O 'Nordeste vermelho' visto da Poder Executivo
Retomo aqui a questão, mas com o foco agora nas eleições municipais.
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Consulte formatos e valores disponíveisProfessor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)
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18.out.2026 às 15h00 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Em coluna recente critiquei o mito do "Nordeste vermelho" a partir do resultado das eleições para a Câmara dos Deputados. Retomo aqui a questão, mas com o foco agora nas eleições municipais. Lula perdeu 258 mil votos na região entre 2022 e 2026, uma redução de 1,2%. O Nordeste, no entanto, passou a representar uma parcela maior de sua votação nacional: de 38% para 40%. Mas apenas 9,5% das prefeituras nordestinas foram conquistadas pelo PT em 2024.
Mais importante: a distribuição de prefeituras do PT é excepcionalmente assimétrica e descontínua. Embora quase dois terços dos votos válidos no Maranhão tenham sido para Lula, o partido conquistou apenas duas das 217 prefeituras. Menos de 1%. Quem mais elegeu prefeitos no estado foi o PL. Sim, o partido da direita radical. Na Paraíba, apenas uma no conjunto de 223. No Piauí e na Bahia, o PSD liderou. Em Alagoas, o MDB levou 65 das 102 prefeituras, quase dois terços do total. Em Pernambuco, o primeiro lugar está com o PSDB. Na Paraíba e no Ceará, com o PSB.
Bahia, Piauí e Ceará concentram 86,5% das prefeituras nordestinas do partido. Mas apenas Ceará (25,5%) e Piauí (22,3%) exibem percentuais elevados. Na Bahia, 12% dos municípios foram conquistados pelo PT. Nos demais seis estados da região, os percentuais correspondentes são ínfimos ou simplesmente muito pequenos: Paraíba (0,4%), Maranhão (0,9%), Alagoas (1%), Pernambuco (3,3%), Rio Grande do Norte (4,2%) e Sergipe (8%).
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A história parece simples: ganhou o governo, ampliou a presença municipal. Mas as lideranças mudam de partido levando consigo parte de suas redes políticas. Por isso, após os ganhos imediatos da eleição para governador sobre a municipal, o efeito torna-se mais complexo e sofre a influência de outros fatores.
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Assim, Lula mobiliza, sim, sua identidade regional, mas o eleitor e a eleitora nordestinos têm o pé em duas canoas.
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