Panorama: Achou que foi mal na conversa? Estudo mostra se o outro gostou de você mais do que você imagina
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Consulte formatos e valores disponíveisAchou que foi mal na conversa? Estudo mostra se o outro gostou de você mais do que você imagina Efeito é maior entre tímidos, durou meses entre colegas de alojamento e faz equipes pedirem menos ajuda Raphaela Seixas Redatora
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 15h33 .
Priorizar nos meus resultados Google Depois de conversar com um desconhecido, as pessoas acham que causaram uma impressão pior do que realmente causaram. A diferença entre o quanto alguém acredita ter agradado e o quanto de fato agradou ganhou nome: liking gap , algo como lacuna de simpatia.
O fenômeno foi descrito em 2018 na revista Psychological Science por Erica Boothby, então em Cornell, Gus Cooney, de Harvard, Gillian Sandstrom, da Universidade de Essex, e Margaret Clark, de Yale, em cinco estudos com estudantes e adultos.
No primeiro experimento, pares de desconhecidos conversaram por cerca de cinco minutos e depois avaliaram o quanto gostaram do parceiro e o quanto achavam que o parceiro tinha gostado deles. A simpatia real ficou em média em 5,82 pontos . A percebida, em 5,17.
“Parte do que torna as conversas difíceis é que as pessoas não sabem o que os outros realmente pensam delas”, diz Sandstrom.
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A lacuna não existe porque as pessoas escondem que gostaram da conversa. Em um dos estudos, observadores assistiram a vídeos dos encontros e conseguiram prever com precisão o quanto cada participante tinha agradado. Os próprios participantes, não.
A explicação está no que se passa na cabeça de quem conversa. Os pesquisadores pediram que os participantes registrassem seus pensamentos logo depois do encontro. Os comentários sobre o próprio desempenho eram mais negativos do que os comentários sobre o parceiro, e essa autocrítica ajudava a explicar a lacuna.
Segundo os autores, as pessoas costumam se cobrar mais do que cobram os outros e superestimam o quanto o nervosismo fica visível. Enquanto revisam mentalmente cada frase que disseram, deixam passar os sinais de que o outro estava se divertindo.
O efeito varia de pessoa para pessoa. No primeiro experimento, a lacuna entre os participantes mais tímidos foi de 1,14 ponto , mais do que o dobro da média do grupo. Entre os menos tímidos, a diferença foi pequena o bastante para não ter significância estatística.
A lacuna apareceu em conversas de poucos minutos e em encontros de até 45 minutos, com estudantes em laboratório e com adultos que participaram de oficinas no Reino Unido.
Também não some depressa. Os pesquisadores acompanharam 102 calouros que dividiam alojamento em uma universidade americana, de setembro de 2016 a maio de 2017. A lacuna persistiu em quatro das cinco medições e só desapareceu na última, cerca de oito meses depois do início do ano letivo. Nem a promessa de um bônus de US$ 100 para quem acertasse a própria avaliação deixou as estimativas mais precisas.
Em 2021, Gus Cooney e Erica Boothby voltaram ao tema com Adam Mastroianni e Andrew Reece, em estudo publicado na revista Organizational Behavior and Human Decision Processes. Dessa vez, a lacuna foi medida em conversas em grupo, em equipes técnicas que trabalharam juntas em um projeto e entre profissionais e seus colegas de trabalho.
O resultado se repetiu nos três cenários. A lacuna foi maior entre colegas do mesmo nível do que nas relações com chefes ou subordinados.
E tem consequência prática. Quem achava que os colegas tinham uma impressão menos positiva a seu respeito estava menos disposto a pedir ajuda e a se comunicar com franqueza, e se sentia menos incluído na equipe. Essas percepções também apareceram associadas a menor satisfação com o trabalho e a uma avaliação pior da eficiência do time.
Boothby sugere três atitudes, em entrevista ao Fórum Econômico Mundial. A primeira é lembrar que a lacuna existe: o colega que parece estar julgando um deslize provavelmente está ocupado com as próprias preocupações. A segunda é dar o primeiro passo e insistir no contato quando a resposta demora, já que a reação mais provável é positiva. A terceira é dizer ao outro que a conversa foi boa, porque ele provavelmente sentiu o mesmo.
Para quem está começando a carreira, a lógica vale para os momentos em que a autocrítica costuma falar mais alto: a saída de uma entrevista, o primeiro café com alguém da área, as primeiras semanas em um emprego novo. A sensação de ter ido mal é um dado sobre os seus pensamentos, e não necessariamente sobre a impressão que você causou.
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Perceber que a autocrítica distorce a leitura das próprias interações é um exercício de autoconhecimento. Ele ajuda a separar o que aconteceu de fato do que a cabeça conta depois.
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Na maioria das vezes, a conversa foi melhor do que pareceu de dentro.
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