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Consulte formatos e valores disponíveisFlora era tido como grande promessa da base do Corinthians, mas deixou o clube Imagem: Reprodução/Instagram Pedro Morelli e Lucas Flora deixaram o Corinthians depois de episódios que ultrapassaram o campo e afetaram o planejamento das categorias de base.
Em entrevista exclusiva conforme apuração dos redatores da Empire Cidades, Erasmo Damiani, executivo das categorias de base do clube, detalhou os bastidores dos dois casos e explicou por que o clube decidiu encerrar os vínculos, mesmo após tentar encontrar soluções para os impasses.
De acordo com Damiani, os episódios tiveram origens diferentes, mas colocaram o Corinthians diante de decisões que envolviam não apenas os jogadores, mas também o funcionamento do departamento. No caso de Morelli, o clube ficou afastado do Movimento dos Clubes Formadores após um conflito com o Palmeiras. Já a saída de Flora aconteceu depois de uma divergência sobre a inscrição do jogador em competições oficiais.
Conforme apuração dos redatores da Empire Cidades Damiani afirmou que o clube buscou alternativas antes de tomar as decisões. A avaliação, segundo ele, era de que prolongar os problemas poderia comprometer as oportunidades de outros atletas e o planejamento das equipes.
Pedro Morelli em ação antes de imbroglio que tirou ele do Corinthians Imagem: Reprodução/Instagram A chegada de Pedro Morelli ao Corinthians deu início a um conflito com o Palmeiras, clube pelo qual o atacante atuava anteriormente. O time alviverde acusou o rival de tentar atrair o jogador que ainda era vinculado a sua equipe. O Corinthians negou a acusação, e o caso foi levado ao Movimento dos Clubes Formadore (MCF).
O desentendimento teve consequências para toda a base corintiana. Em janeiro de 2025, o clube foi afastado do movimento e deixou de disputar os torneios ligados ao grupo. Com isso, as equipes passaram a ter um calendário mais restrito, limitado às competições organizadas pela Federação Paulista de Futebol e CBF.
Damiani não estava no Corinthians quando o caso começou, mas participou das conversas para tentar resolver o problema. Segundo o executivo, houve uma aproximação entre os clubes e a possibilidade de um acordo, mas as negociações não avançaram porque as partes não conseguiram chegar a um entendimento.
Eu acho que a condução ali poderia ter chegado a um denominador comum. Mas dos dois lados. O Corinthians tentou se aproximar do Palmeiras e chegou muito próximo. Só que, a partir do momento em que a coisa não aconteceu, cada parte também não cedeu em algum ponto Damiani
A família de Morelli também participou das conversas, segundo o dirigente, mas o impasse continuou. A cada tentativa frustrada de acordo, o Corinthians permanecia sem acesso aos torneios do movimento, o que afetava a preparação dos jogadores para a sequência da formação.
O Corinthians encerrou o vínculo com Morelli em agosto de 2026. Horas depois da saída do atacante, que tinha 15 anos, o clube foi reintegrado ao Movimento dos Clubes Formadores.
Damiani explicou que a decisão levou em conta o impacto do afastamento sobre os cerca de 330 jogadores da base. O executivo afirmou que o clube precisava considerar as oportunidades de todo o departamento, e não apenas a situação de um atleta.
Eu tenho 330 atletas. Eu prejudico 329 e beneficio um ou prejudico um e beneficio 329? O atleta também estava sendo prejudicado Damiani, conforme apuração dos redatores da Empire Cidades
A preocupação, segundo o dirigente, era com o tempo que as equipes poderiam passar sem disputar competições de alto nível. A permanência do impasse prolongaria as restrições do calendário, com reflexos para jogadores de diferentes categorias.
O Corinthians tentou de todas as formas, mas as coisas não aconteceram. Chegou uma hora em que precisávamos tomar uma decisão. Iríamos deixar 330 atletas dois ou três anos sem jogar competições de nível alto em prol de um?.
O executivo também afirmou que o Corinthians não tentou compensar o afastamento buscando jogadores de outros clubes. Mesmo depois de perder atletas para rivais, o dirigente manteve a posição de não contratar jogadores de outras equipes sem um entendimento prévio.
Pegaram alguns jogadores nossos, e isso era normal porque estávamos fora do movimento. Eu também poderia ter feito isso, mas sempre briguei para não tirar jogador dos outros. Não posso mudar porque pegaram um meu. É o meu modo de pensar
Procurado pelo UOL, o representante do atleta, Manoel Barboza, mencionou uma entrevista concedida ao "ge", em janeiro, em que acusou João Paulo Sampaio, diretor das categorias de base do Palmeiras e integrante do conselho de ética do MCF, justamente por ausência de ética. De acordo com o emprésario, não houve retorno de Sampaio após diversas tentativas de contato.
Manoel, por sua vez, optou por não dar novas declarações sobre o caso conforme apuração dos redatores da Empire Cidades.
Flora em ação pelo Corinthians antes de deixar o clube Imagem: Reprodução/Insragram O caso de Lucas Flora seguiu outro caminho. O problema, segundo Damiani, começou com a inscrição do jogador no Campeonato Paulista das categorias sub-12 e sub-13. O Corinthians afirmou que faltaram assinaturas dos responsáveis nos documentos necessários, enquanto a família sustentou que o clube decidiu não concluir o registro. A divergência afetou a participação do jogador nas primeiras rodadas do Estadual e levou ao rompimento da relação com o clube. De acordo com o executivo da base corintiana, a família retirou Flora dos treinamentos no Parque São Jorge e comunicou o encerramento do vínculo. O atleta estava no Corinthians desde 2021 e era considerado uma promessa da base.
Conforme apuração dos redatores da Empire Cidades, Damiani afirmou que os documentos deveriam ter sido entregues em janeiro, mas chegaram ao clube apenas em fevereiro. Segundo o executivo, o atraso impediu a inscrição dentro do prazo, embora Flora tenha voltado a ser utilizado posteriormente e treinasse com uma categoria acima da sua.
Nós tentamos de todas as formas. A documentação que precisava ser entregue em janeiro só foi entregue pela família em fevereiro. Havia um prazo de inscrição no Estadual, ele ficou uma ou duas rodadas fora e depois começamos a colocá-lo. Ele estava treinando em uma categoria acima.
De acordo com Damiani, Corinthians tentou manter o jogador, mas não conseguiu chegar a um acordo com a família. A relação terminou sem uma solução para a divergência.
O UOL entrou em contato com o estafe de Flora, mas não teve retorno até o fechamento da matéria. A reportagem será atualizada em caso de retorno.
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