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Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 21:30
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Um Dia Todos Dirão Terem Sido Contra, de Omar El Akkad Imagem: Reprodução Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Os livros da irlandesa Sally Rooney não serão mais vendidos no Reino Unido. A autora tinha prometido doar seus ganhos com direitos autorais para a Palestine Action, grupo tratado como terrorista pelo governo britânico por conta de suas manifestações em favor da Palestina. A justiça decidiu que a escritora não poderia receber pelos seus livros caso levasse a ideia adiante.

A editora considerou estapafúrdia a possibilidade de vender os livros de Sally sem remunerá-la por isso. Com a perseguição, resolveram dar as costas para os britânicos. Não é pouca coisa. Uma das principais escritoras contemporâneas da língua inglesa, autora de romances como "Pessoas Normais" e "Intermezzo" (Cia das Letras, tradução de Débora Landsberg), agora não estará mais nas livrarias de um dos mercados mais fortes do mundo.

Não houve pressão judicial ou comercial que fizesse com que Sally Rooney abrisse mão de estar do lado palestino da história. Um dia, todos dirão ter se portado como a escritora diante de um dos episódios mais deprimentes dos nossos dias. O que me leva a um livro lançado neste ano no Brasil.

O escritor Omar El Akkad nasceu no Egito, cresceu no Catar, foi ainda jovem morar no Canadá e, depois, mudou-se para os Estados Unidos. Jornalista reconhecido, no ano passado Omar publicou "One Day, Everyone Will Have Always Been Against This", que lhe valeu um National Book Awards e figurou entre os mais vendidos do New York Times.

A obra é apresentada num tom grave. A promessa é que o autor aponte de forma contundente como o Ocidente é corresponsável pelo genocídio perpetrado por Israel contra os palestinos, sobretudo na Faixa de Gaza após outubro de 2023.

E faz isso. O que o autor considera como Ocidente, no entanto, deve ser entendido pelo leitor como Estados Unidos. Recém-publicado no Brasil, "Um Dia Todos Dirão Terem Sido Contra" (Martins Fontes, tradução de Rodrigo Neves) é um bom exemplo de como muitos intelectuais que vivem e produzem a partir do país tomado por Donald Trump têm uma visão bastante distorcida de mundo.

"Este é o relato de uma cisma, de uma ruptura com a noção de que ser um esclarecido liberal de esquerda no Ocidente já tenha querido dizer alguma coisa", anuncia. As bordoadas de Omar atingem tanto Republicanos quanto Democratas, tratados pelo autor como grandes representantes da esquerda. Ora, convenhamos, mesmo na régua ocidental os Democratas ocupam no máximo uma posição de centro.

Para o autor, o que está à esquerda nos Estados Unidos é um padrão aceitável para se compreender a esquerda de forma geral. Por ter essa visão tão umbilicalmente ligada aos Estados Unidos, Omar demonstra surpresa ao constatar quão demagogos e oportunistas os Democratas podem ser. Talvez fosse menos ingênio se prestasse atenção no que governos estadunidenses, independente do partido no poder, sempre fizeram pelo mundo.

Tendo isso em mente, "Um Dia Todos Dirão Terem Sido Contra" é uma boa leitura para compreender como o jornalismo, o discurso público, diferentes governos e a sociedade estadunidense, por extensão, são coniventes com massacres protagonizados pelos Estados Unidos ou por seus cupinchas. O Reino Unido que agora persegue Sally é apoiador de primeira hora em qualquer ato de selvageria.

Mesmo aqueles que eventualmente apresentam críticas bem-intencionados contra um descalabro como o praticado em Gaza tendem a relativizar o horror quando são seus próprios interesses que estão na reta. Nem que seja o interesse pela acomodação para evitar ruídos maiores.

Misturando acusações, informações, relatos e passagens biográficas, Omar trata da construção do outro como um ser monstruoso a sempre ser temido pelos norte-americanos. A dissolução de identidades individuais em grandes apanhados coletivos faz parte desse processo:

"Muitas vezes, fui chamado a ser o representante de todos os muçulmanos, de todos os árabes, de todos os morenos deste mundo a pedido de pessoas que não eram monstros, não eram nem mesmo maliciosas por convicção, mas que simplesmente não tinham outra referência que pudessem consultar. Eu tive de sorrir e de acenar com a cabeça. Tive de ser legal", escreve.

São bons os olhares que Omar lança para questões caras a múltiplas realidades pelo mundo. A maneira como as fronteiras funcionam de formas diferentes de acordo com a aparência e a conta bancária de cada pessoa, por exemplo. Ou a exigência de que grupos oprimidos sempre resistam de forma pacífica, ordeira e virtuosa. E ainda a balela de que enxergar o centrismo como um meio-termo razoável enquanto propostas absurdas implodem as bases do humanismo.

A partir dos Estados Unidos, Omar escreve sobre um mundo que perde toda a noção de qualquer razoabilidade, em que qualquer padrão moral está pulverizado. Com essa perspectiva que crava:

"Um mundo que dá de ombros para uma matança, seja ela qual for, terá desenvolvido uma imunidade medonha. Nenhuma atrocidade será tão grande que não possa ser ignorada da mesma maneira, com um dar de ombros, depois que os músculos da indiferença tiverem sido devidamente condicionados para tanto".

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