URGENTE
Voltar para a página inicial

Fique por dentro: Proposta de Flávio Bolsonaro para transformar SUS em Einstein é fantasiosa e acena para privatizações, afirmam especialistas

Leia mais (10/23/2026 - 04h00)

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 07:00
0 visualizações
Fique por dentro: Proposta de Flávio Bolsonaro para transformar SUS em Einstein é fantasiosa e acena para privatizações, afirmam especialistas
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Copiar link Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes

23.out.2026 às 4h00 Diminuir fonte Aumentar fonte Luis Eduardo de Sousa Campinas A fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre adotar no SUS (Sistema Único de Saúde) o modelo de atendimento do Einstein Hospital Israelita é fantasiosa e inflama os usuários contra o sistema público, afirmam especialistas em saúde pública que conversaram com a Folha .

O candidato à Presidência da República afirmou no debate da TV Band, no último domingo (18), que pretende transformar o SUS em padrão Einstein, porém sem avançar nos detalhes sobre a proposta. Não há também qualquer menção nesse sentido no plano de governo de Flávio.

O Einstein Hospital Israelita é frequentemente laureado com premiações que o colocam entre os melhores hospitais do país. Há, contudo, diferenças estruturais entre seu funcionamento e o modelo praticado pelo SUS, que tem o dever constitucional de oferecer acesso à saúde a todo cidadão brasileiro, de maneira integral e em todas as regiões do país.

A campanha de Flávio foi procurada por meio do WhatsApp de sua assessoria de imprensa na segunda (19), na quarta (21) e nesta quinta-feira (22), mas não respondeu à reportagem nas três ocasiões.

Para o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador e primeiro presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e um dos idealizadores do SUS, a declaração é um aceno à saúde privada e à ampliação de concessões de serviços públicos. Ele classifica a declaração como preocupante.

A narrativa ganhou reforço após atores do campo progressista recuperarem um vídeo do médico Cláudio Lottenberg, cotado para assumir o Ministério da Saúde em eventual governo de Flávio, em que afirma que "não colocaria nada mais [no SUS], a não ser que a gente esgotasse ou pelo menos evoluísse na forma de alocar os recursos que nós já dispomos".

À Folha Lottenberg afirma que o trecho recortado de seu vídeo foi reproduzido de maneira fragmentada. "Reconheço que minha formulação poderia ter sido mais precisa: a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, e essa garantia constitucional é uma conquista que deve ser preservada. Defendo um SUS fortalecido, com acesso universal, organizado a partir da atenção primária, com equipes que acompanhem as pessoas, serviços integrados, diagnóstico oportuno e continuidade do tratamento", diz.

Lottenberg prossegue: "A mudança que proponho está na organização e na gestão do cuidado, preservando integralmente a responsabilidade do poder público e colocando a dignidade e a segurança do paciente no centro de cada decisão".

Sobre a fala de Flávio, o médico afirma que "Flávio usa como referência de qualidade e segurança". E complementa que acredita ser possível fazer isso dentro do SUS.

A reportagem perguntou qual seria a estratégia pensada para aplicar esse ideal na lógica pública, e Lottenberg respondeu: "Devemos criar protocolos, estabelecer indicadores, acompanhar desempenho, estimular uma cultura que fortaleça a segurança no cuidado".

Os apontamentos, contudo, já estão presentes no SUS. O sistema usa protocolos de atendimento geralmente desenvolvidos pelas sociedades de especialidades; realiza pesquisas constantes, como a Vigitel; e acompanha os resultados das incorporações que são aprovadas. Questionado sobre como avalia esses apontamentos no sistema atualmente, Lottenberg não respondeu.

Para Vecina, não tem como comprar a SUS com o Einstein. "Uma coisa é o que o Einsten faz, um hospital privado que atende quem o busca. Outra coisa é o SUS, um sistema de saúde universal que atende 100% da população em hospitalização, prevenção e tratamento. Uma fala nesse sentido revela a ignorância acerca do funcionamento do sistema de saúde", diz.

O sanitarista destaca que o Einstein já participa do SUS, na gestão de hospitais e unidades básicas de saúde, por meio do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde), uma parceria entre o Ministério da Saúde e hospitais de excelência.

"O que o Einstein, o Sírio [Libanês] e outros privados fazem é voltado para atendimento de um público específico, baseado em decisões próprias de cada instituição. São hospitais de excelência porque atendem um nicho, geralmente de alta renda, e investem para ter retorno financeiro. Vende-se o serviço de saúde para quem pode comprar. Se o Einstein fosse atender o SUS, seria um desastre", afirma o sanitarista.

Vecina também critica a declaração de Lottenberg, que avalia como uma narrativa para "elevar a clientela dos hospitais privados". O especialista compara economias maiores e seus sistemas de saúde para reforçar o desafio do SUS.

"Nos Estados Unidos, não há acesso a quem não paga. O Reino Unido, que tem modelo mais parecido com o Brasil, estuda o SUS, e nós estudamos o modelo deles. Eles gastam em saúde o equivalente a 10% do PIB. A experiência internacional mostra diversos países com dificuldade para estruturar um sistema similar ao nosso, mesmo os mais ricos", diz.

Leia Mais Ícone fechar Voltar Ver novamente Voltar

"A comparação já é falha porque o SUS é um sistema, e o Einstein uma instituição única. Supondo que a fala seja para o contexto dos hospitais, isso exigirá investimentos para além da capacidade de financiamento atual. Impossível no contexto da promessa de corte bilionário de despesas prometido pelo candidato. Não tem como aumentar o padrão e cortar ao mesmo tempo", afirma.

A comparação já é falha porque o SUS é um sistema, e o Einsten uma instituição única. Supondo que a fala seja para o contexto dos hospitais, isso exigirá investimentos para além da capacidade de financiamento atual. Impossível no contexto da promessa de corte bilionário de despesas prometido pelo candidato. Não tem como aumentar o padrão e cortar ao mesmo tempo

"A declaração importa uma lógica privada para um sistema público de realidade completamente distinta. É uma lógica impossível", diz Marilia.

A especialista explica que o financiamento é um dos maiores gargalos atuais do SUS, desafiando a manutenção do sistema. Seria impossível pensar, ela afirma, em uma estrutura de hospedagem, como a do Einstein, se os recursos atuais atendem as necessidades existentes com dificuldade.

Ao SUS não compete apenas o atendimento hospitalar. O sistema também é responsável pela saúde preventiva, que inclui campanhas de comunicação, testagem de múltiplas patologias, vacinação e exames de rotina na atenção primária.

Na estrutura do SUS também estão o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a Anvisa. O modelo também contribui com o financiamento de pesquisas sobre tratamentos e estratégias hospitalares, por vezes com parceria privada, como no Proadi-SUS.

Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

Também é responsabilidade do SUS atender comunidades tradicionais em territórios remotos, como as etnias indígenas do interior do Amazonas. O sistema responde ainda pela logística de atuações urgentes, com atendimento em situações de tragédia ambiental ou sanitária, como a montagem dos hospitais de campanha na pandemia e nas enchentes do Rio Grande do Sul.

"Os hospitais do SUS têm suas dificuldades, mas conseguem atender a maior parte das demandas da sociedade brasileira. Não é um padrão de hotelaria que define a qualidade. Acho que essa narrativa pode criar uma expectativa no usuário que não é real, e até desestimular a confiança da população no próprio sistema de saúde", diz Marilia.

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Copiar link Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes

Tópicos relacionados Leia tudo sobre o tema e siga:

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

#Belém#Saúde
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas