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Fique por dentro: O que trava um projeto de R$ 8 milhões que promete recuperar ícones do Centro de SP

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 18 de outubro de 2026 às 13:04
Via Exame
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Publicado em 18 de outubro de 2026 às 10h01 .

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O projeto privado Boulevard São João, que prevê revitalizar o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, permanece suspenso pela Justiça paulista desde maio de 2026. A iniciativa estima R$ 50 milhões em investimento, com quatro painéis digitais e R$ 8 milhões para patrimônio e mobiliário urbano. O TJ-SP manteve a paralisação em setembro.

A esquina das avenidas Ipiranga e São João , imortalizada nos versos de Caetano Veloso, pode ganhar uma nova paisagem . No começo do ano, foi apresentado um projeto de instalação de quatro grandes painéis digitais nas fachadas dos edifícios, mas que também promete apresentações musicais, feiras gastronômicas e atividades culturais aos finais de semana no Centro de São Paulo. A transformação, no entanto, enfrenta um obstáculo que não está nas ruas, mas nos tribunais.

Batizada de Boulevard São João , a iniciativa reúne empresários do Centro, entre eles os responsáveis pelo grupo Fábrica de Bares , dono do Bar Brahma, para criar um modelo de revitalização financiado pela iniciativa privada. A proposta é destinar parte dos recursos obtidos com patrocinadores à recuperação de monumentos históricos , à instalação de mobiliário urbano e à manutenção de espaços públicos.

O investimento estimado chega a R$ 50 milhões , dos quais cerca de R$ 8 milhões seriam destinados às contrapartidas urbanas e patrimoniais. O restante financiaria a infraestrutura tecnológica, incluindo os painéis de LED que renderam ao empreendimento o apelido informal de "Times Square paulistana".

Apesar de ter recebido aprovação de órgãos municipais, a implantação está suspensa desde maio por uma decisão judicial. Em setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a paralisação, deixando sem prazo para sair do papel um projeto que seus idealizadores pretendiam inaugurar ainda em 2026.

Em uma conversa com a EXAME no Café Girondino, no Centro de São Paulo , o empresário Álvaro Aoas , sócio da Fábrica de Bares, defendeu que a proposta não deveria ser reduzida aos equipamentos publicitários. Para ele, o principal objetivo é fazer com que os paulistanos voltem a frequentar a região também nos dias de descanso.

"É uma questão de autoestima também. A gente tem que ter orgulho do seu centro, ter orgulho das coisas da cidade", afirma Aoas.

A principal barreira é uma ação popular apresentada à Justiça de São Paulo por um grupo que inclui o ex-secretário de Estado da Cultura Andrea Matarazzo e o Instituto de Arquitetos do Brasil, seção São Paulo (IAB-SP).

Em 27 de maio, a juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, determinou a suspensão dos efeitos da aprovação municipal e proibiu o início das intervenções.

A Prefeitura de São Paulo recorreu, mas a decisão foi mantida. Em 21 de setembro, a 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça rejeitou o recurso municipal, preservando a paralisação até que as dúvidas levantadas no processo sejam esclarecidas.

A discussão não se resume à presença dos telões. Os desembargadores também apontaram questionamentos sobre a participação popular na aprovação, o enquadramento jurídico do termo de cooperação e a possibilidade de custos indiretos para os cofres municipais.

Embora não tenha considerado definitivamente ilegal o Boulevard São João, o tribunal entendeu ser necessário preservar as condições atuais da região enquanto essas questões são examinadas.

Para os autores da ação, a suspensão representa uma medida de proteção da paisagem urbana e do patrimônio cultural. Os advogados que representam o grupo também defendem que intervenções dessa dimensão precisam observar as regras da Lei Cidade Limpa e assegurar participação pública e transparência.

Os empreendedores sustentam, por outro lado, que a iniciativa passou por avaliações técnicas e que os equipamentos digitais seriam apenas o instrumento de financiamento de melhorias urbanas.

A diferença entre essas duas interpretações tornou-se o centro da disputa . E, enquanto a controvérsia segue na Justiça, também permanecem paralisadas as intervenções previstas para os espaços.

Longe dos painéis eletrônicos, uma das principais promessas do Boulevard São João está na recuperação de construções e monumentos que ajudam a contar a história da cidade.

