o plano de Ju Ferraz para ampliar as oportunidades das mulheres — Do Camarote Nº1 à Copa
Em 2027, vai montar Casa B.O.D.Y durante a Copa do Mundo Feminina que será no Brasil pela primeira vez

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Consulte formatos e valores disponíveisDo Camarote Nº1 à Copa: o plano de Ju Ferraz para ampliar as oportunidades das mulheres Ju Ferraz reúne 3.000 pessoas neste sábado, 31, em São Paulo, no B.O.D.Y., evento que discute carreira, saúde e dinheiro entre mulheres. Em 2027, vai montar Casa B.O.D.Y durante a Copa do Mundo Feminina que será no Brasil pela primeira vez Ju Ferraz, sobre a Casa B.O.D.Y: materialização do conceito de que uma mulher impulsiona a outra (Laura Monticelli/Divulgação)
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Copa do Mundo Feminina Saiba mais RESUMO + A empresária Ju Ferraz realiza neste sábado, 31 de outubro, a quinta edição do B.O.D.Y. no Hotel Unique, em São Paulo, com expectativa de até 3.000 participantes. Sócia do grupo de eventos Holding Clube, Ju planeja investir de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões na Casa B.O.D.Y. durante a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Fazer uma empresa gastar milhões para colocar sua marca em um camarote no Carnaval é um negócio que exige bons contatos, capacidade de vender e uma promessa: entregar uma experiência que faça o investimento valer a pena. Mas será que essa mesma fórmula funciona quando o assunto é reunir mulheres para discutir carreira, dinheiro, saúde e futebol?
É nessa aposta que está Ju Ferraz, sócia da Holding Clube, grupo responsável pelo Camarote Nº1, um dos espaços mais conhecidos da Sapucaí. Depois de anos trabalhando com marcas, celebridades e grandes eventos, ela quer fazer do B.O.D.Y., projeto que criou para discutir questões ligadas às mulheres, uma nova fonte de receita para o grupo.
O próximo teste acontece neste sábado, 31 de outubro, quando o Hotel Unique, em São Paulo, recebe a quinta edição do B.O.D.Y. A expectativa é reunir até 3.000 pessoas e mais de 90 palestrantes. Mas o evento deste ano é apenas uma parte do plano. Ju prepara uma estrutura para acompanhar a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, com investimento estimado entre 3 milhões e 5 milhões de reais.
"Trata-se do projeto mais audacioso da história do B.O.D.Y., exatamente porque a pauta da diversidade retrocedeu de forma significativa dentro do ambiente corporativo e nos orçamentos das companhias. Viabilizar o evento atual demandou um esforço de vendas monumental", afirma Ju Ferraz.
A ideia é fazer o B.O.D.Y. deixar de depender de um único evento por ano. Nos próximos três anos, Ju quer criar cursos, publicar livros, lançar um instituto social e levar o projeto para outras regiões e setores da economia. A Copa Feminina será o primeiro grande teste dessa expansão.
Quando o Brasil receber a Copa do Mundo Feminina, em 2027, Ju Ferraz quer aproveitar a atenção em torno do futebol para colocar outro assunto em campo: os negócios feitos por mulheres.
O plano é montar a Casa B.O.D.Y. no Jockey Club de São Paulo, um espaço que vai misturar transmissão de jogos, shows, debates, encontros de negócios e atividades de saúde e bem-estar.
Pense em um lugar onde uma pessoa possa assistir a uma partida da Seleção Brasileira, participar de uma conversa sobre dinheiro, conhecer uma empreendedora e terminar o dia em um show.
A operação está prevista para funcionar entre 24 de junho e 5 de julho de 2027, com atividades às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos, além de datas reservadas para patrocinadores.
O espaço terá três palcos. Um será dedicado a carreira e negócios. Outro vai tratar de saúde física e mental. O terceiro vai discutir como o esporte pode abrir portas para mulheres que buscam oportunidades profissionais e melhores condições de vida.
Haverá também uma área para pequenos negócios comandados por mulheres, além de apresentações musicais depois das partidas.
"A Casa B.O.D.Y. representa a materialização do conceito de que uma mulher impulsiona a outra. Não estamos propondo qualquer tipo de rivalidade, mas sim um ponto de união que reúne desde quem deseja simplesmente assistir aos jogos até empresárias, comunicadoras e atletas que encaram o esporte como um vetor decisivo de transformação socioeconômica", afirma a executiva.
Para Ju, o futebol pode ajudar a atrair um público que talvez nunca tenha participado de um evento sobre liderança feminina. Ao mesmo tempo, a Copa oferece às empresas a chance de conversar com consumidoras em um momento de grande atenção ao esporte.
É nessa combinação que ela pretende ganhar dinheiro.
Montar uma estrutura desse tamanho custa caro. A conta estimada para a Casa B.O.D.Y. vai de 3 milhões a 5 milhões de reais.
Parte do dinheiro deverá vir da venda de ingressos. A outra parte dependerá de patrocinadores dispostos a pagar para aparecer no evento e promover experiências com o público.
