Fique por dentro: Nova arquitetura global de pagamentos exige parcerias e cooperação
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Consulte formatos e valores disponíveisNova arquitetura global de pagamentos exige parcerias e cooperação Empresas de criptomoedas saem na frente no desenvolvimento de tecnologias para o uso das stablecoins, enquanto os modelos tradicionais expõem suas limitações Stablecoins
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Criptomoedas Saiba mais *Por Nicolás Alonso* Há algumas semanas, eu estava no México e, em um jantar com empresários chineses que investem em empresas brasileiras, ouvi um relato que já apontava para o momento de transformação que estamos vivendo nos sistemas globais de pagamentos. Um deles contou que um navio que sai do Brasil, enviando alguns produtos de exportação para outro continente, muitas vezes cruza o longo caminho e chega ao destino antes mesmo do pagamento conseguir ser efetivado. O empresário descrevia essa experiência como uma situação inconcebível em um mundo onde as transações comerciais são, majoritariamente, globais.
Essa conversa exemplifica a urgência pela qual passa o sistema de pagamentos no mundo todo, que vem consolidando transações que fazem parte de uma grande transformação. O fato é que, com os negócios cada vez mais globais, toda a cadeia de operação e comercialização das empresas precisa funcionar de maneira mais integrada e sem fronteiras. Isso significa que um funcionário colombiano trabalhando remotamente para uma empresa americana, que compra peças chinesas e exporta equipamentos ao Brasil, precisa ser capaz de efetivar, de forma rápida e eficiente, todos os pagamentos a funcionários, fornecedores e clientes, independente da moeda local de cada um.
Como forma de juntar as peças desse quebra-cabeça universal, estamos vendo uma tendência crescente de players que já foram concorrentes se aliando para levar soluções únicas a empresas que precisam de processos mais eficientes. O pano de fundo é a digitalização, que permite a complementaridade de infraestruturas ao invés da simples substituição.
A integração eficaz de infraestruturas cria um ecossistema de pagamentos muito mais rápido e econômico.
Na prática, essa transação permitirá, por exemplo, que uma empresa brasileira consiga fazer pagamentos em tempo real para o México, em apenas poucos segundos. Ou seja, respondendo ao relato do empresário chinês, isso acontecerá muito antes que o navio levante suas âncoras aqui no Brasil.
Essa mudança no sistema de pagamentos, no entanto, não é uma tendência exclusiva da América Latina. Instituições no mundo todo estão atentas ao uso crescente de ativos digitais na carteira dos clientes e, nesse sentido, empresas de criptomoedas saem na frente no desenvolvimento de tecnologias para o uso das stablecoins, enquanto os modelos tradicionais expõem suas limitações, que vão desde conversão entre moedas, sistemas de compensação, até horários para fechamento de câmbio.
Com tantas barreiras, até mesmo instituições financeiras tradicionais tendem a buscar parcerias. É o que chamamos de a era das Finanças Híbridas (Hybrid Finance ou HyFi, um termo que surgiu pela primeira vez na Stablecoin Conference deste ano e que acaba de virar um livro). A base desse conceito é a construção de um mercado com melhores condições de circulação e rapidez para os recursos.
Para que esse cenário se instale, a competição passa a dar lugar à convergência de players deste mercado. Dessa forma, por meio de um sistema de mão dupla, gigantes bancários globais e fintechs com capacidade de desenvolvimento e inovação para ativos digitais trabalham lado a lado com blockchains que se destacam pela confiança e capacidade estratégica na oferta de serviços e infraestrutura.
Forma-se, então, um avançado sistema operacional financeiro de transferências de recursos e pagamentos, no qual os dois lados aliam escala e credibilidade dos agentes tradicionais à velocidade das empresas que já surgiram com perfil digital, o que garante uma arquitetura moderna e eficaz para os clientes.
Vale destacar, no entanto, que apesar de não ser a única nesse movimento, a América Latina configura-se como ambiente propício a essas transformações. A região é responsável pela combinação de sistemas locais de pagamentos instantâneos com perfil mais avançado, além de uma demanda crescente por ativos digitais denominados em dólar.
Para se ter uma ideia, a última edição do relatório Panorama Cripto na América Latina, produzido pela Bitso, mostrou que as stablecoins dominaram 40% das compras de criptoativos na região, enquanto o bitcoin - que historicamente ficava no topo da lista - representou 18%. Trata-se de um cenário que aponta uma clara transformação no uso desses ativos, revelando aderência a este perfil de investimento, além de indicar uma nova forma de pagamento internacional e transferência de recursos.
Todo esse cenário de evolução percebido no Brasil e na América Latina se insere em um contexto global de avanço para os ativos digitais, que já constou do relatório divulgado ao final do Fórum Econômico Mundial de 2026, realizado em janeiro, na cidade de Davos-Klosters, na Suíça. De acordo com o texto, este ano é um marco decisivo para os ativos digitais por três principais motivos.
Em primeiro lugar, a clareza regulatória facilita a maior adoção e a escalabilidade de ativos digitais. Em segundo lugar está a tokenização de ativos, que está acelerando e impactando os mercados de capitais, a liquidez e o acesso a produtos de investimento. Por fim, as blockchains estão se tornando, cada vez mais, infraestrutura à medida que a adoção transita da fase de experimentação para a implementação em nível corporativo.
Os avanços são claros e fazem parte de uma grande transformação do sistema financeiro.
*Nicolás Alonso é country manager da Bitso Brasil.
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