Entre os patrimônios contemplados está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos , no Largo do Paissandu. Ligado à história da população negra paulistana, o templo teria suas fachadas recuperadas, com limpeza técnica, tratamento de trincas, recomposição de revestimentos, restauração de ornamentos e recuperação de portas e esquadrias.

Outro monumento incluído é a Estátua da Mãe Preta , obra do escultor Júlio Guerra inaugurada em 1955 . O trabalho prevê a conservação da escultura de bronze e do pedestal de granito, com remoção de sujeira e pichações, tratamento das superfícies e aplicação de proteção.

O terceiro patrimônio destacado é o Relógio de Nichile , na Praça Antônio Prado. Instalado na década de 1930 , o equipamento é o último remanescente de um conjunto de sete relógios públicos distribuídos entre São Paulo, Santos e Guarujá. A proposta é recuperar suas estruturas metálicas e de pedra, além de restaurar o mecanismo para que volte a funcionar.

As intervenções técnicas seriam conduzidas pelo Instituto Sarasá , especializado em restauração de patrimônio histórico. A proposta também contempla a instalação de bancos, lixeiras e outros elementos de mobiliário urbano na Avenida São João , no trecho entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio Mesquita.

Segundo os empresários responsáveis pelo projeto, o compromisso não terminaria na entrega das obras. O acordo prevê três anos de cooperação, período em que os espaços recuperados também receberiam cuidados de manutenção e conservação.

A preocupação faz parte do argumento de Aoas: recuperar um monumento sem garantir sua preservação significaria correr o risco de vê-lo novamente degradado. O modelo também inclui oficinas de educação patrimonial, abertas a estudantes e interessados em aprender técnicas de conservação de edifícios, esculturas e outros elementos históricos.

É nessa combinação que os idealizadores enxergam o diferencial da proposta: usar a exploração comercial de espaços publicitários para financiar melhorias que continuariam disponíveis à população.

O apelido "Time Square paulistana", que pegou, remete imediatamente às luzes e aos grandes anúncios da Times Square, em Nova York . Mas os empresários responsáveis pelo Boulevard São João afirmam buscar inspiração também na transformação urbana vivida pela região americana.

A comparação serve para ilustrar a ambição de criar um novo destino turístico em uma área que, apesar de sua importância histórica, ainda enfrenta problemas de conservação, segurança e ocupação dos espaços públicos.

O projeto prevê a instalação de quatro painéis digitais , com áreas individuais entre 300 e 1.000 metros quadrados, nas fachadas de edifícios próximos ao cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. Também estão previstas projeções digitais sobre outras construções.

A proposta estabelece que 70% do tempo de exibição dos painéis seja dedicado a conteúdos culturais, artísticos e institucionais, enquanto os 30% restantes poderão receber conteúdos patrocinados por marcas.

Na avaliação dos idealizadores, essa divisão permitiria transformar os equipamentos em um canal de divulgação da cultura e de iniciativas públicas, ao mesmo tempo que a participação de empresas sustentaria financeiramente a operação.

Além das telas, a intenção é fazer da própria avenida um espaço de lazer nos finais de semana. O plano inclui quatro pequenos palcos, áreas destinadas a crianças, espaços esportivos, apresentações musicais, exposições de fotografia, feiras gastronômicas e de artesanato.

Ao longo do ano, a programação seria organizada conforme datas e acontecimentos importantes da cidade, como o aniversário de São Paulo, o Carnaval, o mês da Consciência Negra e as celebrações de Natal.

O funcionamento se aproximaria do modelo da Avenida Paulista aberta aos pedestres aos domingos, mas com atividades temáticas planejadas para atrair diferentes públicos .

Os empreendedores destacam a intenção de criar circuitos culturais capazes de conectar a Avenida São João a outros pontos de interesse do Centro, ampliando a circulação de visitantes e consumidores.

O objetivo é que quem se desloque para assistir a um espetáculo também aproveite a oportunidade para conhecer restaurantes, bares, edifícios históricos e atrações culturais nos arredores.

Essa movimentação, defendem os empresários, poderia beneficiar os negócios já instalados e estimular novos investimentos na região. Trata-se, por enquanto, de uma expectativa: o empreendimento ainda não entrou em operação, e os efeitos sobre a economia local não foram comprovados.

