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Ibovespa interrompe em baixa e acumula queda de 14,3% em 2 dias

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 21:27
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Ibovespa interrompe em baixa e acumula queda de 14,3% em 2 dias
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (27), sem conseguir sustentar uma recuperação após o tombo de 13,88% registrado na véspera, quando o mercado reagiu à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O principal índice da B3 recuou 0,51%, aos 175.710,05 pontos, após oscilar entre 175.130,23 e 178.526,08 pontos. O volume financeiro somou R$ 49,7 bilhões.

A cautela dos investidores persiste diante das incertezas sobre a condução da política econômica do governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente em relação ao ajuste fiscal e às futuras indicações para a equipe ministerial.

O noticiário político também foi marcado pela notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula na disputa presidencial, deixou o Brasil nesta terça-feira. Segundo apuração da agência Reuters com autoridades americanas, ele estaria a camindo da Flórida após ser proibido de sair do país por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Siga no Google Discover Na bolsa, contudo, foram as ações de maior peso no Ibovespa pressionaram o índice. A Vale (VALE3) caiu 2,02%, enquanto os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras (PETR4 e PETR3) recuaram 1,78% e 1,91%, respectivamente.

Entre os bancos, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander fecharam em baixa. O único destaque positivo entre as instituições financeiras foi o BTG Pactual (BPAC11), que subiu 0,27%.

Na ponta positiva, a Tenda (TEND3) liderou os ganhos, com alta de 10,20%, seguida por Magazine Luiza (MGLU3), que avançou 8,49%. Direcional (DIRR3) subiu 5,35%, Vamos (VAMO3) ganhou 5,05% e Hapvida (HAPV3) avançou 5,03%.

Na outra ponta, Natura (NATU3) recuou 6,94%, seguida por Totvs (TOTS3), com queda de 6,78%. MRV (MRVE3) perdeu 5,71%, CSN (CSNA3) caiu 4,99% e Gerdau Metalúrgica (GOAU4) recuou 4,51%.

O dólar à vista fechou em queda de 0,97% nesta terça-feira, a R$ 5,350, após oscilar entre R$ 5,308 e R$ 5,412. A moeda americana devolveu parte da forte valorização da véspera, quando avançou 8,21%, para R$ 5,4027, na maior alta diária desde 1999.

O movimento foi favorecido pela realização de operações de exportadores, que aproveitaram o câmbio para concluir vendas no exterior e trazer recursos ao país. O Banco Central também atuou no mercado, com a venda de 80 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 4 bilhões, em operação de rolagem dos contratos com vencimento em novembro.

A queda do dólar, porém, não significa necessariamente uma reversão da tendência observada na véspera. Entre os agentes do mercado, há diferentes avaliações sobre a intensidade do ajuste e sobre os fatores que podem sustentar uma recuperação dos ativos brasileiros.

A notícia de que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil também entrou no radar político desta terça-feira, mas os analistas consultados divergem sobre o efeito do episódio sobre os preços dos ativos.

Derrotado por Lula na eleição presidencial, neste domingo, 25, o parlamentar não entregou seus passaportes à Polícia Federal dentro do prazo de 24 horas como determinado pelo STF. A imprensa argentina noticiou uma possível passagem do senador pelo país, mas as autoridades locais afirmaram não haver registro de sua entrada. A PF apura o caso, enquanto o paradeiro de Flávio ainda não foi confirmado oficialmente.

Rodrigo Marcatti, economista e sócio-CEO da Veedha Investimentos, avalia que o caso pode ter influenciado parcialmente o comportamento do mercado.

Já Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, tem uma leitura diferente. “Não interferiu no mercado”, disse. Em sua visão, o movimento dos ativos está mais relacionado ao ajuste após a forte queda da véspera e à espera por sinais econômicos do novo governo.

O estrategista afirma que os investidores ainda tentam assimilar as perdas do pregão anterior, especialmente aqueles que estavam posicionados na compra e esperavam uma valorização da bolsa após a eleição.

Para Bassani, a principal preocupação permanece ligada à segurança jurídica e à situação fiscal do país. “Na minha visão, a preocupação está na insegurança jurídica do país, irresponsabilidade fiscal e déficit nas contas públicas, sem perspectiva de melhoras”.

O especialista também vê o recuo dos juros futuros como um movimento momentâneo, após a forte alta observada na véspera. Segundo ele, a atuação do Tesouro Nacional, com a recompra de títulos públicos em circulação, incluindo prefixados e NTN-Bs, ajuda a absorver parte da pressão sobre os papéis e a desacelerar a alta das taxas.

No câmbio, Bassani interpreta a queda do dólar como uma realização de lucros por investidores que haviam ampliado suas posições compradas. Diferentemente de uma leitura de correção de exageros, o especialista não considera que a alta da véspera tenha sido excessiva, mas um movimento esperado diante da forte desvalorização da Bolsa.

A dinâmica das ações também reflete, segundo ele, a busca por oportunidades de curto prazo. Papéis como Magazine Luiza e Tenda, entre as maiores altas desta terça-feira, haviam sofrido perdas expressivas no pregão anterior, o que atraiu investidores interessados em um repique. Já Vale e Gerdau foram pressionadas pela desvalorização do minério de ferro no mercado internacional, em um contexto de fraqueza das commodities ligadas à China.

“O nome da vez é cautela. O cenário de curto prazo ainda está nublado. Acredito que é preciso esperar a poeira baixar para ver melhor o horizonte”, afirma Bassani. O estrategista diz que sinais de compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas, a responsabilidade fiscal e as futuras indicações ministeriais e para o Supremo Tribunal Federal (STF) poderiam ajudar a reduzir a incerteza.

As bolsas de Nova York encerraram a terça-feira em alta, com o avanço dos principais índices acionários americanos. O Dow Jones subiu 0,03%, aos 52.377,57 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,60%, aos 7.722,60 pontos. O Nasdaq ganhou 1,18%, aos 26.477,81 pontos.

Os investidores acompanham uma semana carregada de resultados corporativos, com empresas como Visa, Coca-Cola, HSBC, Boeing e S&P Global entre os destaques. A temporada de balanços segue no centro das atenções, enquanto o mercado também monitora as perspectivas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

Os contratos futuros de petróleo ampliaram as perdas nesta terça-feira, pressionados por esforços diplomáticos para aliviar as tensões no Oriente Médio, após conversas envolvendo autoridades da Arábia Saudita, Turquia, Paquistão e Irã.

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