memórias, cultura e história de Natal — Cemitério do Alecrim
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Consulte formatos e valores disponíveisÀs vésperas da visitação e de resgate afetivo de famílias aos túmulos de entes ali sepultados, em celebração ao Dia de Finados, na próxima segunda-feira (2), o Cemitério do Alecrim faz parte da história e da cultura de Natal, tendo sido tombado pelo Decreto Municipal nº 9.541 em 1º de novembro de 2011, passando a integrar oficialmente o Patrimônio Histórico e Cultural de Natal.
O historiador Breno Câmara conta que do ponto de vista histórico geográfico, o cemitério do Alecrim “é uma das razões para expansão espacial da cidade naquela região. Sim, primeiro veio o cemitério, a necrópole (cidade dos mortos), para só então vir o bairro Alecrim”.
Breno Câmara informou que as celebrações de aniversário neste ano de 2026, são de 170 anos para o cemitério e 115 para o bairro, que “juntos guardam parte da nossa relação histórica com a Natal Imperial e Republicana”.
Ele destaca que a sepultura mais antiga ainda preservada é do advogado Manuel Gabriel de Carvalho, falecido em 1872: “Mas nem de longe é a mais famosa, haja vista as personalidades ali sepultadas, tais como Câmara Cascudo, escritor e advogado potiguar, o ex governador Pedro Velho de Albuquerque Maranhão e parte de sua família. Além de outras tantas figuras política e intelectuais de suas respectivas épocas, como os padres Monte e João Maria, ou mesmo o ex-presidente da República Café Filho”.
Segundo Breno Câmara, cada túmulo relata uma história da cidade ou do Brasil, que “pode facilmente ser narrada”, citando o personagem. Djalma Maranhão, ex-prefeito de Natal, “para uma boa aula de políticas públicas” ou o artista Newton Navarro, que “já nos leva às artes e Januário Cicco à medicina, além das sepulturas do contexto da II Guerra Mundial”.
“A história oral se alimenta de personagens e a visitação de jovens estudantes ou idosos mantém a história e outras tantas estórias vivas e pulsantes”, disse Breno. O historiador também enfatizou que o lugar é mantido dentro de uma condição mínima de investimentos. “As estátuas de mármore estão danificadas há anos. Placas metálicas oxidadas, o que impede a identificação das sepulturas. Objetos de algum valor comercial saqueados. É bem verdade que o lugar apresenta ruas limpas e pode sim ser palco de visitação. O que falta é o poder público entender que o turismo não se resume a uma orla ou dunas, mas também no contato com a memória do lugar visitado”, enfatizou.
Para o historiador François Leite Cavalcante a importância do Cemitério do Alecrim “está diretamente ligada à preocupação higienista, pois antes de sua construção era comum enterrarem os mortos dentro das igrejas ou nos arredores das mesmas. Em Natal, principalmente na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, antiga Catedral”.
“Preocupações com epidemias de cólera, varíola e febre amarela, motivaram a obra do cemitério do Alecrim, que estava distante do Centro e evitaria a proliferação de doenças, na visão da medicina sanitária da época. O Cemitério foi então inaugurado em 1856 em meio a uma epidemia de cólera”, explicou.
François Cavalcante disse, ainda, que o cemitério do Alecrim “desperta interesse, pelo fato de reunir uma arquitetura bastante instigante. Nele é possível visualizarmos inclusive a noção de diferentes classes sociais entre as famílias. É importante destacar que atualmente os cemitérios se caracterizam pela igualdade entre os jazigos, porém há algum tempo, os cemitérios se destacavam também, como instrumentos de diferenciação social, ou seja, os túmulos refletiam a posição social das famílias”, enfatizou. François ainda completou: “Permitam-me a comparação. Assim como no Egito Antigo, os faraós buscavam ostentar sua riqueza, através de grandes e suntuosas pirâmides. No cemitério do Alecrim, os mortos também eram lembrados pelo seu poder e isso desperta a atenção dos que visitam o local”.
Na manhã deste sábado (31), com o cemitério já aberto à visitação pública, o eletricista e mecânico Antônio Alves Sobrinho limpava o túmulo de familiares de sua esposa: “Estou de folga, dá um pouco de trabalho, mas tudo que é feito com carinho e determinação, há um êxito”,
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