Fique por dentro: Por que o Brasil precisa se importar com as eleições de meio de mandato dos EUA?
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Consulte formatos e valores disponíveisPor que o Brasil precisa se importar com as eleições de meio de mandato dos EUA? Disputa pelo controle do Legislativo americano pode redefinir relações entre Washington e Brasília, em um momento de tensão entre os dois países Votação para as eleições de meio de mandato, em Detroit, nos EUA (Jeff Kowalsky/AFP)
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + As midterms nos Estados Unidos podem redefinir a relação com o Brasil após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, caso os democratas conquistem a Câmara. Segundo Lucas de Souza Martins, professor da Temple University e consultor da organização Washington Office on Latin America, a oposição ampliaria a fiscalização sobre política externa, tarifas e sanções. Donald Trump, porém, deve agir com pragmatismo diante de Lula.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ocorrem em um momento de tensão na diplomacia com o Brasil. Com a recente confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas brasileiras e a presença de Donald Trump na Casa Branca, o resultado das midterms ultrapassa os limites da política doméstica americana.
Se as pesquisas se confirmarem e o Partido Democrata conquistar a maioria na Câmara dos Representantes, a configuração de forças em Washington mudará drasticamente, criando um cenário de maior fiscalização institucional e vigilância sobre as diretrizes de política externa do atual governo republicano.
Para o empresariado e a diplomacia do Brasil, o xadrez legislativo americano ditará o ritmo dos próximos anos. Um Congresso controlado pela oposição não apenas impõe um freio a novas medidas protecionistas e sanções comerciais, como também passa a exigir prestação de contas de movimentos políticos — a exemplo da cobrança de explicações sobre uma suposta ajuda do governo americano na fuga do candidato derrotado das eleições, Flávio Bolsonaro, do PL.
Segundo o professor Lucas de Souza Martins, da Temple University, e consultor do Washington Office on Latin America, apesar da retórica de guerra cultural, o presidente americano é transacional e agirá com forte pragmatismo na relação com o novo governo Lula, enquanto os democratas usarão o peso do Legislativo para frear a Casa Branca.
"Por mais que faça acenos à sua aliança histórica com a família Bolsonaro, recebendo Flávio nos Estados Unidos, Trump não deu margem para reconhecê-lo politicamente e já mencionou que vai falar com Lula para estabelecer uma relação bilateral normal. Ele age com forte pragmatismo ao lidar com a vitória de Lula", diz Lucas.
A relação Brasil-Estados Unidos passa por um momento de tensão. Considerando que um Congresso dividido pode frear ou acelerar a agenda de política externa da Casa Branca, qual o impacto imediato das midterms nas atuais tensões comerciais e institucionais com o governo brasileiro?
O impacto tende a ser positivo para o governo Lula. A partir de 2027, com a posse do novo Congresso democrata, haverá uma pressão maior sobre a política externa americana. O Marco Rubio, por exemplo, é um presidenciável e o principal símbolo dessa política externa do governo Trump, que tem se mostrado impopular. Essa política externa gerou problemas sérios, como a crise energética em Ormuz e a necessidade de Washington fechar um acordo de abastecimento com os russos, algo que é impopular até mesmo entre os republicanos. Portanto, essa tensão interna e a pressão sobre figuras como Rubio acabam beneficiando o Brasil nesse cenário.
As pesquisas indicam um avanço importante dos democratas no Legislativo com as midterms. Se esse cenário se confirmar, o que podemos esperar de impactos na relação dos Estados Unidos com o Brasil?
O avanço dos democratas e a conquista da maioria na Câmara dos Representantes implicam mudanças diretas, como a troca do presidente da Casa (Speaker) por um democrata. Além disso, a oposição passará a comandar os principais comitês, incluindo os de acompanhamento da política exterior. Isso resultará em muito mais fiscalização e envios de cobranças ao Departamento de Estado sobre o que se faz na relação bilateral com o Brasil. O Congresso passará a exigir justificativas formais, por exemplo, sobre os motivos de Flávio Bolsonaro ter sido recebido com um visto humanitário. Hoje, o governo Trump tem uma situação muito facilitada por ter maioria nas duas casas e sofre pouca pressão para prestar contas, mas um Congresso democrata usará seu poder para intensificar uma política de vigilância extrema sobre o que acontece na relação com o Brasil.
O presidente Donald Trump fez declarações recentes afirmando que as eleições presidenciais brasileiras teriam sido fraudadas. Até que ponto essa retórica da Casa Branca encontra eco no Congresso americano? Um eventual ganho de força do partido do presidente nas midterms pode transformar esses questionamentos verbais em sanções ou em uma política de Estado contra o Brasil?
