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Panorama: Brasil deve suspender exportações de frango à China após doença de Newcastle em SC

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 19 de outubro de 2026 às 21:27
Via Exame
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Brasil deve suspender exportações de frango à China após doença de Newcastle em SC Vírus foi identificado em granja de perus em Santa Catarina; 133 estabelecimentos estão sob vigilância sanitária Carne de frango: de janeiro a setembro, o Brasil exportou 420 mil toneladas de frango para a Cina, somando R$ 1,156 bilhão, segundo a ABPA. (Leandro Fonseca /Exame)

César H. S. Rezende Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 18h24 .

Priorizar nos meus resultados Google O Brasil deve suspender as exportações de carne de frango para a China após a confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a interrupção está prevista no acordo sanitário entre os dois países e deverá ocorrer após a formalização da medida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Procurada pela EXAME, a Secretaria de Relações Internacionais (SRI) do Mapa informou que, até o momento da consulta, não havia recebido nenhum comunicado sobre a suspensão das exportações.

A China é o principal destino da carne de frango brasileira . Entre janeiro e setembro, o país importou 420 mil toneladas da proteína, movimentando R$ 1,156 bilhão, segundo a ABPA.

Nesta segunda-feira, 19, o Mapa confirmou um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A propriedade abriga aproximadamente 6 mil aves.

Segundo o ministério, o foco foi identificado durante ações de vigilância ativa da defesa agropecuária. As amostras foram coletadas em 21 de setembro e, na semana passada, os primeiros resultados laboratoriais indicaram a possibilidade de infecção.

Diante da suspeita, as atividades da propriedade foram suspensas e novos testes foram realizados. A confirmação ocorreu em 18 de outubro .

De acordo com o Mapa, nenhuma das aves apresentou sinais clínicos da doença , mas os exames identificaram material genético do vírus.

O secretário substituto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, explicou que o resultado foi classificado como positivo conforme os critérios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que consideram o hospedeiro e a detecção do material genético do agente.

“É importante destacar que o consumo dessa carne não traz riscos para as pessoas”, afirmou André de Paula durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, em Brasília.

Após a confirmação, o Mapa iniciou os procedimentos sanitários para eliminar o foco da doença, incluindo o sacrifício das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção das instalações e a fiscalização de estabelecimentos próximos.

As ações de vigilância abrangem quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.

O governo federal também prevê publicar uma portaria declarando emergência sanitária nos quatro municípios.

As autoridades acompanharão a região durante dois períodos de incubação da doença, de 21 dias cada, totalizando 42 dias de monitoramento.

Segundo Alvarenga, pelas regras sanitárias atualmente aplicáveis, o Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias. O governo brasileiro já solicitou à OMSA a redução desse prazo, mas a mudança ainda não foi implementada.

A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o vírus também pode infectar outras espécies, incluindo seres humanos.

A infecção em humanos é considerada rara e está associada principalmente à exposição direta ao vírus, especialmente entre pessoas que trabalham com aves infectadas.

A classificação sanitária da doença considera critérios de virulência do agente, incluindo o índice de patogenicidade intracerebral e a presença de múltiplos aminoácidos básicos em determinadas regiões da proteína viral.

A principal forma de transmissão entre aves ocorre por meio de aerossóis e secreções de animais infectados. O vírus também pode se espalhar pelo contato com materiais contaminados, como equipamentos, alimentos e outros objetos utilizados nas instalações de criação.

A possibilidade de infecção humana não significa que o consumo de carne de aves devidamente preparada represente risco de transmissão, conforme destacou o ministério.

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