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Fique por dentro: Por que a Vale ficou fora das apostas pós-eleição do UBS, mesmo com o dólar em alta

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 17:05
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Fique por dentro: Por que a Vale ficou fora das apostas pós-eleição do UBS, mesmo com o dólar em alta
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Por que a Vale ficou fora das apostas pós-eleição do UBS, mesmo com o dólar em alta Mesmo com o dólar de referência a R$ 5,50, banco vê riscos no minério e prefere Petrobras, Prio e Gerdau Mercado: dólar a R$ 5,50 favorece exportadoras, mas não muda visão do UBS sobre Vale. (Pavlo Gonchar/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Priorizar nos meus resultados Google A disparada do dólar após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar as exportadoras de commodities no radar dos investidores. Com o real a uma referência de R$ 5,50 por dólar, o UBS BB enxerga oportunidades em empresas, mas há uma ausência importante entre as principais apostas do banco: a Vale.

Em relatório na segunda-feira, 26, o UBS BB manteve Petrobras (PETR3; PETR4), Prio (PRIO3) e Gerdau (GGBR4) como suas ações preferidas no setor de commodities. A Suzano (SUZB3) aparece como alternativa para investidores que buscam maior exposição à alta do dólar.

A Vale ( VALE3 ), por sua vez, permanece sob uma avaliação cautelosa. Embora a mineradora também se beneficie do câmbio mais elevado, os analistas consideram que as perspectivas para o minério de ferro e os riscos operacionais reduzem a atratividade da companhia.

A diferença aparece nas projeções de geração de caixa, porque, mesmo considerando, por exemplo, o dólar a R$ 5,50 e um preço de minério de ferro de US$ 95 por tonelada, o UBS BB estima para a Vale um rendimento de fluxo de caixa livre recorrente de 7% em 2027.

O indicador fica abaixo dos 22,8% projetados para a Prio, dos 16,4% da Petrobras e de cerca de 14% da Gerdau.

O rendimento de fluxo de caixa livre mede a geração de caixa estimada de uma empresa em relação ao seu valor de mercado. Quanto maior o percentual, maior a geração de caixa proporcional ao valor da companhia, embora isso não signifique necessariamente um retorno direto ao acionista.

E o que o UBS BB indica para o investidor, em um ambiente de incerteza política e volatilidade cambial, é que não basta ter receitas ligadas ao dólar. É preciso combinar essa exposição com fundamentos operacionais sólidos e capacidade de geração de caixa.

A explicação do UBS BB está na combinação entre câmbio, preços das commodities e desempenho operacional, já que a desvalorização do real favorece a Vale ao reduzir, em dólares, o peso de parte de seus custos, desembolsos e investimentos.

Pelas estimativas dos analistas, uma alta de 10% do dólar em relação ao real teria impacto positivo de, aproximadamente, 4% sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ( Ebitda, em inglês) da mineradora, medido em moeda americana.

No entanto, o benefício não elimina as preocupações com o negócio, e o banco vê que as condições da Vale se deterioraram ao longo do último mês, impedindo uma mudança para uma visão mais otimista sobre a companhia, mesmo depois do desempenho inferior das ações.

Entre os principais pontos de atenção estão as perspectivas de preços do minério de ferro, custos e volumes de produção. Para o UBS BB, ainda existe risco significativo de que os resultados fiquem abaixo das estimativas atualmente consideradas pelo mercado nessas frentes.

A principal exceção apontada no relatório é a divisão de metais básicos da Vale, porém a sensibilidade das projeções ao minério reforça a cautela.

Com o câmbio a uma referência de R$ 5,50, o rendimento de fluxo de caixa livre recorrente da mineradora seria de 5,3% caso o minério de ferro ficasse em US$ 90 por tonelada em 2027.

A US$ 95, subiria para 7%. Mesmo com a commodity a US$ 100, o indicador alcançaria 8,7%, ou seja, o dólar mais alto ajuda a Vale, mas o banco considera que esse ganho não compensa, por si só, os riscos ligados à sua principal commodity e à operação.

Por outro lado, o UBS BB encontra uma combinação mais favorável em outras empresas do setor. Na Petrobras, a queda de 10% a 12% das ações observada durante a elaboração do relatório é interpretada como oportunidade de compra. Em dólares, a desvalorização dos papéis chegava a 18% a 20%.

A avaliação do banco é que a eleição não deve provocar mudanças relevantes nas operações da estatal. Os analistas projetam produção entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de barris por dia em 2027 e não esperam alteração na política de preços dos combustíveis.

Com o dólar a R$ 5,50, por exemplo, o UBS BB estima um rendimento de fluxo de caixa livre de 16,4% e um retorno em dividendos ( dividend yield ) superior a 12%.

A Prio também se destaca pela baixa exposição ao ambiente macroeconômico brasileiro. Para os analistas, a companhia deve preservar seu perfil de produção e sua capacidade de geração de caixa, mesmo diante da volatilidade doméstica.

Para a Prio, o UBS BB estima potencial de distribuição de dividendos superior a 30% no período que abrange o fim de 2026 e 2027, em seu cenário-base. O rendimento de fluxo de caixa livre estimado para 2027 chega a 22,8%.

Já a Gerdau é vista pelo UBS BB como uma empresa cada vez mais ligada à economia americana do que à brasileira. Os Estados Unidos já representam aproximadamente 75% do Ebitda do grupo. E os analistas também esperam que as margens Ebitda da operação americana se aproximem de 30% nos próximos um a dois trimestres.

A demanda por vigas de aço e barras de qualidade comercial cresceu entre 7% e 8% no acumulado de 2026, segundo o banco.

Além da exposição internacional, a companhia apresenta sensibilidade significativa ao dólar, e uma desvalorização de 10% do real teria efeito positivo de cerca de 13% sobre seu Ebitda, de acordo com as projeções do banco.

Enquanto a Suzano, produtora de celulose, apresenta a maior alavancagem operacional ao câmbio entre as empresas de commodities analisadas. Para cada 10% de desvalorização do real, o UBS BB estima aumento de aproximadamente 16% no Ebitda da Suzano.

Com o parâmetro do dólar a R$ 5,50 e da celulose a US$ 575 por tonelada, o rendimento de fluxo de caixa livre estimado para 2027 é de 12,5%, desconsiderando derivativos, mas o banco faz uma ressalva de que os fundamentos do mercado de celulose são considerados mais frágeis do que os de petróleo e aço.

O excesso de capacidade produtiva na China pressiona estruturalmente os preços, enquanto os analistas demonstram preocupação com a continuidade dos reajustes da commodity em novembro e dezembro.

Assim, apesar da maior sensibilidade ao câmbio, a Suzano aparece como alternativa, e não como integrante do grupo principal de preferências.

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