As ações do presidente Trump em relação ao Brasil — como o não reconhecimento de Lula como presidente eleito e o acolhimento de Flávio Bolsonaro — encontram, na verdade, maior repercussão na oposição democrata. Os democratas criticam essa postura da Casa Branca porque atacar a política externa e o secretário Marco Rubio traz benefícios políticos internos para eles. O Brasil entra nesse contexto de forma interessante, servindo como mais um integrante na discussão da impopularidade do presidente Trump. A política externa é um ponto muito sensível para o eleitor independente americano, e os democratas vão usar esses temas, bem como as falhas da política tarifária, como uma plataforma eleitoral clara visando a disputa presidencial de 2028.
Historicamente, os Estados Unidos tratam a América Latina de forma pragmática. No entanto, hoje vemos uma "guerra cultural" quase sincronizada entre alas políticas de lá e daqui. As decisões do Judiciário brasileiro devem continuar sendo alvo de audiências e críticas no Capitólio no próximo ano, dependendo de quem vencer as midterms?
As decisões do Judiciário brasileiro continuarão sendo acompanhadas pela Casa Branca e pela oposição democrata. No entanto, estamos observando a imposição do "método Trump" e o enfraquecimento do "método Rubio". Apesar da narrativa de guerra cultural, Donald Trump é uma figura transacional que tem predileção por aqueles que considera vencedores. O próprio Trump já declarou que levou a posição do presidente Lula em consideração e não tomou partido na eleição presidencial brasileira a pedido de Lula. Por mais que faça acenos à sua aliança histórica com a família Bolsonaro, recebendo Flávio nos Estados Unidos, Trump não deu margem para reconhecê-lo politicamente e já mencionou que vai falar com Lula para estabelecer uma relação bilateral normal. Ele age com forte pragmatismo ao lidar com a vitória de Lula sobre os Bolsonaro.
Se você precisasse explicar para um empresário ou tomador de decisão brasileiro por que ele não pode ignorar o resultado dessas eleições legislativas de agora, qual seria o seu principal argumento?
O empresário jamais pode abrir mão de acompanhar a dinâmica política para entender os próximos passos da relação comercial entre os países, pois a política vai se impor na dinâmica entre Lula, Trump e a influência dos Bolsonaro. As midterms são um instrumento interessante porque colocam a oposição num cenário com muito mais força e privilégio para investigar e cobrar prestação de contas das medidas consulares e tarifárias implementadas por Trump. Esse novo Congresso democrata vai gerar um freio nas ações do presidente americano. Isso significa que, pelo menos nesse curto prazo inicial de posse do presidente Lula, não deveremos ter a imposição de novas tarifas ao Brasil ou novas aplicações da Lei Magnitsky, cenário que antes não estava descartado.
O impacto tende a ser positivo para o governo Lula caso os democratas conquistem a Câmara dos Representantes, segundo Lucas de Souza Martins. A oposição aumentaria a pressão sobre a política externa do governo Donald Trump e sobre o secretário Marco Rubio.
Os democratas assumiriam a presidência da Câmara e o comando de comitês responsáveis pela fiscalização da política externa. Segundo Lucas de Souza Martins, isso ampliaria as cobranças ao Departamento de Estado sobre a relação bilateral com o Brasil.
Um Congresso de maioria democrata poderia exigir explicações formais sobre o visto humanitário concedido a Flávio Bolsonaro e sobre uma suposta ajuda americana em sua saída do Brasil. Lucas de Souza Martins afirma que a oposição usaria seu poder para fiscalizar medidas consulares do governo Donald Trump.
Donald Trump deve adotar uma postura pragmática na relação com Luiz Inácio Lula da Silva, avalia Lucas de Souza Martins. Segundo o professor, apesar dos acenos à família Bolsonaro, Trump já mencionou que pretende conversar com Lula para estabelecer uma relação bilateral normal.
Os democratas podem usar as críticas à política externa, ao secretário Marco Rubio e às medidas tarifárias como plataforma para a eleição presidencial de 2028. Segundo Lucas de Souza Martins, a postura de Donald Trump em relação ao Brasil tem maior repercussão entre os opositores democratas.
O resultado pode afetar tarifas, sanções e medidas consulares com impacto na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo Lucas de Souza Martins, um Congresso democrata poderia conter novas tarifas contra o Brasil e novas aplicações da Lei Magnitsky no início do governo Lula.
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