A estrutura financeira do Boulevard São João é outro ponto de atenção da disputa.

A proposta apresentada pelos empreendedores prevê aproximadamente R$ 42 milhões para a implantação da infraestrutura tecnológica e outros R$ 8 milhões para recuperação patrimonial, conservação e melhorias urbanas, totalizando cerca de R$ 50 milhões em investimentos privados.

A receita seria obtida por meio de patrocínios e da exploração dos espaços de comunicação instalados nos edifícios . O acordo com o município teria duração inicial de três anos, período que funcionaria como uma experiência para avaliar os resultados e a continuidade do modelo.

Os idealizadores classificam a proposta como "mídia regenerativa", conceito que procura associar a presença de marcas a contrapartidas permanentes para a cidade.

O Tribunal de Justiça também apontou dúvidas sobre a eventual existência de custos indiretos para a Prefeitura, mesmo diante da previsão de financiamento privado. Em uma carta pública divulgada após a manutenção da suspensão, os responsáveis pelo projeto reconheceram a necessidade de esclarecer essas questões.

O documento defende a criação de uma matriz pública de responsabilidades , capaz de estabelecer quem financia cada etapa, executa as intervenções, fiscaliza os equipamentos e responde por eventuais danos. A mesma transparência deveria alcançar os custos de desmontagem e recuperação dos espaços ao fim da cooperação.

Os empreendedores também defendem o monitoramento da luminosidade dos painéis e a possibilidade de corrigir ou interromper sua operação caso sejam identificados problemas.

São medidas apresentadas como respostas às preocupações levantadas no processo. Ainda assim, sua efetividade dependeria de regras claras, fiscalização e da avaliação das instâncias responsáveis.

Apesar da sucessão de decisões contrárias à implantação, a discussão judicial continua aberta .

O Tribunal de Justiça manteve uma medida provisória , sem apresentar uma conclusão definitiva sobre a legalidade do empreendimento. Isso significa que o projeto poderá ser reavaliado à medida que novos documentos, esclarecimentos e provas sejam incorporados ao processo.

Os idealizadores esperam conseguir demonstrar que a operação é juridicamente viável e que as melhorias prometidas justificam a utilização dos espaços de comunicação.

A Prefeitura também defende a legalidade do modelo e os potenciais benefícios da iniciativa para o Centro. Não há, porém, uma data confirmada para a liberação das intervenções nem garantia de que o empreendimento poderá avançar nas condições originalmente propostas.

O Boulevard São João é uma iniciativa de empresários do Centro de São Paulo para revitalizar a região das avenidas Ipiranga e São João com recursos privados. O plano reúne painéis digitais, apresentações musicais, feiras, atividades culturais, mobiliário urbano e recuperação de monumentos históricos.

O projeto está suspenso por decisão judicial após uma ação popular questionar sua compatibilidade com a Lei Cidade Limpa, a proteção do patrimônio, a participação pública e possíveis custos indiretos para a Prefeitura. Em 21 de setembro de 2026, a 7ª Câmara de Direito Público do TJ-SP manteve a paralisação, mas não declarou definitivamente a iniciativa ilegal.

O investimento privado estimado é de R$ 50 milhões. Cerca de R$ 42 milhões financiariam a infraestrutura tecnológica, enquanto R$ 8 milhões seriam destinados à recuperação patrimonial, conservação e melhorias urbanas.

O projeto prevê restaurar a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Estátua da Mãe Preta e o Relógio de Nichile. As intervenções técnicas ficariam sob responsabilidade do Instituto Sarasá, especializado em patrimônio histórico.

O projeto prevê quatro painéis digitais com áreas de 300 a 1.000 metros quadrados nas fachadas de edifícios próximos ao cruzamento. Pela proposta, 70% do tempo de exibição seria reservado a conteúdos culturais, artísticos e institucionais, e 30% poderia receber material patrocinado.

O projeto depende de uma nova avaliação judicial e de esclarecimentos sobre sua legalidade, o financiamento, a fiscalização e as responsabilidades de cada participante. Não há prazo para a liberação das intervenções nem garantia de que a proposta poderá avançar no formato original.

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