Panorama: O presidente, a pressa e o preço do desespero
No primeiro caso, o governante procura resolver os problemas do país.

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Consulte formatos e valores disponíveisCena Urbana por Vicente Serejo Jornalista ([email protected])
Há uma diferença entre governar para o povo e governar olhando para a pesquisa. No primeiro caso, o governante procura resolver os problemas do país. No segundo, procura resolver o problema que o país parece representar para a sua permanência no poder.
A campanha de Lula chegou àquela altura em que os números deixam de ser simples estatísticas e passam a frequentar o sono dos estrategistas. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, o presidente viu a disputa se transformar numa batalha que já não comporta a tranquilidade dos discursos ensaiados. As pesquisas mais recentes mostram um cenário apertado, com o adversário numericamente à frente em quase todos os levantamentos.
É quando o calendário eleitoral começa a governar quem deveria governar o calendário. De repente, o governo parece descobrir urgências que passaram meses, às vezes anos, esperando na fila das prioridades nacionais. O problema antigo ganha ares de novidade. A providência adiada adquire a solenidade de uma grande revelação. E aquilo que deveria ser fruto de planejamento, estudo e responsabilidade administrativa surge com a velocidade de quem acaba de ouvir uma notícia desagradável sobre o próprio futuro.
Quando uma medida nasce da necessidade do país, ela se explica por seus resultados. Quando nasce da aflição eleitoral, precisa primeiro explicar por que demorou tanto.
O caso das apostas on-line é emblemático. Lula afirmou, em entrevista, que só recentemente havia compreendido a gravidade do problema das bets, justificando a decisão de proibi-las às vésperas do primeiro turno. A explicação, por si só, abre uma pergunta incômoda: como um problema de tamanha dimensão pôde permanecer tanto tempo sem que o presidente tivesse plena noção de seus efeitos?
Governar exige ouvir, estudar e decidir. Mas exige também uma virtude cada vez mais rara na política: reconhecer que problemas complexos não desaparecem por decreto, nem se resolvem na urgência de um palanque.
É preciso medir consequências, avaliar impactos, ouvir os setores envolvidos, calcular custos e prever os efeitos colaterais. Uma decisão anunciada com pompa pode produzir aplausos no primeiro dia e dificuldades no seguinte. O anúncio é instantâneo; a conta, nem sempre.
E o eleitor, que tantas vezes é tratado como personagem secundário nas solenidades do poder, tem uma memória que os marqueteiros costumam subestimar. Ele sabe distinguir a política pública que melhora sua vida daquela que aparece, de repente, como se tivesse sido encontrada no fundo de uma gaveta eleitoral. O problema é que quanto mais o governo tenta demonstrar que está fazendo, mais precisa convencer que não está fazendo apenas porque precisa vencer.
Lula conhece a política como poucos. Sobreviveu a derrotas, voltou ao poder quando muitos julgavam encerrada sua trajetória e construiu uma biografia marcada pela capacidade de transformar adversidades em discurso. Não seria razoável imaginar que um político com essa experiência desconheça o peso de uma campanha difícil. O que se vê, porém, é a dificuldade de converter a experiência acumulada em uma resposta que vá além da sucessão de anúncios.
Porque há momentos em que a abundância de promessas revela, justamente, a escassez de uma ideia capaz de mobilizar o país.
O presidente pode anunciar benefícios, rever prioridades, mudar o discurso e multiplicar aparições. Pode tentar fazer da reta final uma vitrine de realizações e da caneta presidencial um instrumento de persuasão. Mas nenhuma dessas iniciativas garante que o eleitor se esqueça do tempo em que a mesma urgência não parecia existir.
A eleição tem esse defeito democrático: não aceita que o governante seja o único a avaliar o próprio governo. O cidadão também faz suas contas, ainda que não use planilhas, consultorias ou gráficos coloridos. Compara o que ouviu com o que viveu. Põe a promessa de um lado e a realidade do outro. E, quando desconfia da pressa, começa a perguntar se a preocupação é com a sua vida ou com a sobrevivência de quem está no poder.
Talvez seja esse o aspecto mais revelador da campanha. Não é apenas a possibilidade de uma derrota que inquieta o presidente. É a descoberta de que a autoridade do cargo, a força da máquina pública e a memória de uma trajetória política não são suficientes, por si sós, para assegurar a confiança popular.
No fim, a urna não examina a quantidade de anúncios feitos na reta final. Examina a relação entre o que foi prometido, o que foi realizado e aquilo que o cidadão acredita ter recebido.
O poder tem pressa quando sente o chão escapar. O eleitor, porém, tem o direito de perguntar por que tantas providências só descobriram a urgência quando o voto começou a fazer falta.
Multidão - Foi grande o ato a favor de Flávio Bolsonaro ontem em Natal. Uma multidão se reuniu para participar do Bloco 22 em Petrópolis, sem a presença de líderes nacionais. Mostra o tamanho do problema que Lula parece não ter entendido. Há muita gente que vota contra o PT por pura fadiga política do seu líder.
Oeste - E hoje os militantes da direita prometem repetir a dose em Mossoró. Na Capital do Oeste o evento contará com o senador Rogério Marinho e o deputado federal André Fernandes. A expectativa tem sido grande na cidade nas últimas semanas. E o segundo turno vai chegando aí fim.
Articulação - Já é grande a movimentação em torno do futuro da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Porém, o resultado do segundo turno será decisivo para qualquer definição. A caneta do próximo governador estará cheia de tinta e influenciará muito os próximos 4 anos do Legislativo.
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