deus sabe quais serão as consequências. Não há jovens, estudantes ou menores de idade que sequer pensariam em executar um plano como este. Trata-se de uma interferência estrangeira", afirmou.

A polícia informou que 388 pessoas foram acusadas de crimes durante as manifestações. Dezenas de policiais e manifestantes ficaram feridos.

#Política#Governo
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