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“Momento de aconchego” — Juíza conta como levou leitura a crianças acolhidas

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Metrópoles 16 de outubro de 2026 às 22:39
Via Metrópoles
“Momento de aconchego” — Juíza conta como levou leitura a crianças acolhidas
Foto: Foto: Metrópoles
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A ideia surgiu no começo da pandemia, há seis anos, período que a magistrada descreveu como “horrível”. “Se as minhas crianças, que têm todo acolhimento, todo amor, estão sofrendo, eu fiquei imaginando as crianças dos abrigos”, disse Freire, que atuou durante sete anos na Vara da Infância em Garça, no interior de São Paulo.

Vendo os efeitos que a leitura noturna causava em seus filhos, a juíza resolveu causar a mesma sensação em crianças acolhidas em abrigos por todo o estado. “Pensei: ‘poxa, eu podia levar esse momento de aconchego pras crianças’”, disse ao Metrópoles .

Freire criou uma live para ler livros aos pequenos. A transmissão ao vivo, ela disse, permita ver as reações e expressões das crianças. Logo, ela passou a contatar mais abrigos que aceitaram integrar o projeto.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP A adesão foi grande. As crianças engajaram e pediam pelas leituras. “Era o momento de alegria delas” , lembra.

Quando passou a divulgar o Leitura Amiga nas redes sociais, pessoas de todo o Brasil se voluntariaram para ler aos pequenos, até que o projeto chegou a contar com 180 leitores voluntários .

Com tanta adesão, Freire precisou de ajuda para conciliar as leituras às crianças à rotina do tribunal. Foi assim que, há três anos, a desembargadora Gilda Cerqueira Amaral Diodatti, coordenadora da Infância e da Juventude do TJSP, passou a integrar o programa.

A entrada de Diodatti no Leitura Amiga deu cara nova e novos horizontes. “E se as crianças começassem a escrever e a gente premiasse elas?”, surgiu como ideia em uma das reuniões do programa. Esse foi o primeiro passo em um caminho que chegou ao livro lançado nesta sexta-feira.

Os efeitos da leitura noturna aos pequenos logo se tornaram bastante perceptíveis. Freire conta que “as crianças mudaram”. A partir da organização de doações de livros, os acolhidos passaram a ter bibliotecas. Irmãos que antes brigavam entre si começaram a ler uns para os outros, disse a juíza.

O efeito colateral também foi grande na outra ponta do projeto. “Os voluntários começaram a entender o tanto de crianças que estão para adoção” , ressaltou a magistrada.

“Essas crianças ficam à sombra da sociedade, e é um problema gravíssimo do Brasil, sobretudo as crianças mais velhas que ficam pra adoção. Foi uma forma que a gente teve de via de mão dupla, da sociedade enxergarem essas crianças e as crianças receberam o afeto e o tempo dessas pessoas”, destacou.

Com o tempo, os acolhidos passaram a pedir para serem os leitores da noite. Por meio das lives, eles viam outros menores na mesma situação de acolhimento, o que criou um sentimento de identificação e pertencimento .

Os que ainda não são alfabetizados, não ficaram de fora do livro Leitura Amiga – Edição Jovens Escritores. Ao contrário, eles integraram a produção por meio de desenhos.

#São Paulo#Cultura#Justiça
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