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guerra no Irã pode acelerar recuo dos EUA e redesenhar o Oriente Médio — Davi e Golias

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 20 de outubro de 2026 às 09:41
Via Exame
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Davi e Golias: guerra no Irã pode acelerar recuo dos EUA e redesenhar o Oriente Médio Conflito enfraqueceu a capacidade militar de Teerã, mas ampliou seu poder de pressão econômica e pode estimular novas alianças regionais e a proliferação nuclear Na guerra do Irã, a assimetria se provou crucial (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 06h00 .

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Após quase oito meses da guerra iniciada em fevereiro, os Estados Unidos enfraqueceram as forças iranianas, mas o Irã demonstrou capacidade de elevar os custos econômicos e estratégicos do conflito. Segundo o think tank Council on Foreign Relations (CFR), a guerra pode reduzir a presença militar americana no Oriente Médio, reorganizar alianças regionais e estimular a proliferação nuclear.

Após quase oito meses de guerra contra o Irã, os Estados Unidos enfrentam um cenário estratégico mais complexo do que o previsto no início da ofensiva. Embora as forças iranianas tenham sofrido perdas significativas, Teerã demonstrou capacidade de elevar os custos econômicos do conflito e pressionar adversários em diferentes partes do mundo.

Para Michael Froman, presidente do think tank Council on Foreign Relations (CFR), os efeitos da guerra podem transformar as alianças no Oriente Médio e acelerar a redução da presença militar americana na região.

A campanha militar , iniciada em fevereiro, tinha como objetivos declarados destruir a Marinha e a Força Aérea iranianas, reduzir a capacidade de lançamento de mísseis e impedir a produção de novos armamentos. Segundo o subsecretário de Defesa para Políticas, Elbridge Colby, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a operação buscava limitar a capacidade de Teerã de projetar poder militar para além de suas fronteiras.

Nesse aspecto, a ofensiva alcançou resultados relevantes, realça o CFR. A Marinha iraniana foi amplamente destruída, seu arsenal de mísseis sofreu perdas significativas e a economia do país está sob pressão. O balanço, porém, inclui a morte de 21 militares americanos e de mais de mil civis iranianos, além do consumo de munições estratégicas que os Estados Unidos precisam repor para atender a outros compromissos militares.

O uso intensivo de interceptadores Patriot e sistemas antimísseis THAAD, por exemplo, pode dificultar a manutenção da capacidade de defesa americana em outras regiões, especialmente nos mares da Ásia, onde Washington busca conter a influência chinesa,e na Ucrânia, que agora carece de uma parte importante do apoio americano. Na avaliação do CFR, esse custo revela uma contradição central da guerra: uma operação destinada a impedir que o Irã projete poder para além de suas fronteiras pode acabar ampliando sua influência sobre a economia e a segurança internacionais.

Ala Aérea Embarcada (CVW) 7 voando em formação sobre o USS George H.W. Bush (CVN 77) no Mar Arábico. Apesar do (Marinha dos EUA/AFP)

O principal trunfo de Teerã tem sido a assimetria entre as capacidades militares dos dois lados. Sem poder de fogo para derrotar diretamente os Estados Unidos, o regime iraniano explorou sua posição geográfica e a influência sobre o Estreito de Ormuz , uma rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás. Com mísseis, drones e minas, o país conseguiu transformar a ameaça à navegação em uma ferramenta de pressão econômica global.

As consequências se refletiram nos preços da energia, na inflação e no custo de vida nos Estados Unidos, agravando o desgaste político do presidente Donald Trump. Segundo a análise do CFR, a pressão contribuiu para um acordo firmado na semana anterior com o presidente russo, Vladimir Putin, que autorizou a venda de milhões de barris de diesel russo.

A medida, criticada por europeus e ucranianos, aumenta as receitas disponíveis para a máquina de guerra russa e aprofunda as divergências entre Washington e aliados europeus, em um momento em que a guerra na Ucrânia permanece sem solução.

A influência do conflito também se manifesta fora do Oriente Médio. No Reino Unido, os Estados Unidos retiraram bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford em meio a preocupações com um possível atentado patrocinado por um Estado.

As aeronaves tiveram um papel importante na campanha contra o Irã. Para o CFR, o episódio evidencia a disposição de Teerã em ampliar o alcance de suas ações, apesar das perdas sofridas desde o início da guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), e o príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. (Chip Somodevilla/Getty Images)

Na Península Arábica, a escalada dos confrontos entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã, acrescenta pressão a um dos principais parceiros regionais de Washington. Segundo o artigo do CFR, ataques houthis ao aeroporto internacional de Riad deixaram mais de uma dúzia de mortos e mais de 300 feridos. A deterioração da segurança levou executivos de grandes empresas globais de energia, como Chevron, ExxonMobil, Shell, BP e TotalEnergies, a cancelar a viagem à capital saudita para participar do Congresso Mundial de Energia.

