Panorama: Brasil foi salvo pelo eleitor, mas teremos anos de aflição
O presidente da República terá imensas dificuldades para governar, mas o Executivo tem força institucional e política.

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25.out.2026 às 23h47 Diminuir fonte Aumentar fonte Luís Francisco Carvalho Filho A vitória de Lula ( PT ) reequilibra a equação do poder. O presidente da República terá imensas dificuldades para governar, mas o Executivo tem força institucional e política. Vence a democracia.
Quando a Folha me encomendou este texto, eu me preparei para falar da vitória de Flávio Bolsonaro ( PL ), que parecia inevitável, para escrever uma espécie de epitáfio. Eu começaria assim este artigo: "O Brasil será governado por um consórcio de picaretas, facínoras e cretinos. O humanismo perderá significância".
Além de Flávio, da sua deselegância atroz, da sua falta de pudor ético e estético, do seu cinismo infinito, programado para mentir e enganar, os ministros nomeados por Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal também são derrotados.
A imagem é melancólica: não são homens vocacionados para julgar com honra e independência. São pilantras de quinta categoria, despidos de espírito público e virtude política.
Kassio Nunes Marques, que compartilhava garotas de programa com o banqueiro Daniel Vorcaro e permitiu que o filhote enchesse as burras de dinheiro, não hesitou em tomar decisões indevidas favoráveis a Flavio.
Omitiu-se, vergonhosamente, diante da denúncia do "desaparecimento" dos ônibus urbanos em Salvador e em São Paulo porque era estratégia –sumir com os ônibus para criar embaraços para o eleitor de Lula– dos bolsonaristas. Merece ir para a Papuda.
André Mendonça compartilhava o alfaiate do banqueiro Vorcaro e vazou ao longo dos meses "informações" desfavoráveis ao presidente da República para ajudar a candidatura golpista. Após votar, ele teve a petulância de declarar que o país viveria o "início de um novo ciclo".
A vibrante mobilização dos democratas nas ruas foi um dos componentes estratégicos da vitória, capaz de reduzir a abstenção. Mas é bom lembrar, o terceiro mandato de Lula foi muito ruim. Cabe ao presidente não repetir os erros cometidos nos últimos quatro anos, quando, por exemplo, identificou na tributação de bets um instrumento legítimo para a salvação das contas públicas e nomeou cupinchas para o STF.
A extrema direita golpista está viva, ferida, mas viva. O sumiço dos ônibus é um singelo sinal. Teremos mais quatro anos de aflição.
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