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O que a ciência diz sobre tendência de correr descalço

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Consulte formatos e valores disponíveisEamonn Keaveney mostra sola do pé após percorrer mais de 6.800km descalço Imagem: Reprodução/Guiness World Record Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Caminhar ou treinar sem calçados pode ajudar a fortalecer os pés e melhorar o equilíbrio, mas a prática exige adaptação. Aumentar rapidamente a distância ou a intensidade pode provocar lesões por sobrecarga.
O irlandês Eamonn Keaveney percorreu mais de 6.800 quilômetros descalço e recuperou um recorde mundial. Ele caminhou 6.805,83 quilômetros entre a Turquia e a Irlanda, em uma jornada de 369 dias, encerrada em 7 de março de 2026. O feito foi divulgado pelo Guinness World Records em 9 de setembro.
Apesar da experiência, Keaveney sofreu lesões durante o percurso. Segundo o Guinness, ele enfrentou sangramentos provocados pelo desgaste da pele dos pés, uma infecção causada por um espinho e uma fratura em um dos dedos.
O feito não significa que qualquer pessoa esteja preparada para abandonar os tênis. Segundo o ortopedista Otaviano de Oliveira Júnior, da Sbrate (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte), a capacidade de suportar impactos sem calçados depende das características individuais e da adaptação do corpo.
Treinar sem calçados pode fortalecer a musculatura dos pés. Determinados exercícios também podem contribuir para melhorar o equilíbrio e a propriocepção, capacidade do corpo de reconhecer a posição e os movimentos das articulações.
Fazer alguns trabalhos descalço pode ser interessante para a melhora da força musculatura intrínseca dos pés, além de treinos em superfícies instáveis para melhora do equilíbrio. Otaviano de Oliveira Júnior
Os tênis, por outro lado, oferecem proteção e amortecimento. Além de proteger a pele contra ferimentos e temperaturas extremas, os calçados esportivos podem ajudar a absorver impactos e controlar movimentos excessivos das articulações dos pés.
Isso não significa que correr descalço seja indicado para todo mundo. Segundo o médico, apenas uma parcela da população apresenta adaptação suficiente para suportar naturalmente atividades de maior impacto sem calçados.
São pessoas biomecanicamente privilegiadas e que podem correr descalças ou com calçados minimalistas, porém isso não deve ser a regra para a grande maioria da população.
A falta de adaptação pode sobrecarregar músculos, tendões e ossos. Quem está acostumado a correr ou caminhar de tênis pode não estar preparado para percorrer grandes distâncias sem a proteção e o suporte dos calçados.
Tendinites e problemas na planta dos pés estão entre as possíveis consequências. O especialista cita tendinopatias do tendão de Aquiles, localizado na região do calcanhar, e dos tendões ligados ao joelho, além da fasciopatia plantar, que afeta o tecido que percorre a sola do pé.
Fraturas por estresse também podem ocorrer. A repetição de impactos, especialmente após aumentos bruscos na intensidade dos exercícios, pode provocar pequenas lesões nos ossos. Os metatarsos, localizados na parte da frente dos pés, estão entre as regiões mais suscetíveis.
A tíbia, a fíbula e o calcâneo, chamado de osso do calcanhar, também podem ser atingidos. O ortopedista alerta ainda para o risco de entorses em pessoas com alterações no alinhamento dos pés, como aquelas que apresentam arco do pé muito elevado e maior instabilidade nos tornozelos.
A recomendação é começar com trajetos curtos. A adaptação deve ser progressiva, permitindo que a musculatura, os tendões e as articulações se acostumem à mudança.
O tempo e a intensidade podem aumentar aos poucos. Segundo o médico, a progressão deve ocorrer apenas se a pessoa estiver confortável e não apresentar sintomas importantes durante ou depois da atividade.
Sentir dor não significa que o treinamento está funcionando. Oliveira Júnior alerta que a prática não deve ser mantida quando provoca desconfortos relevantes. "Não deve insistir na prática por 'modismo' ou influência de outras pessoas caso tenha desconfortos maiores."
Pessoas com diabetes e perda de sensibilidade nos pés precisam de atenção especial. Nesses casos, pequenos ferimentos podem passar despercebidos e evoluir para complicações.
O cuidado também vale para tabagistas com alterações de sensibilidade e pessoas que já tiveram feridas nos pés. Segundo o especialista, essas condições podem aumentar o risco de complicações durante caminhadas ou corridas sem calçados.
Quem apresenta deformidades nos pés também precisa de avaliação individualizada. Mesmo alterações discretas podem modificar a distribuição dos impactos e favorecer lesões.
Dor persistente ou dificuldade para caminhar são sinais de alerta. Pequenos desconfortos podem aparecer após uma atividade diferente da habitual, mas não devem ser ignorados quando persistem ou pioram.
A orientação é interromper a prática e procurar avaliação médica se houver dor prolongada ou limitação dos movimentos. Segundo Oliveira Júnior, nesses casos, o ideal é consultar um ortopedista para investigar possíveis lesões e evitar o agravamento do quadro.
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