A escalada ocorre em um momento delicado para a estratégia econômica saudita. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman busca reduzir a dependência das exportações de petróleo e ampliar investimentos em tecnologia, turismo e entretenimento. A conferência Future Investment Initiative, prevista para os dias seguintes e conhecida como “Davos no Deserto”, é uma das principais vitrines internacionais desse projeto de modernização. A persistência dos ataques, no entanto, pode comprometer a imagem de estabilidade que o governo procura transmitir a investidores e líderes estrangeiros.

Para o CFR, os efeitos mais duradouros da guerra podem estar na relação entre os Estados Unidos e seus parceiros do Oriente Médio. Durante décadas, países como Bahrein, Kuwait e Catar abrigaram instalações militares americanas para reforçar sua segurança, dissuadir adversários e permitir uma resposta rápida a crises.

Com os ataques iranianos atingindo bases na região, essas estruturas passaram a representar também um risco: os países anfitriões podem se tornar alvos justamente por abrigarem tropas americanas.

Washington retirou parte de suas forças de determinadas instalações atingidas, embora também tenha ampliado sua capacidade de atuação móvel com o envio de um terceiro grupo de ataque de porta-aviões e de uma unidade expedicionária adicional de fuzileiros navais.

Ainda assim, a guerra pode levar os governos regionais a questionar se a presença americana continua oferecendo mais proteção do que riscos. Caso essa dúvida persista, a reconstrução das bases e o retorno de contingentes dos Estados Unidos podem perder força, acelerando o encerramento de um ciclo de intervenções militares que se estende por mais de três décadas.

Uma redução da presença americana abriria espaço para uma reorganização das alianças regionais, apura Froman. Entre as possibilidades estão uma estrutura de defesa coletiva semelhante à Otan, uma cooperação mais operacional entre Paquistão, Arábia Saudita e Turquia, baseada no acordo de defesa firmado em Meca, ou o aprofundamento dos laços entre os participantes dos Acordos de Abraão, que aproximaram Israel, Bahrein, Marrocos e Emirados Árabes Unidos.

A busca por novas garantias de segurança, entretanto, pode produzir um efeito contrário a outro objetivo declarado da ofensiva contra o Irã: impedir a proliferação nuclear. Sem a proteção americana, países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos poderiam avaliar o desenvolvimento de capacidades nucleares militares como forma de dissuadir adversários. O conflito, portanto, corre o risco de estimular justamente a corrida armamentista que Washington pretendia evitar.

O futuro do próprio regime iraniano permanece incerto. Teerã está militarmente mais fraco, mas demonstrou uma capacidade de resistência que surpreendeu parte de seus adversários, tanto no campo político quanto na economia.

Mesmo sob pressão, o governo continua capaz de impor custos a seus inimigos e explorar vulnerabilidades nas cadeias de energia e nas alianças internacionais. Para o CFR, o Irã pode continuar sendo um ator relevante na geopolítica do Oriente Médio por muitos anos, o que torna mais complexas as negociações para encerrar a guerra e estabelecer uma nova ordem regional.

Os Estados Unidos pretendiam destruir a Marinha e a Força Aérea iranianas, reduzir a capacidade de lançamento de mísseis e impedir a produção de novos armamentos. Segundo Elbridge Colby, subsecretário de Defesa para Políticas, e Marco Rubio, secretário de Estado americano, a operação buscava limitar a projeção militar do Irã além de suas fronteiras.

Segundo o Council on Foreign Relations, a Marinha iraniana foi amplamente destruída, o arsenal de mísseis do país sofreu perdas significativas e a economia ficou sob pressão. O conflito também causou a morte de 21 militares americanos e de mais de mil civis iranianos.

O Irã explorou sua posição no Estreito de Ormuz e usou mísseis, drones e minas para ameaçar uma rota estratégica do transporte mundial de petróleo e gás. Segundo o Council on Foreign Relations, essa pressão afetou os preços da energia, a inflação e o custo de vida nos Estados Unidos.

O uso intensivo de interceptadores Patriot e sistemas THAAD reduz o estoque de munições estratégicas necessário para outros compromissos militares americanos. Na avaliação do Council on Foreign Relations, a reposição pode afetar a capacidade de defesa dos Estados Unidos na Ásia e o apoio prestado à Ucrânia.

Segundo o Council on Foreign Relations, ataques dos houthis ao aeroporto internacional de Riad deixaram mais de uma dúzia de mortos e mais de 300 feridos. A insegurança também levou executivos de empresas como Chevron, ExxonMobil, Shell, BP e TotalEnergies a cancelar viagens à capital saudita para o Congresso Mundial de Energia.

Sim. Segundo Michael Froman, presidente do Council on Foreign Relations, os países que abrigam bases americanas podem concluir que essas instalações criam mais riscos do que proteção, o que abriria espaço para novas alianças regionais e poderia levar Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos a avaliar capacidades nucleares militares.

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