Panorama: O rap continua a ser uma voz de contestação da periferia
Artistas realizam em São Paulo, neste domingo 18, um ato musical contra o retrocesso

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Consulte formatos e valores disponíveisJornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
O rap continua a ser uma voz de contestação da periferia O gênero surgiu como resposta à exclusão social. Artistas realizam em São Paulo, neste domingo 18, um ato musical contra o retrocesso
Muito se discute sobre o afastamento do rap de sua origem combativa. Nascido nos Estados Unidos na década de 1970 a partir do movimento hip-hop, o gênero carregava valores de combate à exclusão. Embora tenha se modificado ao longo das décadas, ele continua alinhado a pautas de esquerda voltadas à transformação social.
Neste domingo 18, às 15h, expoentes como Emicida, Ajulliancosta e Rashid realizam um ato musical contra o retrocesso em frente ao Centro Cultural da Juventude , na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. O rap expressa a experiência de um mundo periférico e ameaçador à sua própria existência — um contraponto direto ao ideário conservador que rejeita qualquer comportamento sedicioso.
Pioneiros do rap no Brasil, de Thaíde a DJ Hum, passando pelos Racionais MCs, abordavam as desigualdades sociais de forma incisiva nos anos 1990. Com o passar do tempo, no entanto, as composições mudaram: novos artistas passaram a ressaltar também a necessidade do autoamor e do autocuidado.
A mudança mais profunda veio mais tarde, com pautas menos sociais e mais individualizadas — um fenômeno global. A expressão mais clara dessa transformação consolidou-se no trap, um subgênero do rap.
Essa despolitização do rap emergiu paralelamente à ascensão da extrema-direita e à propagação de um falso discurso antissistema. Ainda assim, isso não significou o fim do protagonismo do gênero nas periferias. Ao contrário, ele continuou a reivindicar reconhecimento social.
Apesar dessa guinada, vale destacar que rappers da geração atual, como BK, Don L, Djonga e Fabrício FBC, mantêm um evidente tom de crítica social, enquanto artistas como Duquesa, Tasha e Tracie e MC Soffia pregam a liberdade feminina.
O crescimento da indústria musical do rap também funcionou como um fator de despolitização. O gênero precisou se adaptar às demandas do mercado para ampliar seu público e ocupar novos espaços, além das fronteiras tradicionais da periferia.
Nesse novo contexto, as mensagens do rap tornaram-se mais subliminares, mas o ritmo não perdeu sua essência: continuou a exercer um papel acolhedor nas periferias, combatendo a discriminação persistente e ecoando a luta pela sobrevivência.
O rap permanece como uma ferramenta poderosa de contestação. Ele representa a cultura periférica e segue firme como a voz dos excluídos.
Augusto Diniz Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
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