Google amplia Gemini para pequenas e médias empresas — Do anúncio ao fluxo de caixa
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Consulte formatos e valores disponíveisDo anúncio ao fluxo de caixa: Google amplia Gemini para pequenas e médias empresas Novos recursos reúnem criação de campanhas, identidade visual e análise financeira; Regina Chamma explica a estratégia para ampliar o uso da tecnologia entre empreendedores Regina Chamma, diretora de Google Customer Solutions no Brasil (Luh Aith/Google/Divulgação)
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 12h59 .
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Google Saiba mais O Google anunciou nesta terça-feira, 20, uma nova central de negócios no aplicativo do Gemini , com ferramentas de inteligência artificial para ajudar microempreendedores, autônomos e pequenas empresas a criar campanhas de marketing, organizar a identidade visual e analisar as finanças.
Apresentados durante a 15ª Feira do Empreendedor do Sebrae-SP, os recursos começam a ser disponibilizados gradualmente para usuários do aplicativo em todo o mundo. O pacote também facilita a conexão com o Perfil da Empresa , o Google Ads e o Google Workspace , além de aplicativos parceiros, como Canva e Wix .
A iniciativa amplia a aposta da companhia em levar a IA para a operação de negócios que nem sempre têm equipe ou dinheiro para contratar profissionais especializados. Em entrevista exclusiva à EXAME, Regina Chamma, diretora do Google Customer Solutions no Brasil, afirma que esse é um dos segmentos em que a tecnologia pode provocar maior transformação.
“A IA ajuda uma empresa que talvez nunca tenha tido tantos recursos disponíveis, que enfrenta dificuldades de capital de giro ou não consegue contratar profissionais de diferentes áreas. Ela dá a esse pequeno empreendedor acesso ao conhecimento de uma maneira muito mais rápida”, diz.
“Nosso propósito é ajudar essas empresas a crescer, gerar empregos e movimentar a economia”, reforça.
Para a executiva, a simplificação é essencial para aproximar a tecnologia de quem acumula funções na empresa.
“A IA democratiza um conhecimento que talvez estivesse muito mais concentrado nas grandes empresas. Nosso papel é levá-la de uma maneira simples, prática e fácil, para que a pequena e a média empresa consigam tirar proveito dela.”
Na avaliação de Regina Chamma, a familiaridade dos brasileiros com a inteligência artificial abre espaço para uma adoção maior no trabalho. Segundo dados apresentados pelo Google , 82% dos brasileiros já utilizam alguma ferramenta de IA. E 71% relatam uso em tarefas pessoais e 41%, em atividades profissionais.
“Existe uma diferença grande nesse cenário. As pessoas ainda usam muito mais a IA para algo pessoal, como planejar uma viagem ou procurar um produto, do que para uma atividade profissional. Mas 41% já é um número bastante alto”, explica a diretora de Google Customer Solutions .
Os percentuais, porém, não permitem determinar quanto a tecnologia já está incorporada à rotina de trabalho. “A gente ainda não sabe dizer qual é a intensidade desse uso”, enfatiza.
Para Chamma, parte do desafio está na compreensão das aplicações: “É uma questão de as pessoas entenderem como podem usar isso para ganhar produtividade”.
Entre pequenas e médias empresas , os planos de adoção também avançam. Segundo o estudo Horizonte em Foco 2026 , do Google Cloud com a IDC, a proporção de PMEs latino-americanas com planos definidos para IA passou de 34%, em 2025, para 77%, em 2026. Além disso, 48% já mantêm projetos de agentes de IA em andamento ou em implantação.
No Brasil, segundo a companhia, o uso das ferramentas de IA do Google Cloud por pequenas e médias empresas cresceu nove vezes na comparação anual em 2026.
Para quem tem pouco dinheiro, quer começar a aplicar a IA em seu negócio, mas não sabe por onde começar, Regina Chamma recomenda atenção às informações básicas do negócio na internet. Uma cabeleireira, por exemplo, pode usar o Perfil da Empresa no Google para apresentar serviços, fotos, horários e formas de pagamento, mesmo sem ter um site.
“O pequeno empreendedor precisa entender que tem de ser dono do seu conteúdo digital. Não só das redes sociais, mas daquele conteúdo que importa para que o consumidor vá até o estabelecimento”, pontua.
Isso inclui informar se o negócio aceita Pix ou cartão de crédito , quais serviços presta e quando está aberto. Na avaliação da executiva, manter esses dados atualizados ganha relevância com o avanço das buscas apoiadas por IA e dos agentes capazes de executar tarefas.
A executiva resume a orientação em três frentes: presença, produtividade e performance.
“A presença é manter o conteúdo atualizado e bem-feito. A produtividade é como você usa a IA para ajudar nos processos internos, nos chatbots e nas campanhas de marketing . E a performance é como usa as ferramentas disponíveis para melhorar os resultados das campanhas e das ações”.
“A presença é fundamental e é gratuita. É como você se apresenta para o consumidor no meio digital”, diz. “O empreendedor tem uma boa presença e pode usar as plataformas publicitárias para impulsionar o negócio. Elas são complementares.”
Segundo ela, as buscas passaram a usar de três a cinco vezes mais palavras, com descrições mais detalhadas do que a pessoa deseja encontrar. Em vez de procurar apenas um tênis de corrida pelo tamanho, por exemplo, o consumidor pode especificar distância, amortecimento e tipo de pisada.
“A jornada deixou de ser linear. Ela passa por diferentes plataformas, redes sociais e outras interações e buscas. O que temos feito é usar IA nas nossas plataformas para captar essa demanda onde quer que ela esteja e trazer resultado para o empreendedor.”
Ainda assim, Chamma reconhece que a implantação de uma ferramenta exige adaptação — um desafio para empresas com pouco caixa.
“O pequeno empreendedor tem uma necessidade muito mais rápida de resultado, porque às vezes não tem caixa suficiente nem o privilégio de esperar muito tempo. Mas, quando muda um processo no dia a dia, ele pode levar um tempo para acontecer: uma semana, duas ou um mês”, diz.
O avanço da adoção convive com limitações estruturais. O estudo do Google Cloud com a IDC aponta que a infraestrutura de TI inadequada é o principal desafio das PMEs latino-americanas para rodar aplicações de IA, seguida pela arquitetura de dados pouco otimizada e pela complexidade técnica e financeira de atualizar sistemas antigos.
Além disso, 33% das empresas da região relatam grandes dificuldades para estabelecer regras de controle ou segurança no uso da tecnologia.
Para Regina Chamma, ampliar a oferta de ferramentas precisa vir acompanhado de formação. Durante a feira, o Google prevê atividades de capacitação e a oferta de um curso gratuito aos empreendedores presentes em sua palestra.
“O ponto principal é como educamos rapidamente essas pequenas e médias empresas para que tenham conhecimento da IA e saibam usá-la da melhor maneira no dia a dia”, afirma.
E acrescenta: “Se não tivermos essa capacitação, essa educação, não conseguimos dar esse passo. Ela é o alicerce de que precisamos para dar escala à IA no Brasil”.
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