As marcas poderão, por exemplo, reservar dias para reunir influenciadoras, executivas e consumidoras em atividades próprias. Empresas como a Dove aparecem entre os exemplos de possíveis ações desse tipo.
O problema é que conseguir esse dinheiro ficou mais difícil.
Durante alguns anos, grandes companhias ampliaram os investimentos em diversidade, inclusão e ESG, sigla em inglês usada para reunir práticas ambientais, sociais e de governança das empresas.
Agora, segundo Ju, muitas dessas verbas estão sendo reduzidas. Isso significa que eventos ligados a causas sociais precisam disputar recursos com outras prioridades das marcas.
E aí aparece uma contradição: enquanto o B.O.D.Y. tenta crescer, parte das empresas que poderiam financiar essa expansão está gastando menos com iniciativas desse tipo.
"No final das contas, sou uma vendedora e uma mulher de negócios. Minha responsabilidade é comprovar o retorno financeiro, a visibilidade e o impacto real que a entrega gera para as marcas patrocinadoras", afirma Ju.
Em outras palavras, defender uma causa pode até abrir a conversa com um patrocinador. Mas, para fechar o contrato, ela precisa mostrar o que a empresa ganha colocando dinheiro no projeto.
A Holding Clube tem décadas de experiência em transformar eventos em negócios.
O grupo foi fundado em 1988 por José Victor Oliva e hoje tem Priscila Pellegrini como CEO, além de Ju Ferraz e Marcio Esher entre seus sócios.
Um de seus produtos mais conhecidos é o Camarote Nº1, que funciona durante o Carnaval do Rio de Janeiro.
Só nos três dias de operação, o espaço gera cerca de 30 milhões de reais em receitas por ano, segundo os números apresentados pela companhia.
O dinheiro vem de duas fontes principais: empresas que pagam para associar suas marcas ao camarote e pessoas que compram ingressos para participar da festa.
Entre os patrocinadores estão companhias como Ambev, Diageo e Colcci.
É um modelo que Ju conhece por dentro. Ela participa da operação do camarote e da relação com grandes clientes do grupo, além de trabalhar com eventos como o Rock in Rio.
A Holding Clube encerrou 2024 com faturamento de 375 milhões de reais e projetou chegar a 430 milhões de reais em 2025, um crescimento de cerca de 15%.
A meta foi estabelecida sob a gestão de Priscila Pellegrini, que assumiu formalmente o cargo de CEO. Para sustentar o crescimento, o grupo passou a apostar em diferentes fontes de receita, além dos eventos que já fazem parte de seu calendário.
Entre os movimentos está o lançamento da Bossa, unidade voltada a viagens corporativas e de incentivo, aquelas organizadas por empresas para reunir equipes, clientes ou premiar funcionários. A Holding Clube também ampliou a aposta em projetos próprios, ao mesmo tempo que manteve o Camarote Nº1 entre seus principais negócios.
Agora, Ju quer usar essa experiência para vender o B.O.D.Y. a empresas que buscam se aproximar do público feminino.
O projeto também tem uma diferença importante em relação aos eventos que a holding produz para clientes: ele pertence à própria Ju, em sociedade com o grupo.
Isso significa que, se crescer, o B.O.D.Y. poderá gerar receitas recorrentes para a companhia, sem depender apenas de contratos para organizar eventos de outras marcas.
A produção fica com a Storymakers, agência da Holding Clube que também trabalha na estrutura do Camarote Nº1.
A expectativa de Ju é que o B.O.D.Y. passe a representar entre 5% e 10% do faturamento anual da Storymakers a partir de 2027, com uma meta de crescimento de cerca de 8% na receita da agência.
"O B.O.D.Y. é o braço feminino da Holding Clube. Estamos estruturando uma franquia versátil que pode transitar de conferências de conteúdo e feiras de negócios a praças regionais e setores estratégicos como o agronegócio", afirma.
O grupo já seguiu um caminho parecido com o Torcida Nº1, projeto criado durante a Copa do Mundo masculina no Catar, em 2022, e repetido na edição de 2026, para gerar negócios fora do Carnaval.
Agora, a ideia é fazer os eventos conversarem entre si. O B.O.D.Y. pode ganhar espaço dentro do Camarote Nº1, enquanto o Torcida Nº1 pode participar das transmissões da Copa Feminina.
A lógica é aproveitar os contatos, os patrocinadores e a estrutura que a holding já tem para tentar vender mais de um produto aos mesmos clientes.
A história do B.O.D.Y. começou bem antes de Ju pensar em Copa do Mundo ou em uma estrutura de milhões de reais.
Nascida em Salvador e formada em Jornalismo, ela começou a carreira na imprensa baiana.
Aos 23 anos, mudou-se para São Paulo com o marido e um filho recém-nascido. Passou quase dez anos trabalhando na área editorial e de eventos do Glamurama, empresa de Joyce Pascowitch.
Depois, entrou no Banco de Eventos, empresa criada por José Victor Oliva que deu origem à estrutura da atual Holding Clube.
Foi ali que Ju cresceu profissionalmente, passou a trabalhar com grandes marcas e chegou à sociedade do grupo.
Mas, aos 32 anos, a rotina de trabalho cobrou seu preço.
Ju enfrentou um quadro de burnout, condição de esgotamento físico e mental associada ao trabalho. Ao mesmo tempo, lidava com cobranças relacionadas à aparência, ao corpo e à maternidade.
A experiência fez com que começasse a falar sobre esses assuntos nas redes sociais.
A conversa ganhou força e, aos poucos, deixou de ser apenas sobre a relação das mulheres com o próprio corpo. Entraram temas como carreira, dinheiro, saúde mental e oportunidades profissionais.
Em 2022, Ju decidiu levar essas discussões para um encontro presencial. Nascia a primeira edição do B.O.D.Y.
Agora, em 2026, o projeto chega à sua quinta edição com uma estrutura maior e uma proposta de negócios mais definida.
"Há cinco anos assumi o compromisso de transformar vidas por meio de um movimento verdadeiramente inclusivo, concebido por mulheres que recusam permanecer nas caixas impostas pela sociedade", afirma Ju.
A edição de 2026 do B.O.D.Y. acontece no Hotel Unique, em São Paulo, com uma programação que mistura assuntos que costumam aparecer separados em congressos de negócios, encontros de saúde e eventos de comportamento.
Haverá conversas sobre maternidade, carreira, pressão estética, canetas emagrecedoras e independência financeira.
São mais de 90 palestrantes distribuídas entre dois palcos, chamados BODY e MOVIMENTO, além de salas de mentoria, onde participantes poderão conversar com executivas e profissionais de diferentes áreas.
A procura por algumas atividades dá uma ideia do interesse do público. As vagas para o Espaço Wellness, dedicado a práticas de bem-estar e autocuidado, acabaram seis minutos depois da abertura das inscrições.
O encontro também terá a segunda edição do Prêmio Preta Gil Para Vozes Que Transformam Gerações, criado para reconhecer mulheres e projetos ligados à defesa de direitos.
Parte dos ingressos será destinada a quem normalmente não teria acesso a um evento desse tipo. Segundo a organização, 30% da carga total de entradas será reservada a organizações não governamentais e instituições que trabalham com jovens aprendizes.
A Copa do Mundo Feminina já estará presente na programação deste ano.
A abertura reunirá Gal Barradas, executiva envolvida na organização do Mundial no Brasil, e as ex-jogadoras Formiga e Daniela Alves, duas referências do futebol feminino brasileiro.
A ideia é começar a aproximar esporte, empresas e público antes de a bola rolar em 2027.
Para Ju, essa conexão também pode ajudar a convencer patrocinadores de que vale a pena investir em experiências voltadas às mulheres.
Ju Ferraz tem uma referência quando fala sobre o que pretende construir nos próximos anos: Oprah Winfrey.
A apresentadora americana transformou um programa de televisão em um negócio que passou a reunir mídia, livros, produções audiovisuais e outros projetos.
Ju quer seguir uma lógica parecida com o B.O.D.Y., mantendo a pauta feminina no centro da operação.
O plano inclui cursos de formação, novos livros e a criação de um instituto social próprio.
Ainda em 2026, o projeto pretende publicar um relatório com dados e tendências discutidos durante os eventos. A ideia é transformar o conteúdo dos palcos em informações que também possam ser usadas por empresas.
"Minha meta para os próximos três anos é consolidar uma plataforma contínua e me tornar a 'Oprah do Brasil'. É uma jornada ampla que tem no B.O.D.Y. seu ponto de partida", afirma Ju.
O B.O.D.Y. é um projeto criado por Ju Ferraz para discutir temas ligados às mulheres, como carreira, dinheiro, saúde mental e oportunidades profissionais. A primeira edição presencial ocorreu em 2022, e o evento chega à quinta edição em 2026.
A quinta edição do B.O.D.Y. acontece neste sábado, 31 de outubro, no Hotel Unique, em São Paulo, com expectativa de até 3.000 participantes e mais de 90 palestrantes. Segundo a organização, 30% dos ingressos serão destinados a ONGs e instituições que trabalham com jovens aprendizes.
A Casa B.O.D.Y. será um espaço no Jockey Club de São Paulo com transmissão de jogos, shows, debates, encontros de negócios e atividades de saúde e bem-estar. A operação está prevista entre 24 de junho e 5 de julho de 2027, às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos, além de datas reservadas para patrocinadores.
O investimento estimado para a Casa B.O.D.Y. varia de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões. Parte dos recursos deverá vir da venda de ingressos, enquanto o restante dependerá de patrocinadores interessados em divulgar marcas e promover experiências com o público.
Ju Ferraz espera que o B.O.D.Y. represente entre 5% e 10% do faturamento anual da Storymakers a partir de 2027. A agência da Holding Clube, responsável pela produção do projeto, tem meta de crescimento de cerca de 8% na receita.
Ju Ferraz pretende transformar o B.O.D.Y. em uma plataforma contínua, com cursos, livros, um instituto social, eventos regionais e presença em setores como o agronegócio. Ainda em 2026, o projeto planeja publicar um relatório com dados e tendências discutidos durante os eventos.
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